| Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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Uma matéria do jornalista Célio Yano, publicada há pouco pela Gazeta do Povo, revela muito sobre as forças que realmente movem a vida política brasileira, hoje, ontem e sempre. Na verdade, e no fundo, os fatos ali expostos revelam possivelmente tudo o que é necessário saber para se ter uma ideia realista sobre o que é mesmo o Brasil de carne e osso – não o Brasil das “análises políticas”, das “pesquisas de intenção de voto” e de outras flores do noticiário, mas o Brasil que existe na vida como ela é. As empresas estatais brasileiras, informa a matéria, faturaram 1 trilhão de reais em 2021, último ano para o qual há um balanço completo. É mais do que 35% de aumento. Os lucros também explodiram: foram mais do que três vezes maiores. É dinheiro em qualquer lugar do mundo. Aqui, não apenas é dinheiro. É o próprio sangue da política nacional – é isso, o tempo todo, o que interessa a maioria dos que mandam no país, e que faz o universo público ser tão atraente para todos eles.

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Números como esses mostram, sem dúvida, que nunca as estatais deste país foram administradas tão bem, ou com tão bons resultados, do ponto de vista financeiro. É um contraste dramático com os catorze anos de Lula e Dilma Rousseff, quando essas mesmas empresas, exatamente as mesmas, davam prejuízos apavorantes – que viravam, naturalmente, lucros sem paralelo na história para os bolsos privados dos amigos do governo, e para os amigos dos amigos. É precisamente, também, o que vai acontecer de novo, por tudo o que o ex-presidente Lula promete fazer quando voltar ao Palácio do Planalto. Mas a questão, aqui, não é essa – não é a diferença entre competência e roubalheira. É o dinheiro em si, esse 1 trilhãozinho. Não há quem resista; os políticos e as forças que os sustentam vão matar a mãe para terem acesso à mina de ouro que veem diante de si.

É dinheiro em qualquer lugar do mundo. Aqui, não apenas é dinheiro. É o próprio sangue da política nacional – é isso, o tempo todo, o que interessa a maioria dos que mandam no país

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Não poderia haver comprovação mais clara para isso do que o artigo da Gazeta do Povo. O leitor é informado, ali, que políticos que atuam em lados opostos, da alta esquerda à alta direita, estão operando em conjunto no projeto dos sonhos de todos eles: mudar a legislação recente que profissionalizou a gestão das empresas estatais, dificulta as ingerências políticas e impede a distribuição de diretorias e empregos para os saqueadores do dinheiro público. Ninguém briga tanto para acabar com isso quanto o PT. As novas regras, obviamente, têm relação direta com os recordes de faturamento e de lucros das estatais. Mas isso só resulta em benefício para a população, que vê o dinheiro passar para o erário público e dali, em tese, para despesas com alguma forma de bem-estar social. Mas quem é que está interessado no público? Estão interessados em ficar com o dinheiro eles mesmos, só isso – e 1 trilhão de reais - é o suficiente para fazer das estatais, e do seu caixa, a força mais importante na política nacional do Brasil de hoje.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]