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Filipe Figueiredo

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Explicações para os principais acontecimentos da política internacional

Geopolítica

No quê ficar de olho na política internacional em 2020 – Parte 1

  • Por Filipe Figueiredo
  • 27/12/2019 10:53
Exibição de lanternas em comemoração ao ano novo em Shenyang, China
Exibição de lanternas em comemoração ao ano novo em Shenyang, China| Foto: AFP

Aqui nesta coluna na Gazeta do Povo buscamos expor e discutir a política internacional. Mostrar sua importância, como ela pode afetar a vida dos leitores, ir além da superfície e do senso-comum, apontar caminhos e as origens de questões de nossos tempos. Nesse sentido, não basta ser reativo, falar das últimas semanas.

É importante ter em mente que alguns problemas são perenes, históricos e também que problemas podem surgir ou se agravarem à partir de fatos previstos. Nesta e nas próximas colunas vamos passar por 14 tópicos, de diferentes importâncias, para ficarmos de olho no ano de 2020. Nesta primeira parte o foco será no Extremo Oriente e na Índia.

Jogos Olímpicos

Tóquio sediará os jogos olímpicos de 2020. Recordes, medalhas, belos espetáculos e histórias de superação compõem o habitual cardápio do maior evento multiesportivo da humanidade. Ao contrário do que alguns preferem acreditar, esporte e política são indissociáveis, especialmente no nível de alto rendimento e com nações representadas por suas delegações, com seus símbolos pátrios e identidades.

Algumas controvérsias já estão desenhadas. Na apresentação do trajeto da tocha olímpica pelo comitê olímpico japonês, o mapa incluía as ilhas Curilas, em posse russa desde o final da Segunda Guerra e reivindicado de volta pelo Japão, assim como os rochedos de Liancourt, sob posse coreana. Tanto Rússia quanto a Coreia do Sul se queixaram do mapa utilizado.

A Olimpíada pode representar também avanço no diálogo entre as repúblicas coreanas, já que equipes unificadas são esperadas em algumas modalidades, embora nada tenha sido oficializado ainda. O simbolismo de uma unidade coreana em solo japonês seria enorme, já que a dominação imperial japonesa ainda é uma ferida aberta em ambas as repúblicas coreanas, assim como na China.

Nesse sentido, os comitês olímpicos coreanos e organizações chinesas já pediram pelo banimento da bandeira do Sol Nascente, considerado um símbolo desse imperialismo e das atrocidades japonesas da primeira metade do século XX. Não se deve achar estranho se algum atleta asiático vitorioso executar algum ato de protesto; assim como é esperada uma reação do público local sobre esses temas.

Finalmente, mais um capítulo das denúncias sobre uma suposta política governamental de doping na Rússia, um assunto que é denunciado por Moscou como uma calúnia feita para isolar o país internacionalmente. A Rússia está oficialmente banida e atletas nacionais russos que tenham um histórico limpo poderão competir sob a bandeira olímpica; as participações em modalidades coletivas estão banidas.

Coreia

Falando nas repúblicas coreanas, o ano de 2020 marca os 70 anos do conflito que dividiu a península e a nação em dois governos antagônicos. O simbolismo da data pode aproximar os dois Estados, uma possibilidade também influenciável pelas eleições sul-coreanas, tema da coluna anterior. A adoção de uma política de “Dois Estados para Uma Nação”, tal qual as Alemanhas da década de 1970, é um caminho.

Luta do 5G e guerra comercial

Ainda no Extremo-Oriente, a China deve continuar a expansão de sua rede de telefonia móvel 5G, muito mais veloz do que as tecnologias atualmente disponíveis. O governo dos EUA tenta barrar essa expansão, afirmando que a tecnologia chinesa compromete a segurança das comunicações. Claro que o interesse de Washington não é com a privacidade dos usuários, mas com o uso chinês desse tipo de informação.

