Um ano depois das eleições presidenciais venezuelanas — que, segundo o observatório político Carter Center, foram fraudadas — a OEA emitiu um relatório contundente sobre os crimes da ditadura de Nicolás Maduro. E o que diz o governo brasileiro sobre isso? Só entrando no buraco da avestruz para saber.
A imprensa que virou sustentáculo do regime brasileiro também está no seu equilibrismo diligente. No pós-eleição do país vizinho, em agosto de 2024, as notícias eram tão terríveis e inegáveis que se viu um ensaio de correção de rumo por aqui.
A imprensa amiga começou a se revezar em tentativas de evitar que as atrocidades chavistas respingassem em Lula e no projeto que ele representa.
O noticiário “oficial” oscilava entre fazer vista grossa — como se a tragédia venezuelana fosse apenas uma conjuntura “polêmica” — e o reconhecimento da gravidade da crise eleitoral, mas se esforçando para colocar a diplomacia brasileira como a possível salvadora da situação.
Uma coreografia trabalhosa para driblar a obviedade: a Venezuela acabara de decretar no grito a manutenção de uma ditadura, e o Brasil petista era aliado de primeira hora do ditador
Quando não deu mais para defender a retórica do assessor especial Celso Amorim, de que a Venezuela era uma democracia em consolidação, até boatos de ruptura entre Maduro e Lula foram plantados — na tentativa obcecada de preservar a imagem do regime brasileiro.
Como já estava pegando muito mal, chegaram a investir na tese da realização de uma nova eleição na Venezuela — um jeitinho malandro de tentar livrar Lula e cia da necessidade de reconhecer a lisura ou a fraude. Mas nem foi preciso.
No que o ano de 2024 foi caminhando para o final, o barulho em torno do escândalo da reeleição de Maduro foi diminuindo. A retirada gradual do assunto das manchetes salvou o lulismo e seus anexos jornalísticos da berlinda.
O esquecimento é o santo remédio dos hipócritas. Agora que o prêmio oferecido pelo governo dos EUA para a captura de Maduro dobrou para 50 milhões de dólares, o assunto volta a incomodar — e o relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos também.
Segundo a CIDH, a Venezuela mantém 903 presos políticos. Entre esses, alguns não têm nem o paradeiro conhecido pela família. Em 64 casos, as únicas notícias que chegam aos familiares são pedidos anônimos por roupas e remédios, sem qualquer pista sobre localização ou situação processual.
O relatório divulgado pela OEA sustenta que das 25 mortes de manifestantes contra a reeleição fraudulenta de Maduro, 24 foram por tiros na cabeça ou no peito. Nenhuma das vítimas tinha vínculo com grupos armados.
Segundo a CIDH, a recusa do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela em divulgar o resultado oficial do pleito afrontou normas internacionais e feriu a legitimidade do processo. “Esta recusa retira aos cidadãos o direito de saber a verdade sobre o seu voto”.
Será que algum veículo da imprensa tradicional terá a ideia de perguntar a Lula se a Venezuela de Nicolás Maduro continua sendo uma democracia?
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