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Seif admite conversa com Alcolumbre, mas nega “acordão”

(Foto: Reprodução/YouTube Gazeta do Povo)

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Uma conversa reservada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP),  deu o tom da entrevista do senador Jorge Seif (PL-S) à coluna Entrelinhas e ao programa Sem Rodeios — e trouxe à tona uma das controvérsias mais debatidas nas redes sociais entre oposicionistas ao governo federal nos últimos dias: a suspeita de um possível “acordão” nos bastidores.

A interpretação que circula entre críticos aponta para um arranjo político em que a votação da dosimetria relacionada aos presos pelo 8 de janeiro avançaria enquanto investigações no Congresso — como comissões ligadas ao INSS, ao crime organizado e uma eventual CPI do Banco Master — ficariam travadas. O senador, no entanto, contesta essa leitura.

“Não há acordo nenhum”, afirma. Ele sustenta que não se trata de barganha, mas de cálculo político diante do cenário atual no Senado. Na avaliação do parlamentar, falta base para impor uma agenda investigativa mais ampla neste momento. “Hoje nós não temos força para ganhar essa disputa dentro do Senado”, reconhece. Para ele, a estratégia passa por priorizar o que é viável: “Não é desistir de investigar. É focar no que pode ser feito agora”.

Reuniões com Alcolumbre

Durante a entrevista, ele relata que procurou Alcolumbre em diferentes ocasiões, inclusive fora das sessões plenárias. Nessas conversas, defendeu a abertura de uma sessão do Congresso com pauta única. A proposta, segundo descreve, teria caráter emergencial. “Eu pedi que fosse aberta uma sessão com foco humanitário”, explica, ao se referir à votação da dosimetria como resposta mais imediata a casos considerados urgentes.

A linha de raciocínio apresentada ao presidente do Senado foi que, diante da ausência de ambiente político para instalar CPIs ou CPMIs, seria mais produtivo avançar em um tema específico. “Se não há clima para investigação agora, então vota a dosimetria e encerra”, resume. Ele próprio reconhece que a posição envolve concessão tática. Ainda assim, considera a alternativa necessária no curto prazo. O congressista também questiona o custo de prolongar o impasse: “Faz sentido manter uma disputa política enquanto há pessoas com a vida suspensa, ou resolver o que está ao alcance neste momento?”

A divergência com Alcolumbre, segundo ele, permanece. O presidente do Senado avalia que órgãos como Polícia Federal e Ministério Público já conduzem as apurações cabíveis, o que reduziria a necessidade de novas frentes no Legislativo. Mesmo discordando parcialmente, Seif admite que o contexto eleitoral tende a ampliar tensões e excessos em comissões parlamentares, o que também pesaria na equação.

Escândalo do Master

Ao abordar o caso do Banco Master, o senador observa que as informações têm surgido de forma gradual, mas já indicariam uma rede extensa de conexões. A presença de figuras públicas entre os citados reforça, segundo ele, a dimensão do caso. Ainda assim, demonstra confiança nas instituições responsáveis pelas investigações. A expectativa, afirma, é de que os desdobramentos atinjam todos os envolvidos.

Cenário em Santa Catarina

No cenário político, o parlamentar também comenta disputas internas na direita, com foco em Santa Catarina. Nesse ponto, defende Carlos Bolsonaro diante de críticas sobre sua possível candidatura ao Senado pelo estado. Na avaliação de Seif, a mudança não teria caráter oportunista, mas refletiria um projeto pessoal antigo.

As tensões entre aliados também entram na análise. O senador avalia que conflitos públicos prejudicam o campo político ao qual pertence e faz um apelo por maior coesão. Ao citar a máxima de que “reino dividido não prospera”, ele reforça a necessidade de alinhamento. Nesse contexto, menciona como positivo o recente gesto de aproximação entre Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro. Para ele, movimentos desse tipo ajudam a reduzir desgastes e evitam que divergências internas comprometam estratégias mais amplas.

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