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O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, acenando para apoiadores durante um comício de campanha em Caracas, em 3 de dezembro de 2020, antes da polêmica eleição parlamentar do fim de semana.
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, acenando para apoiadores durante um comício de campanha em Caracas, em 3 de dezembro de 2020, antes da polêmica eleição parlamentar do fim de semana.| Foto: Jhonn ZERPA / Venezuelan Presidency / AFP

Mais uma vez, os venezuelanos participarão de uma encenação. Neste primeiro domingo de dezembro, eles irão às urnas sob a justificativa de que elegerão os seus deputados. Para muita gente, inclusive no Brasil, o teatro bolivariano serve para justificar que há democracia na Venezuela “Lá ocorrerem eleições”, dizem sempre. Uma overdose de eleições, por sinal. Esta será a vigésima primeira consulta popular em vinte um anos de chavismo.

Todas ocorreram sob suspeitas de fraude. Mas foi nas duas mais recentes delas, entre 2017 e 2018, que Nicolás Maduro roubou descaradamente, aprofundando a crise em seu país, sufocando a oposição e forjando o seu segundo mandato.

A última eleição minimamente confiável foi realizada em 1998. Foi quando Hugo Chávez foi eleito. Depois de então, as regras nunca mais foram respeitadas.

Chávez aprendeu a travestir de democracia os seus movimentos que levaram o seu país para o abismo. A Venezuela é uma ditadura que foi construída sobre os escombros do país que até aquela eleição de 1998 tinha a democracia mais longeva da América do Sul.

A reeleição de Maduro em 2018 não foi reconhecida por mais de 50 países, estre os quais as maiores democracias do planeta. As razões eram a falta de transparência provocada pelas mudanças de regras no meio do jogo e a total falta de garantias de lisura.

O ambiente conflitivo foi o palco que fez emergir o chefe do Legislativo, no caso Juan Guaidó, como presidente encarregado que teria como missão assumir o país e conduzir novas eleições.

Guaidó encarnou o papel de uma figura, prevista na Constituição desenhada pelo próprio chavismo, que define o líder da Assembleia Nacional (que é o equivalente à Câmara dos Deputados, no Brasil) a função de “presidente-encarregado”, em caso de “usurpação de poderes”.

Parecia tudo certo. Mas, a curta temporada que Guaidó deveria cumprir como líder de um transição na Venezuela se alongou para além das previsões constitucionais.

Maduro seguiu firme e Guaidó se perpetuando por meio de remendos legais promovidos pelos seus colegas deputados.

A Venezuela tem dois presidentes em disputa, mas nenhum governo.

O ilegítimo Maduro comanda o Estado enquanto o precário Guaidó tenta se sustentar se perpetuando como uma espécie de Yasser Arafat latino. Reconhecido como presidente por muitos, mas que jamais comandou país algum.

E as eleições comandadas pelo regime de Nicolás Maduro representam mais um grau no aprofundamento da crise venezuelana.

Sem a participação de parte importante da oposição, que não reconhece o processo como legítimo – já que desde janeiro do ano passado, o país está nas mãos de um presidente usurpador –, o resultado que emergirá das urnas será de um legislativo ainda mais servil ao regime.

Os deputados que conquistarem a eleição prometem manter um parlamento paralelo.

Maduro não está nem aí para o movimento. Ele entendeu que assim como Guaidó não foi capaz de afetá-lo, o parlamento paralelo também não o fará.

Falta à oposição venezuelana entender que o regime que tomou conta do país dele não joga conforme as regras da política.

Chávez criminalizou a Venezuela. Transformou o país em uma cleptocracia dominada por máfias e financiadas por agentes extrarregionais que tiram vantagem da instabilidade venezuelana.

Maduro não se sustenta pelo voto ou depende de legitimidade. Ele se nutre exatamente do oposto disso.

A Venezuela que emergirá das urnas no domingo não será melhor ou pior que de antes. Será exatamente como tem sido. Dominada por bandidos, disfarçados de políticos e militares, com uma oposição dividida e, em parte, funcional.

Há sinais evidentes de que o a situação já atingiu o ponto de não retorno. Caso isso se confirme. A Venezuela será um monumento ao descaso global. Os vizinhos, as potências ocidentais, os órgãos multilaterais e até o Papa viram o país se desmantelar e toleraram.

Aqueles que perceberam o problema em seu transcurso, disseram que a Venezuela estava se cubanizando. O presente nos mostra que o que aconteceu por lá é ainda pior. Cuba e seus regimes parasitas são pura propaganda. A Venezuela, muito maior, mais populosa e repleta de recursos naturais, dá dimensões superlativas ao que Cuba jamais foi capaz de ser.

Aqueles que temem que o Brasil um dia possa vir a se tornar uma Venezuela, esqueçam. Quando as coisas realmente derem errado por aí, a tragédia chavista vai parecer brincadeira.

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