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Polícia francesa diante do Bataclan, em Paris, um dia depois dos ataques terroristas de 13 de novembro de 2015.
Polícia francesa diante do Bataclan, em Paris, um dia depois dos ataques terroristas de 13 de novembro de 2015.| Foto: Maya-Anaïs Yataghène/Wikimedia Commons

A enorme onda de refugiados e imigrantes que chegou à Europa em 2015 e 2016, provenientes de países muçulmanos, continua produzindo tensões e descontentamento nas populações dos países europeus. Na primeira quinzena de maio de 2021, cerca de 8 mil imigrantes chegaram ilegalmente à Espanha vindos do Marrocos, o que levou o governo espanhol a mobilizar as forças armadas para conter esse novo influxo de refugiados.

O medo da islamização da Europa não é apenas motivo de manifestações de rua, mas também alvo de discussão inflamada nos meios de comunicação e entre eruditos e ensaístas. Tomemos como exemplo o artigo de Arturo Pérez-Reverte, “Llegan los godos al imperio vencido”, publicado em 25 de setembro de 2015 no La Nación. Depois de abordar a chegada dos bárbaros godos “no ano 376 depois de Cristo, na fronteira do Danúbio”, a humilhante derrota romana em Adrianópolis, e o fim do Império Romano, ele escreve:

“Tudo o que está acontecendo já aconteceu antes. Simplesmente preferimos esquecer. [...] O problema que hoje enfrenta o que chamamos Europa, ou Ocidente (o império herdeiro de uma civilização complexa, que tem as suas raízes na Bíblia e no Talmud [...], que cresceu na Igreja medieval e no Renascimento, que estabeleceu os direitos e as liberdades dos homens com o Iluminismo e a Revolução Francesa), tudo isso [...] tem data de caducidade e está em liquidação. [...] Pagamos nossos pecados. A desaparição dos regimes comunistas e a guerra que um imbecil presidente norte-americano desencadeou no Oriente Médio para instalar uma democracia estilo ocidental em lugares onde as palavras Islã e rais – religião misturada com lideranças tribais – tornam essa democracia impossível, foram o catalisador e causaram as reações que estamos vendo. Caíram os centuriões [...] que vigiavam nossas limes. [...] E os poucos centuriões que ainda estão no Reno ou no Danúbio estão sentenciados. Condenam-nos nosso egoísmo, nossa bondade hipócrita, nossa incultura histórica, nossa covarde incompetência. [...]

Devemos entender de uma vez: estas batalhas, esta guerra, não se podem vencer. Já é tarde demais. Nossa dinâmica social, religiosa, política, não nos dá chance. [...] A sociedade europeia exige hoje que seus exércitos sejam ONGs, não forças militares. [...] A demagogia substituiu a realidade e suas consequências. [...] As operações de vigilância no Mediterrâneo não são para deter ou controlar a imigração, são para ajudar os imigrantes a chegar com segurança às costas europeias. [...] Europa, ou como chamemos a este cálido entorno de direitos e liberdades, de bem-estar econômico e social, está podre por dentro e ameaçada por fora. Não sabe, nem pode, nem quer, e talvez nem deva se defender. Vivemos a absurda situação de se compadecer dos bárbaros, [...] e ao mesmo tempo pretender que continue intacta nossa cômoda forma de vida.

Mas as coisas não são tão simples. Os godos de hoje seguirão chegando em massa, inundando fronteiras, caminhos e cidades. [...] Quando isto acontece as alternativas são poucas e conhecidas na história: se são poucos, os recém-chegados se integram na cultura local e até a enriquecem, mas, se são muitos, a transformam ou a destroem. Não num dia, claro. Os impérios demoram séculos para se desmoronar. [...] Mais ainda numa Europa onde as elites intelectuais desaparecem, sufocadas pela mediocridade, e por políticos analfabetos e populistas de todo tipo, conseguindo por meio do oportunismo mais barato conquistar o poder. [...]

