– Tá fazendo o quê?
– Nada. Tô de bobeira.
– Ótimo. Vamos inventar mais uma falsa polêmica?
– Bora.
– Daquelas que inflamam a “polarização”.
– Já é.
– Tem alguma ideia?
– A gente podia usar a Lady Gaga pra fustigar aquele videogame de conservadores versus progressistas, etc.
– Não, isso já fizeram muito. Vamos ser mais criativos.
– Tem razão. Podemos ir mais pra economia.
– As tarifas do Trump!
– Isso. Vamos provocar os geopolíticos de teclado: protecionista ou estrategista?
– Adoro esses debates cheios de rebuscamento intelectual.
– São muito úteis. Fazem as pessoas se sentirem inteligentes.
– Mas tem um problema.
– Qual?
– A ideia de que o Trump é um amalucado brincando com os destinos da humanidade não tá mais colando.
– Isso é verdade.
– Aí os professores doutores filósofos especialistas não ficam tão charmosos na defesa dos valores iluministas contra a sedução ignara.
– Vamos mudar de assunto, então. Que tal o legado do Papa Francisco?
– É bom, mas acho que as falsas polêmicas aí já estão um pouco gastas também.
– Já exploraram muito a questão do “catolicismo progressista” ser ou não ser uma contradição?
– Demais. Vi umas dez lives sobre o filme “Dois papas” e uns trinta podcasts sobre a igreja e a crise identitária.
– Vamos dar uma recarga então na pantomima PSOL x MBL? Sempre dá uma inflamada na mitologia esquerda x direita…
– Será que dá? Acho que mesmo os caçadores de rinha andam meio sem saco pra esse papo furado.
– É. Tá ficando difícil criar falsas polêmicas. Será que todas já foram criadas? Me deu uma angústia, agora.
– Calma. Vamos manter a serenidade. Há de surgir um novo conflito idiota que a gente ainda não explorou.
– Sim, mas qual?
– O caso Collor. É a ressurreição da Lava Jato? Poderíamos dar uma turbinada naquela novela bolsonaristas x lavajatistas.
– Não quero ser pessimista, mas acho que essa aí já deu, também.
– Caramba, como é difícil.
– E se a gente tentar alguma coisa na área do esporte?
– Você não tá pensando em futebol feminino não, né? Ninguém aguenta mais discutir a comparação entre a Marta e o Pelé.
– Não, tava pensando numa coisa mais apelativa.
– Apelação é sempre bom.
– Pois é. E se a gente mexesse com algum grande símbolo nacional?
– Tipo Senna x Piquet?
– Não, isso aí tá gasto também. Acho que no futebol a gente tem mais chance.
– Bom, o maior símbolo nacional é o verde-amarelo.
– Poderíamos espalhar que o lema “ordem e progresso” é progressista.
– Não sei. A bandeira já foi usada demais pra debates fúteis. Acho que renderia mais alguma coisa relacionada com a camisa da seleção.
– Aí realmente o potencial é bom. O que poderia ser? Propor a substituição das estrelas do pentacampeonato pela frase “o amor voltou”?
– Não sei se teria tanto impacto. Acho que a simbologia maior está nas cores mesmo.
– Bom, então podemos dar uma sacaneada no verde-amarelo.
– Gosto desse caminho. Como poderia ser isso?
– Acho que o mais bizarro seria propor que a camisa da seleção fosse vermelha.
– Vermelha?! Será? Tenho dúvidas.
– Por quê?
– Seria uma coisa tão imbecil que talvez não rendesse nem falsa polêmica.
– Acho que você está subestimando a imbecilidade.
– Tá bom. Vamos tentar isso, então.
– Bora. Vai ser legal voltar a ver o pessoal se chamando de “comunista” e “fascista”.
– Fechado. Partiu.
– Vai fazer o que agora?
– Nada. Vou descansar, com a sensação do dever cumprido.
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