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Leonardo Coutinho

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Brasil, América Latina, mundo (não necessariamente nesta ordem)

Brasil-China

Uma boa e uma má notícia

  • Leonardo CoutinhoPor Leonardo Coutinho
  • 05/02/2021 17:17
bolsonaro- Xi Jinping
Bolsonaro cumprimenta Xi Jinping na reunião do G20.| Foto: AFP

O regime comandado por Xi Jinping voltou a ser visto exatamente como ele é. Eis a boa. A leitura do noticiário americano nas primeiras semanas de 2021 sugere que a China não contará mais com o mesmo ambiente amistoso que nos últimos quatros foi útil às ambições de Pequim. O que mudou? Donald Trump se foi. Evidentemente não há prova alguma que comprove a tese, mas o antitrumpismo que tomou conta das redações, dentro e fora dos Estados Unidos, desde o primeiro minuto de sua eleição em novembro 2016, pavimentou o caminho para um tipo de visão de mundo "se é contra Trump é nosso aliado" ou "se Trump é contra é nosso amigo". Lógica idêntica que se abateu sobre uma parcela da classe política que, embora tivesse a mais perfeita compreensão do estava do outro lado, sabia que não podia reforçar o discurso do então presidente.

Nas últimas semanas, o regime chinês não tem sido poupado. Sua estrela Huawei apareceu no The Washington Post como cúmplice da escravidão dos uigures. Em um intervalo de uma semana, o The New York Times mostrou o sistema de trabalho forçado na China, colocou em xeque a diplomacia da vacina chinesa e apontou o dedo para Xi Jinping, como o homem com potencial para desestabilizar o mundo e ser o pesadelo de Joe Biden.

A mudança também pode vir da Casa Branca. Até o fechamento desta coluna, analistas estavam ouriçados com a lista de países com os quais o secretário de Estado Anthony Blinken já havia interagido. A falta do Brasil chamou a atenção entre os brasileiros, o que é de se esperar em um mundo em que as pessoas – e não só as do Brasil – gostam mesmo é de falar delas mesmas. A grande ausência na lista de chamadas de Blinken era a da China.

O que não significa irrelevância. Muito pelo contrário. O intervalo de mais de duas semanas, desde o início do governo, sem uma chamada oficial carrega uma informação. Qual é? É difícil responder.

Sem Trump no poder, ninguém mais precisa fingir não ver o que o regime chinês é. A boa notícia termina por aqui.

Na porção sul das Américas, o Brasil replica com um atraso bestial o fenômeno descrito acima. Obviamente repleto de peculiaridades, o caso brasileiro pode ser cotejado com o americano naquilo que é essencial. A China encontrou no antibolsonarismo a backdoor por meio da qual infestou setores estratégicos sejam eles na imprensa, política, agronegócio e até as entranhas do próprio governo brasileiro.

A polarização política brasileira deu à China o poder de emplacar suas versões e vontades com muito pouco esforço e muito colaboracionismo.

"Se é contra Jair Bolsonaro é nosso aliado" ou "se Bolsonaro é contra é nosso amigo".

Está acontecendo exatamente o que se passou nos Estados Unidos até a posse de Biden, mas com um agravante. Sem mecanismos de proteção moral e legal – e para agravar quebrado –, o Brasil ficou fácil e barato de conquistar.

Começando pelo jornalismo. A cobertura é um amor. Xi Jinping é mais fofo que Winnie the Pooh, o ursinho que jocosamente passou a ser comparado às características físicas do ditador chinês. Aliás suas frases de grande sabedoria podem ser ouvidas na TV brasileira. E não só. Todos os dias há quem se disponha a replicar as mensagens da embaixada chinesa como se fossem notícias.

Quando o assunto é política, o negócio ficou ainda mais evidente. O governador de São Paulo viu o dragão passando selado e montou em cima. Está voando alto – ou baixo, dependendo do ponto de vista – na carona oferecida pelos chineses. O estado mais rico e populoso do Brasil abriu as portas para a China ampliar sua influência para além da pressão que já havia sido consolidada por meio do agronegócio.

Por meio de um mutualismo ficcional, os chineses parecem oferecer as condições de um jogo de ganha-ganha, mas ao fim do dia estão levando tudo.

Incapazes de oferecer doses de vacina suficientes para a própria população, o regime de Xi Jinping não tem como atender a demanda mundial e suprir as expectativas criadas em países como o Brasil. Mas eles conseguem usar a seu favor o ambiente político que permite que eles não só saíam ilesos do que deveria ser uma crise.

Embalados pelo antibolsonarismo, os chineses mandaram recado, por meio da imprensa e políticos, que a culpa da falta de vacinas era do Brasil. Ou mais precisamente do governo brasileiro. O gabinete do presidente foi invadido por ministros e conselheiros rogando por rendição. Não por acaso, uma solução para a chinesa Huawei nas redes 5G no Brasil saiu da cartola no meio da confusão. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Dizem todos os lados envolvidos.

No meio do pacote, os chineses empurram por meio do senador Irajá (PSD/TO) um projeto de lei que permite que até 25% da área de município possa ser vendido para estrangeiros. Uma demanda antiga que a mãe de Irajá, a também senadora Kátia Abreu, há tempos tenta aprovar. Uma mudança essencial para Pequim que deseja eliminar a necessidade de atravessador para o acesso aos produtos agrícolas fornecidos pelo Brasil.