Muito ficará do antigo, misturado com o novo; mas a Europa que iluminou o mundo está sentenciada à morte. [... Uma] atitude razoável, acredito, é instruir aos jovens pensando nos filhos e netos desses jovens. Para que afrontem com lucidez, valor, humanidade e sentido comum o mundo que está chegando. Para que consigam se adaptar ao inevitável, conservando o que possam conservar de bom desse mundo que se extingue. Devemos fornecer a eles ferramentas para sobreviver num território que durante um tempo será caótico, violento e perigoso. Para que lutem por aquilo no que acreditam, ou para se resignar àquilo que é inevitável, não por estupidez ou mansidão, e sim por lucidez. Por serenidade intelectual. Que sejam aquilo que desejem ou possam ser: façamos deles gregos que pensem, troianos que lutem, romanos conscientes e, se chegado for o caso – da digna altivez do suicídio. Façamos deles sobreviventes mestiços, dispostos a encarar sem complexos o mundo novo e trabalhar para melhorar esse mundo, mas não os enganemos com demagogias baratas e histórias de Walt Disney. Chegou a hora de nas escolas, nos lares, na vida, falarmos aos nossos filhos olhando nos seus olhos”.

O medo da islamização da Europa não é apenas motivo de manifestações de rua, mas também alvo de discussão inflamada nos meios de comunicação e entre eruditos e ensaístas

Diante desse fenômeno, que aponta para imensas mudanças políticas, sociais e religiosas especialmente na Europa, mas com reflexos em outros continentes, não custa lembrar que o Islã e o Cristianismo, desde o começo da Idade Média, se perceberam como crenças rivais.

Duas visões de mundo em conflito

No início do século 7.º, exércitos islâmicos oriundos do Norte da África conquistaram a Península Ibérica, e estabeleceram na região uma província ligada ao califado omíada, que tinha sua capital em Damasco, na Síria. Ao tentar atravessar os Pireneus, o exército mouro foi derrotado em Poitiers, em 732, pelo exército do reino franco, liderado por Carlos Martel. E, no século seguinte, os cristãos ibéricos começaram a recuperar as terras perdidas para os invasores árabes – processo que somente se encerrou em 1492, com a conquista do reino muçulmano de Granada pelos reis cristãos.

A rivalidade exacerbou-se a partir do século 11, quando das ações militares cristãs conhecidas como Cruzadas, e que tinham por finalidade reagir à tomada da Terra Santa pelos exércitos turcos seljúcidas. Com poucas exceções, as várias expedições militares cristãs terminaram derrotadas. Como resultado dessas derrotas e do contato cultural mais profundo que as cruzadas estabeleceram entre as civilizações árabe e europeia, trazendo novos desafios culturais e intelectuais à fé cristã, a persuasão substituiu a força nas missões cristãs aos muçulmanos, surgindo uma ênfase na defesa da fé diante do desafio islâmico e na evangelização dos povos árabes, o que, não raras vezes, terminou em martírio de cristãos, como no caso do leigo católico espanhol Raimundo Lúlio.

Na Renascença, em decorrência da queda de Constantinopla em 1453, que marca a destruição final do Império Bizantino, e da ameaça de invasão da Europa Central, o Islã, agora representado no Império Otomano, também foi visto como o inimigo da fé cristã a ser derrotado – o que realmente foi, milagrosamente – no cerco de Viena, em 1529; no cerco da Ilha de Malta, em 1565; e na batalha de Lepanto, em 1571. Por fim, as forças polonesas, austríacas e alemãs, unidas na Santa Liga, venceram o exército otomano na Batalha de Viena, em 1683. Essas derrotas marcaram o declínio do expansionismo islâmico no Mediterrâneo.

O longo século 20

Mas as tensões recomeçaram no século 20. Durante a Primeira Guerra Mundial, entre 1915 e 1917, o exército otomano assassinou cerca de 1,5 milhão de cristãos armênios, no que é considerado um dos primeiros genocídios modernos. Na Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico deu aos representantes do judaísmo sionista apoio para a constituição de uma “pátria nacional” judaica na Palestina. E, após o fim dessa guerra, os territórios do Império Otomano, derrotado junto com o império alemão, foram divididos por Reino Unido e França, quando se criaram países como Síria, Iraque e Líbano, além do Mandato Britânico da Palestina, o que gerou tensões e conflitos que só se agravaram com o passar do tempo.

Um campo que demanda estudos é a relação do nacional-socialismo com o Islã durante a Segunda Guerra Mundial. Na primavera de 1943, o mufti de Jerusalém, Mohammad Amin al-Husseini, que vivia como refugiado na Alemanha – e chegou a encontrar-se com Adolf Hitler em 1941 –, ajudou no recrutamento de muçulmanos para as Waffen-SS. Em resultado, três divisões de montanha foram formadas: a 21.ª. Skanderbeg, a 13.ª Handschar (1.ª Croata) e a 23.ª Kama (2.ª Croata), compostas majoritariamente por muçulmanos albaneses e bósnios. Foram empregados especialmente em operações antiguerrilha na região dos Bálcãs, em 1944, combatendo partisans iugoslavos, mas também entraram em combate contra forças soviéticas na Hungria, em 1945.

