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Novembro de 2025. Nova York elege seu novo prefeito, um socialista radical anticapitalista, conforme ele próprio declarou durante a campanha, que pode ser acusado de tudo, menos de ter mentido aos eleitores.
Zohran Kwame Mamdani, nascido em outubro de 1991 na cidade de Kampala, capital de Uganda, tornou-se o primeiro prefeito muçulmano de Nova York e usou um exemplar do Alcorão no juramento feito em sua cerimônia de posse.
Mamdani é um político filiado ao Partido Democrata e ao grupo Democratic Socialists of America (DSA), e foi membro da Assembleia do Estado de Nova York entre 2021 e 2025. Entre suas promessas de campanha, ele declarou que iria congelar os aluguéis e aumentar os impostos sobre os ricos.
Em junho de 2026, o Conselho de Diretrizes de Aluguel de Nova York aprovou, por 7 votos a 1, o congelamento dos aluguéis e proibiu os reajustes para cerca de 1 milhão de unidades, que representam quase 40% do mercado de locação da cidade.
O congelamento de preços já foi testado em impérios, em ditaduras capitalistas, ditaduras socialistas e em todos os regimes políticos. Nunca funcionou nem nunca funcionará
As consequências vieram logo. Com o aluguel congelado para aqueles 40% dos imóveis disponíveis para locação, o aluguel de um quarto em Manhattan disparou e chegou a US$ 5,4 mil; no Brooklyn, chegou a US$ 4,3 mil – o maior valor da série histórica nos dois bairros.
Na região abrangida pelo congelamento, o aluguel da primeira locação disparou, e parte dos quase 1 milhão de imóveis da área está simplesmente vazia, mostrando que a economia e a realidade da vida são mais complexas do que apenas boas intenções.
O fato é que o congelamento de preços já foi testado em impérios, em ditaduras capitalistas, ditaduras socialistas e em todos os regimes políticos. Nunca funcionou nem nunca funcionará. Nem na Rússia, submetida à mais feroz ditadura política, que exterminava pessoas por qualquer desobediência, o congelamento de preços funcionou.
Um exemplo histórico interessante é o ato do imperador romano Diocleciano, que emitiu o Édito sobre os Preços Máximos em 301 d.C. para tentar conter a inflação; foram fixados limites de preços para mais de mil produtos. Não deu certo.
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O imperador, que acreditava poder tudo, acabou assistindo aos produtores romanos reduzirem a produção, já que, aos preços tabelados, os negócios davam prejuízo. A consequência foi uma grave escassez de produtos, desabastecimento geral e o surgimento de um mercado negro, com disparada dos preços.
O prefeito de Nova York está amargando a mesma derrota do imperador Diocleciano e é mais um caso que irá para os livros de História, aumentando assim a enorme lista de tentativas fracassadas de congelar preços por decreto.
Quanto à segunda medida, o aumento dos impostos sobre os ricos, o tiro também saiu pela culatra. Cerca de 45% de todo o imposto arrecadado pelo estado vem do 1% mais rico da população, e essa fatia caiu de 12,7% para 8,7% da base de contribuintes.
Empresas grandes, como a gestora de investimento Apollo, a Citadel, bancos como J.P. Morgan e Goldman Sachs, e tantas outras empresas estão saindo de Nova York e indo para estados onde a tributação é mais baixa.
A economia e a sociedade não aceitam políticos contra a liberdade econômica e contra o direito de acumular patrimônio derivado do trabalho e dos negócios feitos de forma legal
Esse fenômeno já ocorreu em vários países. O relatório Private Wealth Migration 2026, da Henley & Partners, informa que 165 mil milionários devem deixar seus países neste ano. Seria a maior fuga de capitais da história, superando os 142 mil ricos que deixaram seus países em 2025.
No Brasil, só em 2025 mais de 1,2 mil brasileiros de alto patrimônio saíram do país e levaram consigo em torno de US$ 8,4 bilhões, algo como R$ 42 bilhões. Quando será que esses governantes vão aprender que há limites para o quanto eles mandam no mundo?
Voltando ao caso de Nova York, recentemente, em agosto de 2026, um painel digital gigante foi colocado na famosa Broadway, pago pela Câmara de Comércio da Flórida, com a foto do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e o título de “Desenvolvedor Econômico do Ano”... da Flórida.
Ou seja, trata-se de um deboche político sobre um problema sério, que é a fuga de capital e a fuga de ricos em função da política de congelamento de aluguéis e aumento de impostos sobre os ricos.
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O problema é que não apenas os ricos, mas todos os que têm algum dinheiro poupado durante sua vida fogem para lugares onde os impostos são mais baratos, longe de governantes socialistas inimigos do capitalismo e da liberdade econômica.
Dados de migração informam que Nova York perdeu mais de 21 mil declarações de imposto de renda apenas para a Flórida em um único ano, isso antes da eleição do atual prefeito. Ou seja, o novo prefeito comunista apenas acelerou o que já estava em curso; por isso a Flórida agradeceu com o painel na Broadway.
Os Estados Unidos são um laboratório bom para o teste desse fenômeno, pois entre seus 50 estados não há imposto de saída, nem controle de capital, nem burocracia migratória. Quem não aceita o modelo fiscal de seu estado simplesmente atravessa a fronteira e leva sua empresa, seu patrimônio e seus negócios.
O mundo já deu provas abundantes de que a economia e a sociedade não aceitam políticos contra a liberdade econômica e contra o direito de acumular patrimônio derivado do trabalho e dos negócios feitos de forma legal e após pagos os impostos, que deveriam ser simples e moderados.
Tentar combater a pobreza tributando pesadamente os ricos e as classes médias é um erro, não funciona
Bem, está aí o exemplo do Paraguai, para onde muitas empresas brasileiras estão indo em função de carga tributária menor e mais simples. No mesmo relatório da Henley & Partners, o Brasil fica atrás de Paraguai, Uruguai, Panamá e Costa Rica no ranking de competitividade para atrair e reter grandes fortunas.
Ademais de tudo isso, não apenas as grandes fortunas buscam países com maior segurança jurídica e carga tributária menor. Dinheiro da classe média também começou a sair de seus países originais, mesmo porque a fuga não é da pessoa, mas de seu patrimônio. Hoje, ficou fácil a qualquer um da classe média mandar seu dinheiro para fora do país.
Nos tempos modernos, com a revolução tecnológica e científica forçando mais integração entre as nações e ampliando a mobilidade do capital (numa espécie de nova globalização), os governos que desejam prosperar devem tratar seus cidadãos como clientes, não como servos e súditos.
Assim, tentar combater a pobreza tributando pesadamente os ricos e as classes médias é um erro, não funciona. Incentivar o trabalho, a inventividade, o investimento, a criação de empresas e os negócios, isso sim gera empregos, produto, renda, impostos e prosperidade.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

José Pio Martins é economista. Atuou como Secretário do Planejamento de Londrina, Diretor Geral da Secretaria da Fazenda do Paraná, Vice-Presidente do Banco do Estado do Paraná, Presidente da Banestado Crédito Imobiliário e outros, professor de Macroeconomia, Microeconomia, Finanças Empresariais e Filosofia. É autor dos livros “Educação Financeira ao Alcance de Todos” e “Seu Futuro”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



