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Business Corporate Protection Safety Security Concept
Business Corporate Protection Safety Security Concept| Foto:

No dia 11 de fevereiro mais de 150 países celebraram o Dia Mundial da Internet Segura. Em sua 12ª edição no Brasil, coordenada pela SaferNet com apoio do CGI.br, as mobilizações buscam integrar os diferentes setores da sociedade na construção de um ambiente mais positivo, estimulando o uso crítico, consciente e seguro da Internet. Para além dos temas básicos de segurança digital e proteção de crianças e adolescentes em relação aos riscos de acesso aos conteúdos impróprios, os temas do debate tornam-se cada vez mais amplos e complexos.

O desafio da educação para cidadania digital não pode mais se limitar aos temas básicos de proteção contra violências online como a discriminação e o ciberbullying, a segurança das informações e o combate ao compartilhamento de imagens íntimas sem consentimento. Apesar destes tópicos seguirem na liderança dos pedidos de ajuda recebidos pelo canal de orientação da SaferNet Brasil, pais, educadores e gestores precisam incorporar as discussões sobre bem-estar, desinformação, inteligência artificial e criptografia na agenda, especialmente nas ações com os mais jovens que já fazem um uso muito intensivo da Internet em seu cotidiano. O mito dos “nativos digitais” gera uma falsa impressão de que os mais novos já “dominam” os recursos digitais e estão “prontos” para desfrutar das oportunidades.

Os indicadores das pesquisas nacionais feitas pelo Cetic.br confirmam que temos muito o que fazer para amplificar tanto as habilidades de um uso positivo (mais criativo e qualificado dos recursos disponíveis) quanto as habilidades para lidar com as situações que incomodam, a exemplo da pressão e comparação social que podem agravar os danos na saúde emocional de meninos e meninas já vulneráveis em seus ambientes “offline”. Ainda que a própria diferença entre ambientes “on” e “offline” não seja mais perceptível na experiência de uso constante das redes, as habilidades para buscar ajuda, reportar um contato impróprio, configurar as contas com alguma proteção aos dados pessoais ou certificar a veracidade das informações disponíveis escapam de muitos, inclusive destes que chamamos de “nativos digitais”. Ao perceber que a inteligência artificial vem chegando aos brinquedos de crianças, aos sistemas de ensino customizados, aos assistentes pessoais nas casas e nos celulares, precisamos trazer o tema para as conversas das famílias e debates nas escolas.

O ritmo tão acelerado das inovações pode assustar muitos pais e educadores, mas há alternativas para debater o tema de maneira mais próxima da realidade cotidiana. Um caminho viável é iniciar concentrando a discussão não exatamente nos novos equipamentos ou serviços, mas sim nos princípios que guiam as formas de uso e apropriação. Ao presentear uma criança com um aparelho celular, que tipo de acordo e orientações temos oferecido para que usem com maior proveito e segurança? Ao oferecer um novo jogo eletrônico, quantos da família jogam juntos e buscam entender a dinâmica das interações sociais e os aprendizados possíveis, mesmo naqueles jogos que aparentam trazer apenas cenas de violência? Ao escolher uma escola “supertecnológica”, como avaliamos os usos que serão feitos dos dados pessoais dos alunos e, ainda mais importante, que tipo de explicação sobre estes sistemas os próprios alunos têm recebido? Quais exemplos de comportamento e de postura oferecemos nas discussões dos grupos de mensagem das famílias? A pergunta básica que permanece é: que tipo de valores e princípios temos oferecido inspirar um uso mais positivo da Internet pelas novas gerações?

Sem dívida a responsabilidade é compartilhada também com as próprias empresas de tecnologia. Elas precisam investir na “tradução” das oportunidades e dos riscos que suas ferramentas oferecem para que os usuários (de todas as idades) possam fazer suas escolhas de forma mais consciente e esclarecida. Talvez mais importante do que apenas implementar restrições ou fortalecer os sistemas de denúncia de abusos, precisamos, como sociedade, ampliar a capacidade das pessoas conseguirem gerenciar sua experiência digital com autonomia, sabendo reconhecer os riscos para evitar que eles gerem danos. A vida é cada vez mais mediada por espaços digitais que, assim como outros espaços públicos, oferecem todo tipo de experiência, dando potência e escala tanto para conteúdos inspiradores como para as mais variadas formas de discriminação.

Neste contexto de tanta aceleração e volatilidade, é cada vez mais vital criarmos momentos de pausa para revisitar nossos hábitos digitais, fazer uma faxina nas nossas redes para identificar o que inspira e o que deprime, selecionar os jogos que nos divertem e dar uma pausa naqueles que nos tiram o sono, avaliar até que ponto o conforto de um serviço digital vale a exposição de dados pessoais que detalham nossos hábitos diários. Isso tudo parece muito complexo, mas temos bons caminhos para tratar este tema nas escolas a partir das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular, das diretrizes do Marco Civil da Internet no Brasil e dos muitos recursos educativos disponíveis. Se podemos destacar uma estratégia que nos leva a ótimos resultados, sem dúvida vale frisar o poder dos espaços de participação direta das próprias crianças e adolescentes como aliados na busca de caminhos que façam sentido em suas vidas. Em vez de receptores passivos de nossas aulas, palestras e proibições, podem ser cocriadores de soluções e estratégias para inovar como (e o que) falamos sobre uso seguro e positivo da Internet em nossas escolas, nas famílias e, consequentemente, na própria Internet. O início de ano é uma ótima oportunidade planejar, com as crianças e adolescentes, as próximas ações. Contem com a equipe da SaferNet se precisarem de ajuda.

*Texto escrito pela Equipe SaferNet Brasil. A SaferNet Brasil colabora voluntariamente com o Instituto GRPCOM no Blog Educação e Mídia.

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