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Guilherme Macalossi

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Eleições

Flávio Bolsonaro precisará de mais do que frases de efeito para ser eleito

Pesquisa Quaest aponta crescimento numérico na intenção de voto de Flávio Bolsonaro no 1º turno entre esquerdistas não lulistas.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República nas eleições de 2026. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

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O inequívoco avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto tem animado sua militância política e alarmado o PT. Seu crescimento é uniforme e constante, independente do instituto e da metodologia aplicadas. Ganhou o que se chama de “momentum”, aparecendo na frente de Lula numericamente inclusive em cenários de primeiro turno.

Como se poderia facilmente supor, uma vez ungido representante do campo bolsonarista, Flávio rapidamente herdou o capital político do pai. Um bloco monolítico quase inexpugnável às pretensões eleitorais de sedizentes alternativas na direita (até aqui, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Aldo Rebelo só conseguiram lamber as franjas dessa massa de eleitores). Isso lhe deu o piso para se tornar competitivo. Por si só, entretanto, tal capital seria insuficiente para lhe dar a pretendida vitória. O diferencial, para Flávio, é que agora ele também parece conquistar indecisos e até votos não ideológicos frustrados ou decepcionados com Lula.

Flávio terá de mostrar que consegue andar com as próprias pernas. As tais 'propostas genéricas' não sustentam a disposição de voto do eleitor médio, que está preocupado com o próprio bolso e não apenas com frases de efeito

As razões de tal desempenho têm menos relação com seus méritos individuais e mais com a própria conjuntura nacional, que vê uma crescente insatisfação com os rumos da economia e o ressurgimento do sentimento de ojeriza ao establishment, personificado no STF e, por tabela, no próprio governo. Quase sempre em silêncio, Flávio fatura com os holofotes direcionados para os adversários, tornando-se, como efeito, o repositório de uma insatisfação genérica. Mas o que ele tem a oferecer de concreto além do discurso bolsonarista arejado para tentar agradar a Faria Lima?

Em agenda no Rio Grande do Sul, Flávio participou do Fórum da Liberdade, famoso evento de discussões liberais. Não disse nada de concreto. Falou platitudes e frases de efeito sobre instituições, segurança pública e reforma tributária. Admitiu, inclusive, que os eleitores vão “continuar ouvindo propostas genéricas”, uma vez que ainda é “período de pré-campanha”.

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Se Lula será confrontando com o legado de seu terceiro mandato, é adequado e proporcional que de Flávio seja exigido o correspondente em relação ao próprio período como senador (incluindo os esqueletos no gabinete), e também do mandato de seu pai, razão base da sua própria existência como pré-candidato. Se ele, por exemplo, critica a reforma tributária aprovada no governo Lula, tem, por obrigação, de responder por que tal texto naufragou durante o governo de Jair Bolsonaro. Se condenada o uso da máquina pública em ano de eleição, precisa justificar as PECs que furaram a lei do teto de gastos na véspera da tentativa de reeleição de seu pai em 2022.

É claro que o bolsonarismo está mais feliz do que nunca, empolgado com a viabilidade de um nome que foi originalmente recebido com sorriso amarelo por boa parte desse grupo político. Com a proximidade da eleição, entretanto, os holofotes serão divididos. Flávio terá de mostrar que consegue andar com as próprias pernas. As tais “propostas genéricas” não sustentam a disposição de voto do eleitor médio, que está preocupado com o próprio bolso e não apenas com frases de efeito e dancinhas de funk.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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