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As organizações do Terceiro Setor passam por um momento de afirmação diante da sociedade. Se por um lado a maioria reconhece que não pode mais desenvolver suas atividades apenas com boa vontade e solidariedade, por outro sua profissionalização ainda é um desafio.

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Nesta semana, em uma reunião do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial – CPCE órgão da Federação das Indústrias do Paraná – FIEP, aconteceu um diálogo intersetorial entre representantes da indústria e conselheiros do Terceiro Setor. Este diálogo foi facilitado por João Carlos Redondo, Diretor de Meio Ambiente da FIESP.

A conversa teve como eixo o Desenvolvimento Sustentável partindo da visão de Economia Circular. O setor industrial paranaense está preocupado com os ODS-ONU / 2030 e em como alinhar suas práticas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável global. E o Terceiro Setor foi colocado como segmento estratégico e parceiro para mediar diálogos com a sociedade e desenvolver projetos alinhados aos ODS.

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Para isso, duas perguntas geradoras foram colocadas para todos:

– Qual é o SEU propósito?

– Qual é o propósito de SUA empresa – organização?

A resposta a estas perguntas remetem à governança, percebida através da visão, missão, valores, código de conduta, processos, parcerias, análise de riscos e Compliance, dentre outros. A empresa ou organização torna-se, em certa medida – ou na medida inteira – a extensão de sua presidência e dirigentes.

O modelo econômico escolhido pela organização é fundamental para o alcance das metas globais de sustentabilidade. Observar a natureza e perceber sua inteligência, como as coisas acontecem naturalmente, foi o desafio proposto por Redondo: “- se a natureza já faz, porque eu não copio?” O modelo econômico natural é a Economia Circular. Esta visão pressupõe a mudança de mentalidade da pessoa (o SEU propósito de vida) para que possa ser aplicado e transferido para sua indústria-organização: a SUA missão organizacional, ou, governança.

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A economia circular é um conceito baseado na inteligência da natureza, opondo-se ao processo produtivo linear tradicional. Isto abre muitas questões para o Terceiro Setor igualmente repensar suas práticas: até que ponto avaliamos os produtos de nossas “boas” ações? O impacto foi o esperado? Como? Qual foi o custo em termos de insumos?

Ainda, quais seriam as externalidades de nossa ação, os efeitos colaterais de nossa prática social? Que tipo de “resíduo” social é produzido, sejam objetivos ou subjetivos, que acabam impactando a sociedade? Se me permitem o raciocínio, uso a seguir uma metáfora: a matéria prima que alimenta nossa “indústria social” pode se esgotar? O que vai acontecer então?

Isto nos leva, enquanto Terceiro Setor, a avaliar nossas ações e medir nossos objetivos: estamos contribuindo para a resolução de um problema ou crise, ou gerando outros a partir de nossa nobre missão?

Se por um lado as empresas necessitam “usar as lentes” do Terceiro Setor para observar a realidade sob uma nova ótica, as organizações sociais igualmente necessitam de um novo olhar para suas próprias ações e assumir igualmente a perspectiva da indústria para compreender melhor seus processos.

O desafio da profissionalização e eficiência social deve passar por um processo de inovação disruptiva: “Inovação e atuação ética compõem a base para a perenidade de empresas e organizações. Ao elevar o nível de consciência da organização e trabalhar a liderança, estimula-se o pensamento criativo e se desenvolve um ambiente em que o erro faz parte do aprendizado”, conforme Redondo.

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A cultura social brasileira é pródiga em querer esconder ou minimizar o erro. Na raiz deste comportamento está nossa matriz religiosa que, em geral, promove mais a culpa do que o aprendizado: tema delicado, mas necessário ser colocado, pois no Brasil os projetos sociais estão, em sua grande maioria, anexados a igrejas desde o Brasil Colonial. Na indústria, o erro não aprendido e corrigido significa falência. Na sociedade, observamos a mesma coisa. Mais do que nunca a autocrítica é necessária. Precisamos evoluir, precisamos amadurecer, precisamos agir e transformar.

Como caminho, o desafio de olhar para si com maturidade exige desenvolver processos que podem ser resumidos em três “C’s”.  Em primeiro lugar, a Compreensão, que é a tomada de consciência pessoal e o reconhecimento de nosso espaço na vida. É preciso também desenvolver a Colaboração dentro de nossas organizações, alinhando a equipe com os princípios de governança. Finalmente, a Cooperação: intersetorialmente temos muito a aprender e cooperar uns com os outros para atingirmos metas em comum-unidade.

 

*Artigo escrito por Gustavo Adolpho Leal Brandão, Consultor Especializado pela UFRJ para o Terceiro Setor, Certificado pelo PMD PRO – Project Management for Development, Empresário, Consultor na Una Consultoria Social, Coach e Consultor em Compliance pela Mentoris Ltda.

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