Com o fim da guerra, 38 oficiais e oficiais não comissionados da 13.ª Handschar foram extraditados para a Iugoslávia para serem julgados e presos por crimes de guerra, cometidos inclusive contra civis judeus nas zonas ocupadas. Ainda que somente a 13.ª Handschar fosse realmente efetivada como unidade de combate, nela serviram entre 21 mil a 26 mil islâmicos, com cada batalhão tendo seu próprio imã. Essa relação obscura pode clarear as influências que o Islã político recebeu do totalitarismo nacional-socialista.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e a fundação do Estado de Israel em 14 de maio de 1948, novamente o islamismo voltou à cena, muitas vezes se confundindo com interesses nacionalistas dos países do Oriente Médio. O resultado dessas reviravoltas na região foi uma interminável série de guerras e conflitos: guerras dos diversos países árabes contra Israel em 1948, 1956, 1967, 1973 e 1982; a fundação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em 1964, que recrudesceu a tensão entre israelenses e árabes palestinos; a guerra civil libanesa, que durou de 1975 a 1990; e a Guerra do Golfo, em 1991, que opôs o Iraque às forças de uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, entre outros conflitos de menor intensidade.

Nesse ínterim, ocorreu a Revolução Iraniana, em 1979, que transformou o Irã numa república islâmica teocrática, e a longa guerra no Afeganistão, que durou de 1979 a 1989, e que terminou com a derrota da União Soviética frente aos mujahidins, apoiados pelos Estados Unidos.

A instabilidade se espalha

Então, no começo do século 21, ocorreram os ataques terroristas perpetrados pelo grupo terrorista muçulmano Al-Qaeda – que tem suas origens nos mujahidins afegãos – contra os Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001. Também ocorreram ataques terroristas em 11 de março de 2004 em Madri, na Espanha; e em 7 de julho de 2005 em Londres, no Reino Unido. Com o aval da ONU e o apoio da Otan, as forças armadas dos Estados Unidos, em 7 de outubro de 2001, invadiram o Afeganistão, país comandado pelo grupo islâmico Talibã e acusado de abrigar os terroristas da Al-Qaeda – somente em 2 de maio de 2011 uma equipe de elite da Marinha dos Estados Unidos matou o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em Abbotabad, no Paquistão.

Em 20 de março de 2003, sem a aprovação da ONU e contando com o apoio da Grã-Bretanha, as forças armadas dos Estados Unidos conquistaram o Iraque, em fulminante campanha militar. Mas a falha em restabelecer a ordem jogou o país numa selvagem insurgência liderada pela Al-Qaeda contra as tropas de ocupação, assim como uma guerra civil entre iraquianos sunitas e xiitas. Ao mesmo tempo, a “Guerra ao Terror” se transformou em uma campanha militar de alcance global, que suscita ainda hoje uma série de questionamentos éticos – entre elas, 1. o uso da tortura em ações contraterroristas e 2. a disposição de cidadãos europeus e norte-americanos de aceitarem restrições à sua liberdade e privacidade para se sentirem mais seguros, como o Patriot Act, sancionado por George W. Bush em 2001 e estendido por Barack Obama em 2011.

A falha dos norte-americanos em restabelecer a ordem no Iraque jogou o país numa selvagem insurgência liderada pela Al-Qaeda

Em 2011, os Estados Unidos, liderados por Obama, e aliados europeus apoiaram ativamente a derrubada do ditador Muamar Kadafi na Líbia, bem como as revoluções no Egito e Tunísia, na chamada “primavera árabe”. Além de revoluções no Egito, Tunísia e Líbia, ocorreram grandes protestos na Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Omã e Iêmen, e protestos menores no Kuwait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão e Saara Ocidental. Obama também resolveu, sempre amparado por aliados europeus, derrubar o ditador sírio Bashar al-Assad, aliado da Rússia e do Irã, para isso auxiliando grupos rebeldes muçulmanos pró-ocidentais. Com isso, o país foi assolado por violenta guerra civil. Ao mesmo tempo, Obama resolveu retirar todas as unidades militares dos Estados Unidos que estavam no Iraque pacificado – o que reiniciou a guerra civil. Em meio a este vácuo de poder, em 2014 o Estado Islâmico, uma facção da Al-Qaeda, capturou importantes cidades na Síria e no Iraque e declarou a fundação de um califado no Oriente Médio.

