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Gabriel Sestrem

Gabriel Sestrem

Ator conservador

O detalhe que quase ninguém viu na cruzada contra Juliano Cazarré

ator Juliano Cazarré
O ator Juliano Cazarré, de 45 anos, é casado há 14 anos e pai de seis filhos (Foto: Reprodução/Instagram/Juliano Cazarré Oficial)

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Ao longo desta semana, o ator Juliano Cazarré foi bombardeado por vários dos seus colegas por ter cometido um crime terrível: criado um evento para discutir masculinidade e paternidade.

Segundo a atriz e cantora Marjorie Estiano, em resposta a uma postagem de divulgação do evento, o discurso do ator “mata mulheres todos os dias". Elisa Lucinda, também atriz, considerou a iniciativa um “grande e preocupante delírio” e disse que “vai na contramão de avanços”. Já Betty Goffman classificou Juliano Cazarré como uma “criatura incompreensível”.

Apenas lendo esses comentários, o que parece é que o ator estaria propondo um linchamento de mulheres ou um evento de cunho nazista. Mas, agora, vejamos as coisas como de fato são, sem a histeria coletiva da militância:

Na teoria, alguém que há anos cria conteúdos incentivando outros homens a assumirem suas responsabilidades na família, a serem pais e maridos mais presentes, a pedirem desculpas quando errarem e a serem menos orgulhosos e mais afetuosos deveria ser celebrado pela militância progressista, que na teoria diz que luta justamente para que homens tenham esse tipo de comportamento.

Sim, em tese, um pai que passou oito meses dentro de uma UTI acompanhando a filha que nasceu com uma condição cardíaca rara e que adaptou toda a vida para cuidar da menina seria muito bem visto por mulheres que pregam o cuidado com outras mulheres.

Por fim, teoricamente, um homem que é casado há 14 anos, é fiel à esposa e tem seis filhos com a mesma mulher também seria visto como um exemplo a ser seguido. Mas, infelizmente, a prática da militância radical não condiz com a teoria.

O detalhe que quase ninguém percebeu nessa história é que o que o Juliano Cazarré propõe, em seus conteúdos nas redes sociais e no evento que pretende lançar, se assemelha em grande parte ao discurso que muitas feministas pregam – o de que o homem não deve ser violento, nem ausente, mas assumir suas responsabilidades e canalizar as energias para o bem da esposa e dos filhos.

Mas isso, como já dito, é apenas a teoria, e na prática o que vale para essa turma não é o que se diz, mas quem diz.

Juliano Cazarré é conhecido por rejeitar discurso progressista

O histórico do ator, nesse contexto, não o favorece: Cazarré é cristão e conservador e não esconde isso de ninguém – ou seja, é a exceção da exceção no meio artístico.

Em uma declaração recente, ele disse que ficou marcado por expor seus valores morais e não seguir a linha progressista, tão comum a artistas.

"Política, eu evito falar. Mas eu fiquei marcado por ser uma pessoa que não é de esquerda. É uma posição que pouquíssimos atores têm coragem de dizer, embora eu conheça vários que também não são, mas ficam na moita por medo da repercussão negativa, do cancelamento, de perder publicidade”, disse ele.

O que, no final das contas, parece ter incomodado seus colegas nesse caso é que há um homem, com alto potencial de influência – Cazarré tem quase 4 milhões de seguidores apenas no Instagram, número muito maior do que todos os artistas que criticaram sua publicação –, falando sobre como fortalecer outros homens em seus propósitos.

De fato, há uma resistência enorme a qualquer iniciativa que ajude homens a se tornarem responsáveis, maduros e protagonistas em suas famílias, porque isso torna ainda mais difícil manter o discurso de que homens são, via de regra, machistas, misóginos e potenciais estupradores.

A verdade é que famílias estruturadas precisam de homens e mulheres fortes, que ajam com respeito e admiração um pelo outro e assumam seus papéis com convicção e coragem. Mas novamente, na contramão da teoria, famílias fortes e estruturadas também não agradam muito a militância progressista.

“Redpill”

Vale mencionar que vários dos comentários críticos ao Juliano Cazarré o acusaram de ser adepto ao movimento chamado “redpill”, no qual homens costumam sustentar, principalmente pelas redes sociais, um discurso polarizado e em alguns casos bastante hostil às mulheres.

Infelizmente existe, sim, uma parcela de homens adoecidos emocionalmente, que se rendem ao radicalismo. Mas isso não é nem de longe o que o ator tem pregado. Pelo contrário: em uma publicação recente ele classificou o movimento redpill como nocivo e nefasto.

Apesar do barulho, ainda há bom senso

Fazendo um adendo, não conheço a fundo o Cazarré e penso até que toda essa comoção em torno da divulgação do evento vai ajudá-lo muito a encher o auditório em que o encontro vai acontecer. Ou seja, no fim das contas ele será beneficiado por todo o “auê” dos críticos.

Mas o que esse caso mostra é que para a militância progressista, homens nunca serão vistos como solução para os problemas que o feminismo considera ser autoridade. Aliás, nem as mulheres serão, caso não sejam adeptas de um certo espectro político.

Apesar disso, felizmente há homens e mulheres que sabem que o compromisso moral com a verdade é muito maior do que qualquer perseguição ou hostilização, e é por isso que a gritaria dos desvairados ainda encontra resistência. Em frente, Cazarré!

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