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As recentes revelações envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal reacenderam o debate sobre os limites de atuação das instituições e aprofundaram a pressão sobre autoridades do Judiciário e da República. Para o senador licenciado Eduardo Girão (Novo-CE), as informações divulgadas nos últimos dias representam uma espécie de “luz” sobre relações e decisões que, segundo ele, precisam ser investigadas e esclarecidas.
Em entrevista à Entrelinhas, Girão defende o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do ministro Alexandre de Moraes, além de criticar duramente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador também classifica a indicação de Rodrigo Pacheco ao Tribunal de Contas da União como um “tapa na cara da sociedade” e afirma que a pressão popular será fundamental diante das manifestações previstas para o 7 de Setembro.
Entrelinhas: O senhor acompanha há bastante tempo as denúncias envolvendo o Supremo Tribunal Federal e outros integrantes das instituições. O que mudou, na sua avaliação, com as informações que vieram a público nos últimos dias?
Eduardo Girão: A luz chegou. Aquilo que a gente vem dizendo há muito tempo, agora as pessoas estão se dando conta. Quem acompanha a Gazeta sabe que a gente vem trabalhando, denunciando, agindo contra essa censura escancarada, contra essa caçada implacável a quem é conservador de direita.
Tem até aquela música do Beto Guedes, que eu gosto muito: “Quando entrar setembro e a boa nova”. Nós tivemos, entrando setembro, a exposição completa das entranhas do país, dessa podridão que nós temos hoje, especialmente de alguns ministros, ativistas que abusam da Constituição lá na Suprema Corte do nosso país.
Entrelinhas: Diante desse cenário, o senhor defende o afastamento de autoridades?
Eduardo Girão: Eu quero dizer que ou a imediata renúncia ou o impeachment. Só que o Davi Alcolumbre tinha que ser retirado também da presidência do Senado. Nós já entramos para afastá-lo, mas ele não age. Infelizmente, nem o Conselho de Ética foi instalado para termos a possibilidade de fazer isso.
Mas o Paulo Gonet, PGR do Brasil, precisa ser afastado imediatamente. Assim como também o ministro Alexandre de Moraes. São dois personagens-chave da República cuja manutenção em cargos tão importantes ficou insustentável.
Eles têm que ser afastados imediatamente e caminhar para um processo mais sério, de julgamento rápido e, se for o caso, confirmados tudo isso, de prisão. É isso que merecem.
Entrelinhas: Qual é, na sua avaliação, a gravidade das mensagens e das relações que vieram a público sobre Gonet?
Eduardo Girão: Efetivamente, essas mensagens revelam um relacionamento escuso, completamente escuso. Está havendo um conflito de interesse de Paulo Gonet, claro, para a manutenção do status quo e está protegendo o amigo dele, o Alexandre de Moraes, amigo de longa data.
O Vorcaro estava junto, há pouco tempo atrás, em Londres, com o Paulo Gonet, fumando charuto luxuoso, bebendo uísque e junto com o diretor da Polícia Federal.
Precisam todos ser afastados e nós não podemos perder a janela de oportunidade que abriu agora.
Entrelinhas: O senhor está falando, portanto, de uma crise que envolveria não apenas o Supremo, mas também a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal?
Eduardo Girão: Exatamente. Nós temos personagens-chave da República que precisam ser afastados. E não podemos perder essa janela de oportunidade.
O brasileiro está indignado. Temos que nos manifestar nas ruas. Ontem, no Senado Federal, em vez de todo mundo tomar o microfone para bater nisso, foram pouquíssimos senadores que fizeram cobrança do presidente Davi Alcolumbre.
O Senado continua acovardado e dali não sai nada, porque o Alcolumbre é amigo também dessa turma toda, do Gonet, do Alexandre de Moraes. Estava lá na casa do Lula, na casa do Moraes, junto com o Lula, no acordão semana passada. Então ali não sai nada.
Entrelinhas: E como o senhor avalia a aprovação de Rodrigo Pacheco para o Tribunal de Contas da União em meio a esse cenário?
Eduardo Girão: Agora os senadores aprovaram Rodrigo Pacheco, no meio desse escândalo todo, na surdina, para o TCU. É um tapa na cara da sociedade. Só tiveram quatro votos contra. Foram 63 a favor do Pacheco, ex-presidente do Senado, que engavetou dezenas de pedidos de impeachment dessa turma toda, inclusive o meu, do Alexandre de Moraes.
Alguns dos meus pedidos de impeachment foram sobre o campeão de pedidos, que é o Alexandre de Moraes, e do Gonet, que eu entrei no ano passado ainda.
E o Davi Alcolumbre faz cara de mercador porque tem certeza da impunidade.
Entrelinhas: Na sua avaliação, qual deve ser o papel da população diante das manifestações previstas para o 7 de Setembro?
Eduardo Girão: A população precisa se manifestar e exercer pressão. Nós não podemos perder essa janela de oportunidade. É importante que as pessoas conversem, se posicionem, pressionem os seus representantes e mostrem indignação.
É preciso pressão popular em cima dos ministros. O ministro André Mendonça precisa de orações. Eu não tenho dúvida de que a guerra que a gente vive é uma guerra espiritual.
Ele está muito pressionado, porque é um ninho de cobra onde ele está.
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Mariana Braga é jornalista formada pela UFPR, com mestrado pela École Normale Supérieure de Lyon, na França. Trabalhou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa do Paraná. Foi repórter, apresentadora, editora e chefe de reportagem em emissoras de televisão. Tem formação também em Artes Cênicas e Psicanálise. **Os textos da colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