Os cristãos que vivem nas áreas do califado passaram a ter apenas três opções: se converter ao Islã, pagar um imposto religioso ou morrer. Em fevereiro de 2015, o Estado Islâmico ordenou a decapitação de 21 cristãos na província de Trípoli, na Líbia. Entre os mártires cristãos decapitados, 20 eram egípcios. Um dos mártires, Mathew Ayairga, era do Chade, e não era cristão até então. Mas, quando viu a imensa fé dos outros, e quando os terroristas islâmicos perguntaram se ele rejeitaria Jesus, ele teria dito: “O Deus deles é o meu Deus” – e ele disse isso sabendo que seria morto.

Quando tudo parecia levar à queda de Assad, em 2015, a Rússia entrou na guerra civil síria, ajudando as tropas do ditador em sua luta contra os rebeldes e, junto com os aliados ocidentais, atacando o Estado Islâmico (alguns dos grupos rebeldes sírios são apoiados pelos Estados Unidos e europeus ocidentais, mas as forças leais a Assad, com apoio das forças armadas russas e iranianas, estão esmagando-os). No Iraque, o Estado Islâmico sofreu várias derrotas para o exército iraquiano, guerrilheiros curdos e aviação dos Estados Unidos, França e Reino Unido, em violentos combates urbanos. Com isso, o Estado Islâmico parece ser empurrado a voltar às suas origens, continuar a jihad como um grupo terrorista.

Tudo parece apontar para o fato de que a sociedade turca se islamizará cada vez mais

Na atualidade, a situação política no Norte da África e Oriente Médio é complexa, marcada por instabilidade regional, declínio econômico e guerras sectárias entre muçulmanos, e tem sido chamada de o “inverno islamista”. E a democracia da Turquia, construída pelo fundador da república e primeiro presidente Mustafa Kemal Atatürk, está em franco declínio. É sintomático que, em 10 de julho de 2020, o Conselho de Estado da Turquia revogou o status de museu do templo de Santa Sofia, reclassificada novamente como mesquita. Tudo parece apontar para o fato de que a sociedade turca se islamizará cada vez mais, e o governo de Recep Tayyip Erdoğan tem dado sinais de que está se tornando cada vez mais ditatorial – ao mesmo tempo em que combate o Estado Islâmico no norte da Síria e faz provocações a Israel.

E, entre 10 e 18 de maio de 2021, Israel esteve sob ataque do grupo terrorista Hamas, a partir da Faixa de Gaza – o maior conflito militar entre os israelenses e o infame grupo terrorista desde julho e agosto de 2014. Cerca de 3,4 mil mísseis e foguetes foram disparados pelo Hamas contra Sderot, Ashkelon, Ashdod, Jerusalém e outras cidades. Os projéteis foram disparados em direção a áreas povoadas, mas muitos foram interceptados pelo sistema de defesa israelense Domo de Ferro. A Força Aérea de Israel contra-atacou, realizando ataques em larga escala contra a rede de túneis do Hamas, bombardeando mais de 15 quilômetros de passagens subterrâneas. As casas de comandantes dos terroristas também foram bombardeadas. Diferentemente de 2014, dessa vez não houve invasão por terra. Ainda assim, especialistas estimam que o Hamas, apoiado pelo Irã, ainda pode ter de 8 mil a 10 mil mísseis e foguetes estocados na Faixa de Gaza.

O impacto direto no Ocidente

Todo o desastre iniciado pela administração Obama recaiu sobre a União Europeia. Com guerras civis ocorrendo na Líbia, na Síria e no Iraque, começaram as ondas imigratórias islâmicas que atingiram níveis críticos ao longo de 2015, quando cerca de 1,8 milhão de imigrantes chegaram à Europa. A Alemanha recebeu, talvez, o maior contingente de imigrantes. Os números foram estimados em cerca de 800 mil. Com isso, em 2019, 21,5% dos recém-nascidos na França receberam um nome árabe. Como escreve Lorenza Formicola, “o tamanho significativo desses números se dá pelo fato de que em 1969 os recém-nascidos com nomes árabes eram 2%: 50 anos bastaram para chegar a 21%”. Na França ocorrem 4 mil conversões ao Islã por ano, incluindo celebridades do mundo do entretenimento, do cinema e do esporte. Se uma nova mesquita é aberta a cada duas semanas, cerca de 50 igrejas desaparecem todos os anos.

