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Ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, hoje exilado político na Itália, Eduardo Tagliaferro concedeu entrevista à coluna Entrelinhas para analisar os desdobramentos recentes de sua situação jurídica e o cenário institucional brasileiro. Ele comenta o processo movido pela Rumble contra Moraes, o pedido de prisão do ministro feito por sua própria defesa, ignorado até hoje pelo Supremo, as expectativas em torno da presidência de Nunes Marques no TSE às vésperas de um novo período eleitoral, e o impacto do caso da deputada Carla Zambelli na Itália sobre sua própria situação.
Entrelinhas: Como o caso Rumble x Moraes pode expor mais o ministro e contribuir com exilados políticos?
Tagliaferro: Eu acredito que sim, que esse processo movido pela Rumble pode auxiliar os exilados políticos, porque eles expõem a violação de direitos humanos, expõem a censura praticada por regimes autoritários, e isso reforça o caráter ditatorial de Moraes e a perseguição que ele faz também aos exilados políticos.
Entrelinhas: Sua defesa pediu a prisão de Moraes. O ministro os acusou de fraude processual e obstrução de justiça. O caso segue engavetado. O senhor vê uma proteção institucional a Moraes?
Tagliaferro: Vejo, sim, como uma proteção institucional. Mesmo porque, até mesmo com o André Mendonça, existe um habeas corpus antes de se tornar ação penal. Hoje, para mim, o meu caso já é uma ação penal. Mas quando ainda era uma PET, foi impetrado um habeas corpus em julho de 2025, que no sorteio caiu com o André Mendonça, e até hoje ele não fez nada. Ficou engavetado e já perdeu o objeto, porque se tornou ação penal. E tudo o que é pedido no Supremo Tribunal Federal, que vai para Moraes, para a Primeira Turma, ou até mesmo para Fachin, é negado. Então a gente vê claramente uma proteção institucional sobre a administração de Moraes.
Entrelinhas: O senhor foi perito do TSE. Acredita que Nunes Marques na presidência do Tribunal pode fazer um período eleitoral isento de censura, diferente de 2022?
Tagliaferro: É uma incógnita em relação a Nunes Marques, porque a gente vê que ele também tem algum envolvimento. Acabamos de ver o escândalo do filho dele, que em dois anos de exercício da advocacia já faturou 28 milhões de reais. Não é muito diferente do caso da Viviane Barci, esposa de Moraes, que, sem qualquer curso além da faculdade, fechou o maior contrato da história da advocacia. Eu não acredito que seja muito diferente. Talvez ele não censure diretamente, mas faça um malabarismo para que o peso não caia só sobre ele e para não mostrar novamente um TSE arbitrário. Então acredito que a máquina do STF será usada pelo TSE para poder censurar.
Entrelinhas: Como o senhor analisa o caso Zambelli na Itália e o quanto impacta o seu?
Tagliaferro: Sobre o caso da Carla Zambelli: o que aconteceu agora não foi uma negativa de extradição. A Corte de Cassação anulou o processo e determinou que ele volte à Corte de Apelação. Ou seja, todo o procedimento será refeito — as provas serão reapresentadas e reanalisadas do zero.
Quando a Corte de Cassação decidiu sobre o caso dela, minha audiência já tinha ocorrido e todas as provas que eu precisava produzir já haviam sido produzidas. Aqui na Itália, o caso dela tem pouquíssima repercussão: praticamente ninguém conhece a Zambelli, a imprensa italiana não dá importância ao caso — e muito menos a essa decisão da Cassação.
O que pode fazer diferença é algo futuro, não algo imediato: se a Corte de Apelação de Catanzaro conceder a extradição dela, eu poderei usar, num eventual recurso da minha defesa à Corte de Cassação, a decisão já tomada no primeiro processo dela — o da invasão do CNJ. Mas, hoje, o caso dela não me ajuda em nada. E vale lembrar: aquela decisão da Cassação foi obtida em parte com base em provas que eu mesmo enviei aos advogados dela, para que montassem uma defesa mais sólida.
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Mariana Braga é jornalista formada pela UFPR, com mestrado pela École Normale Supérieure de Lyon, na França. Trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi repórter, apresentadora, editora e chefe de reportagem em emissoras de televisão. Tem formação também em Artes Cênicas e Psicanálise. **Os textos da colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




