Meu super-herói, quando está em ação, veste uma máscara negra e usa os poderes incríveis que saem das suas mãos. Ele está sempre disposto a ajudar os mais necessitados e é capaz de criar máquinas mágicas que potencializam a força humana.
Esse herói não saiu dos quadrinhos ou das telas do cinema. Ao contrário, ele é real e veio de San Andrés Itzapa, vilarejo no interior da Guatemala, na América Central. Seu nome é Carlos Enrique Marroquín.
Foi lá que este homem de fala mansa e temperamento sereno criou há cerca de 20 anos o projeto Maya Pedal, uma ONG que dá vida nova à bicicletas usadas, transformando-as em máquinas movidas a energia humana para uso em comunidades sem acesso a energia elétrica.
De bomba d’água a debulhador de milho, de moedor de cana-de-açúcar a máquina de lavar roupas, Marroquín se utiliza do que chama de “tecnologias alternativas” para criar esses equipamentos que ajudam a transformar a vida das comunidades pobres e isoladas.
Seu trabalho já chamou a atenção de pesquisadores do renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde já foi convidado para dar palestras. “Utilizamos o conhecimento técnico para desenvolver as bicimáquinas. Não é um trabalho artesanal, tampouco um equipamento industrial. Estamos no meio do caminho e assim ajudamos as comunidades, facilitando o trabalho manual e contribuindo com a economia de energia e dinheiro”, explica Marroquín.
Marroquín, que agora coordena o Bici-Tec, esteve em Curitiba para participar do 3º Fórum Mundial da Bicicleta. Sua história comoveu e encantou a todos que assistiram a sua palestra. Mas foi colocando a mão nas peças de bicicletas velhas e enferrujadas que o guatemalteco ajudou a transformar a realidade por aqui.
Com o apoio da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (CicloIguaçu), do Instituto Energia Humana (Ieh) e da ONG Bike Not Bombs, Marroquín esteve na ocupação Nova Primavera, na Cidade Industrial de Curitiba, para desenvolver bicimáquinas com a ajuda de voluntários e moradores locais. A iniciativa foi levada ao bairro da periferia, onde 330 famílias vivem há mais de um ano, organizadas de forma coletiva e comunitária pelo Movimento Popular por Moradia (MPM).
“Viemos para capacitar diretamente a comunidade para que eles mesmos consigam desenvolver máquinas dentro de suas próprias necessidades”, disse Marroquín. Dentre as máquinas criadas em três dias de trabalho, estão duas bici-liquadoras, que servem como aparelho liquidificador, e uma máquina de lavar roupas. “O importante é envolver toda a comunidade: homens, mulheres e crianças. Fico feliz por ver o entusiasmo de todos com o projeto em Curitiba”, avaliou.
Veja as fotos da construção das bicimáquinas na ocupação Nova Primavera, em Curitiba.
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