Ao mesmo tempo, repetidos ataques terroristas têm sido cometidos por muçulmanos por toda a Europa. Alguns tristes exemplos:

Em 13 de novembro de 2015, ocorreram ataques terroristas em Paris e Saint-Denis, na França. Foram realizadas três explosões separadas e seis fuzilamentos em massa. 130 pessoas morreram, incluindo os sete terroristas que perpetraram os ataques. 416 pessoas ficaram feridas pelos ataques, incluindo 100 em estado grave. O Estado Islâmico assumiu a responsabilidade pelos atentados.

Em 26 de julho de 2016, dois terroristas islâmicos invadiram uma igreja católica durante a missa matinal em Sainte-Etienne-du-Rouvray, perto de Rouen, na região da Normandia francesa. Fizeram cinco pessoas como reféns: dois fiéis, duas freiras e um padre. O padre foi degolado pelos assassinos muçulmanos, que logo depois foram mortos por agentes da Brigada de Investigação e Intervenção (BRI). Outros três reféns foram feridos. O padre martirizado tinha 86 anos, e seu nome era Jacques Hamel.

Se uma nova mesquita é aberta a cada duas semanas na França, cerca de 50 igrejas desaparecem todos os anos

Em 22 de maio de 2017, um filho de imigrantes líbios realizou um atentado suicida no exterior da Manchester Arena, causando 22 mortes e ferindo 800 pessoas. Após o ataque, o irmão do homem-bomba foi preso, acusado de envolvimento com o atentado. Ambos frequentavam uma mesquita em Didsbury, ligada à Irmandade Muçulmana. O Estado Islâmico se declarou responsável pelo ataque.

Entre as semanas de 3 a 23 de agosto de 2017, ocorreram pelo menos três ataques islamitas na França, um na Finlândia, um na Alemanha, um na Rússia e o infame ataque a Barcelona, na Espanha – quando 16 pessoas foram mortas e 152 foram feridas. E em 15 de setembro houve novo ataque terrorista na Inglaterra – com 30 feridos. Este foi o quinto atentado terrorista islamita ocorrido na Inglaterra em 2017.

Em 12 de dezembro de 2017, um terrorista islâmico atropelou uma multidão em uma feira de Natal em Berlim, na Alemanha, matando 12 pedestres e ferindo 56. Ataques terroristas por meio de veículos levaram cidades da Alemanha e do Reino Unido a instalar barreiras de concreto em torno de suas feiras de Natal, devido ao temor do terrorismo islâmico. Algumas barreiras foram envoltas em material decorativo, outras foram pintadas em cores brilhantes para se assemelhar a blocos Lego para disfarçar sua verdadeira função. Na França, feiras foram canceladas, porque os organizadores não podiam pagar por segurança.

Em 16 de outubro de 2020, um professor de História de uma escola em Conflans Saint-Honorine, perto de Paris, foi decapitado na frente do colégio onde dava aula. Segundo fontes da polícia francesa, o assassino foi um jovem de 18 anos de origem tchetchena. Antes de ser abatido pela polícia, o criminoso, que gritava “Allahu Akbar”, publicou nas redes sociais uma foto da decapitação.

Repetidos ataques terroristas têm sido cometidos por muçulmanos por toda a Europa

Em 29 de outubro de 2020, ao menos três pessoas morreram atacadas a faca por um tunisiano na Basílica Notre-Dame, na cidade de Nice, no sul da França. Um homem e uma mulher foram mortos dentro da igreja e uma terceira mulher, brasileira, gravemente ferida, morreu num café nas imediações, onde havia se refugiado. Um dos mortos, uma mulher de 70 anos, foi decapitada. De acordo com o prefeito de Nice, o agressor ficou repetindo as palavras “Allahu Akbar” e foi “neutralizado com tiros” pela polícia. Ferido, foi medicado e depois levado a uma prisão. O assassino havia chegado à Europa 20 dias antes do ataque.

Em 2 de novembro de 2020, a polícia da Áustria isolou o centro de Viena, após um tiroteio na região da principal sinagoga da capital. A polícia confirmou pelo menos cinco mortes no atentado: quatro vítimas dos tiros e um dos terroristas. Este era um homem nascido na Macedônia, e que havia sido anteriormente preso a caminho da Síria, para combater ao lado do Estado Islâmico.

