Advogado de condenada por atos relacionados ao 8 de Janeiro revela condição degradante de cliente e faz críticas a Hugo Motta (Republicanos-PB).| Foto: Reprodução YouTube
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No programa Entrelinhas desta segunda-feira (16), o advogado Luiz Felipe Pereira da Cunha falou sobre a situação de sua cliente Gisele Alves Guedes, 38 anos, presa no sábado (14), por atos relacionados ao 8 de janeiro. Gisele é mãe de sete filhos — cinco deles menores de idade, incluindo uma bebê de um ano — e nunca havia sido presa, tampouco feito uso de tornozeleira eletrônica.

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"O caso nos deixou bastante estarrecidos. Gisele não participou de nenhum movimento. Simplesmente era uma vendedora, que vendia artigos de barraca no QG. Apenas desceu para a Esplanada e fez um vídeo", lamentou Pereira. Ele explicou que o caso foi um claro desrespeito ao devido processo legal e por isso que teve bastante repercussão na mídia.

Além disso, Pereira criticou a Procuradoria Geral da República (PGR) por descumprir tanto a Constituição Federal, como tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. "A PGR não individualizou a conduta das pessoas. É um crime 'multitudinário', ou seja, pelo simples fato da pessoa estar na Praça dos Três Poderes já é condenada", reclamou.

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O comentarista Frederico Junkert explicou que tal método, que levou à condenação pelo Supremo, ignora qualquer fundamento jurídico: "O STF tem um objetivo político, impulsionado pelos ministros, e não tem o mínimo pudor em cometer as maiores barbaridades". A única solução, segundo ele, seria a aprovação do Projeto de Lei da Anistia, que exigirá uma mobilização da sociedade.

Traição de Hugo Motta

O advogado vê a Lei da Anistia como a "única esperança" para resolver a situação de Gisele e de todas as outras pessoas condenadas por atos relacionados ao 8 de janeiro. Ele recordou o caso de Adalgiza Maria Dourado, idosa de 65 anos condenada a 16 anos e 6 meses, que tentou tirar a própria vida, e de Ana Flavia de Souza Monteiro, 37 anos, que está sofrendo maus-tratos na prisão.

Pereira atribui responsabilidade a Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados: "A questão da Anistia arrefeceu um pouco, apesar dos deputados da oposição baterem na questão toda semana. O presidente da Casa, além de ter traído o acordo, está viajando mundo afora e não está preocupado". Ele lamentou, ainda, que mesmo com as assinaturas necessárias, Motta não deu requerimento de urgência à pauta.

"Hugo Motta se encontra em uma situação muito complicada, diante da perda de apoio dos parlamentares que o elegeram presidente, pela questão do PL da Anistia, pauta cara à oposição", observou Junkert.

O Entrelinhas vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 15h, no canal da Gazeta do Povo no YouTube, trazendo os principais temas do cenário político e econômico do país. A apresentação é de Mariana Braga, com comentários de Frederico Junkert, advogado e especialista em direito constitucional.

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