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A primeira noite em Curitiba, Manoel Alves, piá de 15 anos, dormiu num restaurante macrobiótico, que funcionava numa sobreloja na Alameda Cabral. Era 26 de dezembro de 1978. As irmãs dele trabalhavam ali e acolheram o garoto que, como elas, deixara Castro para fazer a vida na capital.

Uns dias depois, ele já arrumava trabalho. Fizeram-no copeiro no tradicional Bar Stuart. Mas só quando voltou ao andar térreo do prédio onde passou a primeira noite na capital que Manoel realizou-se. Ali funciona, desde 1988, o bar que batizou com seu apelido – Maneko, como todo mundo o chama em Curitiba.

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O Maneko’s é boteco como manda o figurino – balcão de fórmica, chope gelado cobrado pelas bolachas que vão sob o copo, petiscos de primeira e, de segunda a sexta, o tradicional prato do dia.

“Fiquei no Stuart até 1984”, lembra Maneko. “Quando saí dali, trouxe comigo parte da clientela”, conta, com justificável orgulho. O primeiro negócio próprio foi o Mano’s, bar que já funcionava na Galeria Osório que Manoel arrendou.

É dali que veio a receita do bolinho de carne que ele serve até hoje – e, para mim, o melhor da cidade, ainda mais se acrescido de uma pitada de suco de limão e uma generosa colher do molho de pimenta produzido na própria casa.

Para o imóvel onde está até hoje, Maneko mudou-se quatro anos depois. E de lá pra cá não se mudou mais nada, praticamente. O piso antigo, as mesas cobertas com toalhas de oleado, uma ou outra foto na parede, as garrafas pegando pó nas prateleiras, um pequeno altar num canto do balcão, tudo tem a mesma cara há quase 25 anos.

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Melhor assim, diriam onze em cada dez frequentadores – um público que reúne políticos, desembargadores, empresários, jornalistas, aposentados, desavisados, anônimos e toda sorte de bebuns gente fina.

É um pessoal avesso a mudanças. Um amigo, que frequenta o bar há anos, sempre me contou uma história em que nunca botei muita fé. Certo dia, relatava, trocou-se o toalheiro tosco do banheiro por um secador elétrico. Foi o caos. “É verdade”, Maneko confirma. E o toalheiro voltou.

Embora o Maneko’s seja mais conhecido como lugar pra chope e tira-gosto (como rã à milanesa, testículo de touro, empadinha e, claro, o bolinho de carne), o cardápio do almoço vale a pedida. Além dos pratos do dia, o bife à parmegiana ganhou justificável fama. “Minha irmã, que está comigo há 26 anos, é quem cozinha”, conta Manoel.

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Quem vai ao bar pela manhã ainda tem a sorte de ser atendido pelo Nilson, mais conhecido como Passarinho – o apelido vem dos assobios que ele assopra, sem parar, enquanto passeia pelo salão. Entre um gole e outro, aproveite para apreciar a fauna que frequenta o lugar. Como já dissemos no mapa, você vai querer envelhecer com a bossa desses caras.

Não acredita? Pois veja uma história que presenciei certa noite de inverno. O sujeito, na calçada do bar, cigarro numa das mãos, uísque na outra, atende o celular. É a esposa. “Não estou em Curitiba, mulher!”, vocifera, olho rútilo e lábio trêmulo. “O aeroporto tá fechado, tive que ficar em São Paulo! É, em São Paulo! Só chego em casa amanhã. Amanhã, viu?” Em volta, os amigos sorriem.

Onde ele passaria a noite, eu não perguntei…

No mapa:

“Maneko foi garçom do Stuart. Um dia, atravessou a Alameda Cabral e abriu seu próprio bar. Com o passar dos anos, a clientela o seguiu. Hoje, o Maneko’s é o boteco mais autêntico do Centro de Curitiba. Em outras palavras, se você quer ir a um boteco, teu lugar é aqui (…). De quebra, o Maneco’s serve o melhor bolinho de carne da cidade – peça frito na hora, carregue no limão e no molho de pimenta. Enquanto isso, preste atenção na fauna do lugar. Você vai desejar envelhecer com a bossa desses caras.”

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Serviço

Alameda Cabral, 19, Centro, (41) 3324-8299

Aceita cartões

Segunda a sexta, das 9:00 às 23:00
Sábado até 18:00

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Veja a localização no mapa da Baixa Gastronomia.

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