Nos últimos anos cresceu o número de atos antissemitas em toda a Europa. Entre 2017 e 2018, só na França – onde reside a maior comunidade judaica fora de Israel e dos Estados Unidos – o aumento foi de 74%; na Alemanha, de 60%. Em 2019, autoridades governamentais alemãs aconselharam os judeus a não usarem o quipá nas ruas. No Reino Unido, os casos de injúria, ameaça, agressão física, tentativa de homicídio e depredação de patrimônio judeu subiram 16% em 2019. O antissemitismo também está presente entre membros e representantes eleitos do Partido Trabalhista inglês.

A necessidade da recuperação cristã

Tratando das megatendências pelos quais estamos passando, P. Andrew Sandlin escreveu: “Em determinado período no Ocidente [...] o Cristianismo dava forma à totalidade da vida. Nesse tempo, quase todas as igrejas afirmavam que a Bíblia é a Palavra de Deus e subscreviam o cristianismo ortodoxo. Nesses dias, quase todo o mundo adotava a moralidade cristã [...]. Quase todas as crianças eram batizadas na fé cristã e esperava-se que elas vivessem a vida confiando em Jesus Cristo e, em sentido formal, pelo menos, aderissem à igreja e à Bíblia. Quase todos os líderes políticos eram, pelo menos, nominalmente cristãos. Nesse tempo, quase toda a arte, arquitetura, música, ciência, filosofia e educação eram cristãs ou influenciadas pelo Cristianismo. [...] Em resumo, [...] perdemos a cultura cristã [no Ocidente]; agora estamos perdendo o Cristianismo”.

O que ocorre na atualidade, no Ocidente, é um lembrete de que as religiões seculares não têm poder para fazer frente às ameaças globais que enfrentamos. Como exemplo, podemos voltar à França, que já foi um dos maiores países cristãos do mundo. Dela vieram grandes discípulos de Cristo Jesus, como Martinho de Tours, Clóvis I, Bernardo de Claraval, Luís IX, João Calvino e Blaise Pascal. A Revolução Francesa e duas guerras mundiais espalharam um espírito de incredulidade e frieza espiritual pelo país e pela Europa. Como João Paulo II, em homilia na Jornada Mundial da Juventude em Paris, em 1997, perguntou: “França, filha predileta da Igreja, o que fizestes com teu batismo?”

Em nosso tempo, os costumes cristãos e as grandes tradições relacionadas à fé e aos valores judaico-cristãos estão o tempo todo sob ataque. E como o Ocidente responderá a essa guerra? Desmantelando nossa cultura, nossa civilização, peça por peça, sob pena da própria morte? Como poderemos experimentar uma renovação da cultura no Ocidente, num momento de forte descristianização, em que a tradição cristã não mais influencia a cultura?

Em nosso tempo, os costumes cristãos e as grandes tradições relacionadas à fé e aos valores judaico-cristãos estão o tempo todo sob ataque

Isso pode ser feito, como escreve Sandlin, “encorajando a forma distintamente cristã de lidar com tudo da vida: ajudar cristãos que possuem negócios a agir com base em princípios bíblicos; ajudar jovens com habilidades para música, balé, física, desenvolvimento de softwares, política, vendas, agricultura, educação e assim por diante, a cultivar esses dons de forma cristã, usando-os para estender o Reino de Deus na terra [...]. Nossas famílias e igrejas devem ser campos de treinamento para os soldados se prepararem para [...] praticar o Cristianismo verdadeiro”. Mas é preciso ir além, pois “a intensidade espiritual precisa igualmente da paixão pela Palavra de Deus”. Portanto, para Sandlin, “talvez o maior inibidor da cultura cristã hoje [...] seja [...] o esquecimento do que é, de fato, a fé cristã. O objetivo de Deus na salvação não é primariamente poupar seu povo do juízo, mas torná-lo santo para que ele possa habitar em seu meio, e ao habitar entre eles seu objetivo é mostrar sua glória aos incrédulos à sua volta”.

Que o remanescente fiel no Ocidente se coloque de joelhos, e invoque o Deus uno e trino, eterno e poderoso. E que o Espírito Santo se agrade de reavivar sua igreja no Ocidente, levantando pregadores fiéis de Sua única Palavra. Pois não há nenhuma salvação fora do Senhor Jesus e da fé cristã. Até mesmo para as nações.

Conteúdo editado por:Marcio Antonio Campos
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