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Nos dias de hoje parece lugar comum afirmar que as mídias têm desempenhado um importante papel na sociedade, caracterizada como sociedade da informação, da comunicação, do espetáculo e mais recentemente, como “sociedade multitela”. As mídias não só asseguram formas de socialização e transmissão simbólica mas também participam como elementos importantes da cultura e da construção de significados diante do mundo. E a presença da mídia na vida de crianças e jovens tem apresentado imensos desafios para a educação de crianças e jovens que podem ser discutidos tanto no âmbito familiar como escolar, além dos vários espaços da cultura.

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Por mais que se fale que as atuais gerações de crianças e de jovens cresceram/crescem com TV, DVD, controle remoto, videogame, computador, Internet, celular, redes sociais, podemos nos perguntar o que isso significa, pois o entendimento das mudanças propiciadas pelas mídias e suas tecnologias ainda está longe de ser suficientemente problematizado, o que implica a necessidade de mediações pedagógicas.

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Ao mesmo tempo em que a vida cotidiana está plena de informação, seu acesso ainda é fragmentado, e da mesma forma que a internet e as redes sociais propiciam diversas formas de relação com o conhecimento e de interação entre as pessoas, a qualidade de tais interações e as formas de uso tem sido cada vez mais discutidos. Nesse sentido, refletir sobre a relação das pessoas com as mídias e suas formas de comunicação e educação ganha destaque no que tem sido chamado “mídia-educação”.

A mídia-educação, que também pode ser entendida como educação para os meios, é uma prática educativa tão antiga quanto os próprios meios, e sendo um espaço de reflexão teórica sobre as práticas midiáticas e culturais também se configura como um fazer educativo que faz parte da educação e cidadania. Entendida como a possibilidade de lidar pedagogicamente com as mídias em suas diversas dimensões, seja como disciplina, como campo em construção, e como prática social mais ampla que também ocorre no espaço extra-escolar, as definições e os objetivos da mídia-educação têm sido discutidos e teorizados há muitos anos no cenário internacional por autores como a francesa Genevieve Jacquinot, o inglês David Buckingham, o italiano Pier Cesare Rivoltella, e muitos outros. Em nosso país, Mariasinha Fusari e Maria Luiza Belloni têm sido consideradas pioneiras dessa discussão, e mais recentemente alguns grupos de professores e pesquisadores de diversas universidades tem se destacado nessa temática, entre eles, o Grupo de Pesquisa Núcleo Infância, Comunicação, Cultura e Arte, NICA, da UFSC, que em evento da área promoveu a elaboração do documento “Carta de Florianópolis para Mídia-educação”.

A exemplo de outras Cartas Internacionais, a “Carta de Florianópolis para Mídia-educação” entende a mídia-educação como “um campo interdisciplinar em construção, na fronteira entre a Educação, a Comunicação, a Cultura e a Arte, voltado à reflexão, à pesquisa e à intervenção no sentido da apropriação crítica e criativa das mídias e da construção de cidadania”. O documento destaca que a mídia-educação deve estar presente na formação “como parte do sistema de ensino, na atividade dos produtores de mídia, nas empresas de comunicação, e nas organizações da sociedade civil. A educação, assim, justifica-se como instrumento de defesa dos direitos civis e de construção da cidadania”.

Por sua vez, outra abordagem de educação para as mídias pode ser encontrada na perspectiva da Educomunicação, que segundo Ismar Soares trata de um novo campo de intervenção social na inter-relação Comunicação/Educação que envolve um “conjunto de ações que permitem que educadores e estudantes desenvolvam um novo gerenciamento, aberto e rico, dos processos comunicativos dentro do espaço educacional e de seu relacionamento com a sociedade”. Para ele, a educomunicação não pode ser considerada nos limites de uma disciplina, pois como campo de intervenção inclui os relacionamentos de grupos (a área da comunicação interpessoal), as atividades ligadas ao uso de recursos de informação no ensino-aprendizagem (a área das tecnologias educacionais), o contato com os meios de comunicação de massa (área da educação para os meios de comunicação), seus usos e manejo (área de produção comunicativa).

Mais recentemente, outra discussão tem ocupado os estudiosos da área em relação a tais definições e às possíveis mudanças de paradigmas da mídia-educação a partir dos desafios da cultura digital, a New Media Education. Mas isso já é assunto para outra conversa.

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Mônica Fantin é doutora em Educação, Professora do Curso de Pedagogia e do Programa de Pós-Graduação em Educação, Linha de Pesquisa Educação e Comunicação, PPGE/UFSC.

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