Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo| Foto:

O PT parece ter conseguido o que queria depois da prisão do ex-presidente Lula. O partido vai chegar às eleições presidenciais do dia 7 de outubro com um candidato competitivo, o próprio Lula. Ele pode não ser legalmente mais o candidato petista, como decidiu na sexta-feira (31) o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas terá votos da mesma maneira porque o PT continuará usando a dubiedade como estratégia.

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Quando Lula fez seu derradeiro discurso no Sindicado dos Metalúrgicos do ABC, no dia 7 de abril, ele sabia qual seria o uso de sua imagem na campanha. Ele disse que não era mais um ser humano, mas uma ideia. Agora, vídeos que gravou e discursos que fez pouco antes de ser preso começam a aparecer na campanha eleitoral do PT, transformando o ex-presidente em um candidato-ideia.

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O PT está há mais de um ano construindo a dubiedade como estratégia. Primeiro, colocou dúvidas sobre o processo legal que levou Lula à cadeia – processo devidamente chancelado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Depois, sobre a condição de Lula candidato – dúvida reforçada em seus programas eleitorais apesar da decisão do TSE contra sua candidatura. Colabora para a estratégia o voto do ministro Edson Fachin no TSE, que deu moral para uma recomendação de segunda linha do Comitê de Direitos Humanos da ONU.

Dessa forma, coisas que são inequívocas aos olhos da lei ganham coloração muito diferente diante de parte do eleitorado. A propaganda do partido vai insistir até o fim que são “todos Lula”, sem deixar muito claro quem é de fato o candidato que receberá o voto final na urna eletrônica. Será Lula, não importa o nome e a foto que o TSE vai aceitar. Fernando Haddad é só o poste luliano.

A estratégia petista tem tudo para continuar por mais um mês. A campanha é curta e isso colabora para a dubiedade. O partido continuará dizendo que está recorrendo e que vai até o fim por Lula. Ao mesmo tempo, vários candidatos de centro-esquerda estão pensando duas vezes antes de bater no PT, preferindo centrar fogo em Jair Bolsonaro (PSL). Parecem ter desprezado o quanto pode render a aposta petista de colocar todas as fichas no ex-presidente.

Faltando um mês para as eleições, fica claro que a prisão não tirou votos de Lula e que ele terá a capacidade de transferi-los em grande número. Se for ao segundo turno, o PT vai se tornar um problema real para o funcionamento da democracia. O partido tem um programa de governo bastante intervencionista e traz a proposta de uma assembleia constituinte, a cartada que todo regime usa quando pretende ganhar novos poderes. O maior risco do partido não está no uso dos bancos públicos e em todo o resto da política econômica que provocou nossa maior recessão da história. Está no que suas alas mais extremadas não conseguiram fazer quando no poder.