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No último sábado, durante a parada LGBT de Berlim, um terrorista – possivelmente membro do Estado Islâmico – atropelou uma multidão e, após bater o veículo, atacou diversas pessoas com um facão. Até o momento, uma mulher morreu e outras 29 pessoas encontram-se feridas.
Esse tipo de atentado terrorista nem consegue mais nos surpreender, infelizmente. Tampouco nos choca os antecedentes: segundo tem-se noticiado, o terrorista já havia sido preso uma vez, acusado de preparar um ato terrorista. Ele acabou, no entanto, sendo liberado com base em algum desses programas insanos de reabilitação ou desradicalização, em que os progressistas sem qualquer noção do Bem e do Mal costumam acreditar.
Todas essas causas de minorias, como a causa LGBT, na verdade não significam absolutamente nada para a esquerda. Se ela tiver de ser sacrificada na defesa de uma causa maior, contra o Ocidente, isso será feito
O que às vezes costuma nos surpreender é a contradição total, tão insana quanto engraçada, em se apoiar a causa LGBT e o terrorismo islâmico (como o Hamas) ao mesmo tempo, quando se sabe que este jamais toleraria o estilo de vida do típico progressista ocidental. E o que mais costuma impressionar é o fato de que, mesmo diante da realidade da violência, mesmo após uma atrocidade como essa, ainda assim a esquerda silencia-se, ou protesta tibiamente, em relação à violência política do terrorismo islâmico.
Resta aqui ao menos uma lição de vida: sofrer uma violência não cura o fanático progressista; nem mesmo a violência direta tem impacto suficiente para despertá-lo do seu sonambulismo ideológico. Ao contrário, sofrer ou testemunhar a violência parece que confere mais energia à afetação narcisista do revolucionário moderno: eu sou tão empático, sou tão caridoso, sou tão preocupado com as minorias, que nada abala as minhas virtudes, nem mesmo quando eles vêm me matar! O fanático interpreta a violência sofrida não como uma refutação das suas teorias sobre a benevolência do seu grupo preferido, mas sim como teste de fogo para a sua fé na narrativa, por mais delirante que ela seja.
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Uma das principais características do comunismo é a destruição da moral. As noções do Bem e do Mal deixam de derivar das ações, dos comportamentos e das intenções de cada situação, e passam a ser determinadas apenas pelo status dos agentes envolvidos. E esse status é predicado, por sua vez, no grau de contribuição que cada agente pode prover para a causa, para o partido, para a construção da utopia.
O comunismo é, assim, uma espécie de culto, em que a causa política é o deus, é o referencial absoluto em relação ao qual tudo deve ser julgado. Evidentemente que se trata de um deus perverso, que em vez de domesticar o Ódio, a Ingratidão e o Ressentimento, faz justamente o contrário, incitando essas emoções em nome de um niilismo destruidor. O único alento que a escatologia comunista fornece, se é que se possa chamar de alento, é um suposto amanhã radiante que surgirá após a destruição da ordem atual (o que é um delírio total, evidentemente).
Todas essas causas de minorias, como a causa LGBT, na verdade não significam absolutamente nada para a esquerda. Se ela tiver de ser sacrificada na defesa de uma causa maior, contra o Ocidente, isso será feito. Entre defender uma causa, salvar vidas ou destruir a sociedade, a esquerda sempre ficará com a destruição, desde que ela parta dos grupos autorizados, porque em última análise o comunismo é movido por esse ímpeto niilista.
Se o terrorista fosse um judeu, um branco cristão, ou algum sionista, aí sim o terrorismo seria inaceitável, e o progressismo o condenaria em peso. Mas vindo de uma classe protegida que também se posiciona contra o Ocidente, aí isso se torna, para o progressista, apenas mais uma ocasião em que ele pode exibir a resiliência do seu fanatismo.

Gustavo Maultasch é diplomata e autor do livro "Contra toda Censura: Pequeno Tratado sobre a Liberdade de Expressão", lançado pela Avis Rara. É formado em direito pela UERJ, mestre em diplomacia pelo Instituto Rio Branco e doutor em administração pública pela Universidade de Illinois-Chicago. Foi Network Fellow do Centro de Ética de Harvard (2013-2014). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