A Brachina é uma fusão inevitável devido às complementariedades das economias. Mas qual é a vantagem que tiramos, como país, desta relação? O Brasil insiste em se deixar enganar. Não faltam porta-vozes para nos convencer que somos dependentes. Faltam especialistas para nos lembrar de os chineses dependem de nós.

Como em qualquer mutualismo temos que ter vantagem. Sem a mão-dupla vira parasitismo. E ao final só um tira vantagem enquanto o outro adoece ou tem destino pior.

Bastou Trump desaparecer para os americanos voltarem a ver a China como é. Demorou, mas tem acontecido em tempo de poder ajustar o rumo. O Reino Unido e França estão entre aqueles que também já se deram conta da furada que é permitir o regime chinês operar livremente dentro de seus países.

No Brasil, tudo indica, não será assim. Quando o antibolsonarismo não tiver mais sentido, pode não haver mais margem para um ajuste de rota. Eis a má notícia.

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Comentários [ 11 ]

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  • F

    Fabiano

    06/02/2021 20:24:34

    Artigo perfeito. Tenho experiência com empresas chinesas e posso afirmar categoricamente que o governo chinês não faz ganha -ganha nem com o espelho. Assistam a Indústria Americana, no Netflix.

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    • C

      Celito Medeiros

      06/02/2021 19:08:14

      A regra não é dar a má notícia primeiro? Bem, penso que o Brasil representado por Bolsonaro não tenta influenciar Governo algum na área Política, mesmo porque nem tem prestígio ou capacidade para isto, não temos poder militar, tempos o Poder dos Alimentos! Sabemos que os USA estão de lado e não fora do páreo, seja com Biden ou outro, não mudaria muito, se afastaram de uma Força, a UE, por desejarem ser a Força com seu Império sob o símbolo da Águia!... Cuidado com Nostradamus que previu a Paz quando terceiro império sob o símbolo da Águia caísse. Lá se foram os Romanos e Alemães e para estes os dias são outros, estão jogando por fora para terem o Poder ainda Maior. China, Rússia, Índia etc..

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      • R

        RADAMES MANOSSO

        06/02/2021 18:05:10

        Artigos como este ampliam a visão do leitor. Uma análise que vai além da recitação de mantras comum nos articuleiros da grande mídia.

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        • L

          Luiz

          06/02/2021 13:09:23

          É isso Coutinho, o anti-bolsonarismo se aliou à China. Tal como no EUA aqui por essas bandas bananeiras a extrema imprensa decidiu se juntar ao PCC p/ tentar de maneira vil e criminosa derrubar o "Bozo". Essa esquerda/progressista tem método, vendem tudo -até a mãe para o chineses -para se manterem no poder e atingirem seus objetivos nada democráticos. Em tempo: Como bem vc diz, é asqueroso ver as TVs replicarem propaganda descarada do governo chines. Ditadura sanguinária que compra tudo, até consciências, né não Coutinho?

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          • F

            Fernando Bolonhezi Giannasi

            06/02/2021 11:57:50

            A notícia ruim é que não tem notícia boa. A notícia boa é que não tem notícia ruim.

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            • O

              Oirad Ojuara

              06/02/2021 11:14:10

              A China NUNCA foi parceira comercial do Brasil como a grande mídia costuma dizer. É uma relação destrutiva para nós! Há 20 anos o Brasil produzia de tudo. Tínhamos um parque industrial completo, inclusive de insumos para vacinas. A relação com a China fechou milhares de indústrias (e empregos) e transformou o Brasil numa economia exportadora de matérias-primas básicas. De volta ao século XVI.

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              1 Respostas
              • G

                GR

                06/02/2021 12:58:20

                Oirad, quem destruiu a industria brasileira foi o Estado brasileiro, com excesso de burocracia e impostos + a a Justiça do Trabalho. Se tirar as amarras e o Estado dos ombros do empresariado, o Brasil decola.

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            • J

              joão José Augusto Mendes

              06/02/2021 10:57:39

              Li na Gazeta do Povo que o Macron havia se pronunciado contra a vacina chinesa, alegando até uma possível ajuda da mesma na mutação do vírus. Só vi isso na GP e em mais nenhum outro meio de comunicação. Em sendo real a China desapareceu com a notícia?

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              • G

                GEGE

                06/02/2021 10:48:18

                Como são ordinários certos politicos brasileiros por exemplo esse Doria, esse deputado de **** querendo doar nossas terras a estrangeiros tudo por interesse próprio vendem nosso país a preço de banana não se importam com o futuro de nossa nação de nossos filhos a China como diz Leonardo Coutinho pegou carona no Se for contra ///Bolsonaro tamo junto!!! e **** -se seu Brassil.

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                • V

                  Val

                  06/02/2021 2:40:07

                  E tudo isso pode piorar, sendo bem realista e com uma visão apocalíptica, caso um certo governador, candidato à presidente, for eleito. Daí o Brasil será "rifado" sem dó ou piedade. Só não vê quem não quer.

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                  • C

                    Carvalhaes

                    06/02/2021 2:20:31

                    Disse tudo e mais um pouco! Parabéns!

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