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Francisco Escorsim

Francisco Escorsim

Michelle e Gilmar

O apito inimigo de Brasília estragou a minha Copa

gilmar mendes copa do mundo
Quando esse juiz entra em campo, é quase certo que o Brasil sairá derrotado. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)

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Amigos, eu tentei. Tentei me concentrar apenas na Copa, na seleção. Mas fui vencido miseravelmente. Primeiro, pelo vídeo que Michelle Bolsonaro publicou instantes antes de a partida iniciar.

Isso é hora, minha senhora? Com todo respeito, mas is-so-é-ho-ra? Pelo amor dos meus filhinhos…

Não entrarei no mérito da roupa suja que deveria ser lavada no vestiário. Apenas recolham (a senhora, os enteados e marido) o estrago espalhado por aí e se resolvam internamente, como deve ser.

E não venha o leitor me falar em esquema tático político. Não há gol contra que ajude qualquer estratégia, seja de quem for.

A elegância de Gilmar Mendes é a do antijogo absoluto. Com o garbo e o cinismo dos grandes estetas da paralisia social, ele apita o que ninguém viu

Segundo, por aquele gol contra a Escócia, absurdamente anulado pelo “Gilmar Mendes” em campo. Obrigou-me a lembrar, por óbvio, do “nosso” Gilmar Mendes. Jamais perdoarei a Fifa por isso.

E aí soube que o ministro entrou em campo nesta semana com estrondo de buzina do Chacrinha, vindo direto das tribunas de honra, de terno impecável e capa preta esvoaçante.

Enquanto a pátria esgoela-se na arquibancada com o grito censurado na garganta, Sua Excelência sacou da algibeira uma entrevista que pesa mais que todas as bolas de couro do mundo.

Eu sei, ele não dá um pique de dois metros. Mas não precisa também. Sua elegância é a do antijogo absoluto. Com o garbo e o cinismo dos grandes estetas da paralisia social, ele apita o que ninguém viu.

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É o ápice do futebol de tapetão, onde as regras são reescritas com a bola rolando, ao sabor das conveniências do camarote. Inventa um impedimento retroativo, decreta uma liminar de escanteio salvadora e, com um drible da vaca na própria lógica da realidade, sai de campo achando que as vaias são aplausos.

Aqueles que estavam prestes a ser desmascarados pelo chute impiedoso do Brasil Real ganham, por obra e graça do juiz supremo, o direito ao esquecimento e à impunidade triste da derrota no vestiário. Gilmar, na verdade, entra em campo em defesa clara dos covardes que não ousam se defender.

A seleção do povo descobre, com uma dor de estômago que nenhum analgésico alivia, que o jogo foi comprado antes mesmo de a moeda subir no meio-campo. No passado, o Sobrenatural de Almeida usava cartola e secava o jogo. Hoje, ele veste toga e dita o placar em entrevista durante o jogo.

P.S.: perdoe-me o leitor por não conseguir sair da “skin” – como dizem os jovens de hoje em dia – do bom e velho Nelson Rodrigues, que encarnei nas últimas crônicas. Cheguei à conclusão que, para a nossa realidade atual, suas hipérboles, seus exageros, não são hipérboles, nem exageros.

P.P.S: ao menos na Copa, o Brasil venceu nesta semana.

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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