O 5G, entretanto, é apenas a ponta do iceberg de uma disputa muito maior e mais ampla, em termos geopolíticos, tecnológicos e econômicos. No campo do comércio, um possível acordo entre Pequim e Washington deve atenuar as tensões no curto-prazo. Ainda assim, não se trata apenas de onde a China compra sua soja, mas da percepção dos EUA da ascensão de um rival geopolítico pelo protagonismo mundial.

Índia

A Índia mostra cada vez mais suas credenciais de potência mundial. Isso vem acompanhado de medidas controversas tomadas por Nova Déli, assim como dos esperados efeitos colaterais negativos no cenário internacional. Em 2019, Narendra Modi venceu as eleições com larga margem, e o nacionalismo hindu de seu partido BJP tem ganhado cada vez mais força.

Essa força não é apenas política, mas também na luta pelo cerne da própria identidade nacional indiana, tema que será visto aqui nesse espaço em um futuro próximo. A resposta para a pergunta "o que é ser indiano?" não é tão simples assim, ainda mais quando se trata de uma população de mais de um bilhão de pessoas. Por exemplo, apenas 2% da população indiana é de alguma vertente do cristianismo.

Parece muito pouco, mas significa algo como 24 milhões de pessoas, quase toda a população da Austrália. Novas leis sobre a identidade indiana e direitos de cidadania já geram protestos, com mortes. Mais que isso, a revogação da autonomia regional da Caxemira indiana, com o bloqueio da região, também causou mortes e uma série de prisões cuja legalidade é questionada.

Claro que a questão da Caxemira também influencia as relações entre Índia e Paquistão, já que ambos os Estados reivindicam toda a região, uma pendência fronteiriça herdada da partição do antigo Raj britânico quando das independências. Dois países com armas nucleares e um histórico de conflitos, além de diversos grupos armados atuantes na região da Caxemira, em ambos os lados das fronteiras.

Nesse cenário o ano de 2020 terá uma particularidade. Muito provavelmente a Índia será eleita para um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU em junho, com mandato iniciando no primeiro dia de 2021. O Paquistão certamente protestará e buscará algum parceiro para falar pelos seus interesses no CSNU; historicamente esse país foi o EUA, mas a relação já não é mais tão próxima.

Se o Paquistão interpretar o cenário internacional como uma situação em que ele esteja isolado, mais sua estagnação econômica, um governo em desespero poderá tomar medidas desesperadas. A China, ali do lado, apoiará os paquistaneses, um dos principais destinos de investimento chinês. Uma grave crise não é provável, por causa da dissuasão nuclear, mas não pode ser descartada.

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Comentários [ 5 ]

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  • M

    MICHAEL GUSTAV ADOLF MULL

    ± 0 minutos

    Gostei da anlise do scenário internacional. Claro que é incompleto , pois não se falou em Europa e Oriente Médio ,mas creio que virá em seguida. Mas o texto é um relato , sem tendências , do que acontece no mundo. Raro ler algo assim na Gazeta.

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  • M

    Marcio

    ± 1 dias

    No caso dos Jogos Olímpicos, também deveremos continuar a ver, infelizmente, atletas de certos países se recusando a enfrentar israelenses. Até 2016 as federações internacionais e o COI agiam só depois do estrago já feito, banindo atletas, mas esse ano a coisa ficou séria quando a Federação Internacional de Judô suspendeu o Irã por ter forçado um judoca do país a entregar uma semifinal de campeonato mundial. O judoca até queria lutar, e é possível que esteja em Tóquio como membro da equipe de refugiados.

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  • D

    DENISSON HONORIO DA SILVA

    ± 1 dias

    São hipoteses plausiveis, mas não há como assegurar que acontecerão. Os aspectos econômicos prevalecerão a não ser que tenha um ditador tresloucado no meio. Em países democráticos há o contrapeso de imprensa, judiciário e legislativo. Não se faz guerra tão facilmente. É preciso que os dois lados queiram lutar e sai muito caro. Muito caro.

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  • I

    Ivan S Ruppell Jr

    ± 2 dias

    Muito bom... quê venham os próximos textos.

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  • F

    Freitas

    ± 2 dias

    No quê?

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