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Aprender a ler e escrever são processos sociais, culturais e cognitivos, que possibilitam um tipo de comunicação, de apropriação de conhecimentos e são fundamentais para a compreensão de conceitos. Agora, na escola de Ensino Fundamental, é ainda mais interessante, pois colocamos diante de crianças de cinco, seis e sete anos, conhecimento constituído há pelo menos 5 mil anos.

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Aprender a ler e a escrever são processos complexos, que exigem a formação de professores pelo menos em três níveis:  leitura, escrita da prática e reflexão vivencias culturais e históricas que permeiam o currículo.

No entanto, hoje pretendo dedicar este espaço para pensar sobre as descobertas das crianças, quando são apresentadas as letras, comunicadas que selecionando algumas delas será possível escrever seu nome (que até então era falado), que as junções delas formam palavras, muitas e muitas palavras. Algo sensacional aos olhos curiosos das crianças e ao pensamento delas, desde que percebam que o que estão aprendendo poderão usar na sua vida.

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O que não é muito difícil, pois escrever o próprio nome é uma prática social. Ler livros e textos como poesias, informativos, receitas culinárias e regras de jogos, é uma prática que está no dia a dia das crianças.

As crianças no decorrer do processo vão se apropriando do sistema em tempos diferentes, o que é sensacional para um professor alfabetizador, que está atento as aquisições realizadas, as hipóteses que as crianças revelam, e vai pensar estratégias diferenciadas para movimentar a turma.

Como disse Vygotsky, a escrita não é um ato de mãos e dedos, acrescento que nem a leitura é de palavras “simples”, escrever é um processo complexo, que exige referenciais organizados externamente e processados internamente, por isso a organização das rotinas, da sequência das atividades, de materiais de apoio próximo as crianças, é tão importante. Deixe o alfabeto impresso na mesa das crianças e não apenas na parede.

É preciso ensinar para nossas crianças em processo de alfabetização e letramento, que aprendemos a ler e a escrever textos com diferentes funções, e para escrever é preciso pensar no que se quer escrever, como irá escrever e onde será esse registro.

Ler uma história por dia, fazer um registro coletivo por dia, permitir que as crianças façam seus registros diariamente, desafiá-los a escrever receitas, poesias, bilhetes, convites, listas, entrevistas com autores. Tenho colegas, autores da literatura infantil, que se dispuseram a conversar com as crianças de uma determinada escola municipal, passando por uma verdadeira sabatina, porém os olhos atentos das crianças valiam cada palavra.

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Precisamos pensar que no percurso da aprendizagem da escrita e da leitura é preciso usar jogos clássicos, que desenvolvem a consciência fonológica, levando as crianças a identificarem a organização das letras no interior da palavra, que trocar uma letra de uma determinada palavra requer uma seleção, reflexão sobre relação letras e sons e que a escolha mudará todo um contexto, porque na cozinha da minha casa tem FACA e não VACA. Perceberam? O contexto para a escrita é fundamental.

Permitir que as crianças escrevam as regras da Amarelinha, da brincadeira do Reloginho (estou aprendendo com as crianças na escola), de outras brincadeiras que habitam o espaço escolar. Os adultos devem estimular a observação de materiais escritos em situações diversas.

Levar as crianças a utilizarem na escola, os computadores, mesmo que seja um computador, mas que possam acessar sites e ler textos informativos sobre o assunto que a professora esta trabalhando. Descobrir com ajuda da professora, os jogos on-line e fazer registros de e-mail para a própria professora ou para outra pessoa da escola, tem muita coisa aí para aprender sobre a escrita e leitura e não dá para ficar desmotivado.

Precisamos enquanto professores estudar o processo de escrita, sua organização, para propormos novas estratégias e também precisamos pensar como as crianças pensam para se aprenderem a escrever e a ler.

*Texto escrito pela Profª Drª Liliamar Hoça, Doutora em educação, com pesquisas sobre desenvolvimento profissional. Pedagoga da Rede Municipal de Ensino de Curitiba e professora de Pós Graduação. A profissional colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM, no Blog Educação e Mídia.

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