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Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Amazônia além do alarmismo

A realidade derrota a pseudociência ambientalista

Alarmismo sobre a Amazônia tenta travar o desenvolvimento na região; com ciência acima da ideologia, políticas se alinham ao bem-estar e ao progresso social. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

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As teses catastrofistas sobre a Amazônia constituem uma marca registrada da agenda ambientalista-indigenista internacional para o Brasil, cujo objetivo, em relação à região, é “preservá-la” como uma vasta reserva zoobotânica-antropológica vedada ao pleno desenvolvimento econômico e produtivo.

Um dos tópicos recorrentes dessa pauta alarmista é o conceito do “ponto de inflexão” do bioma Amazônia, segundo o qual o seu desmatamento estaria próximo de um ponto de não retorno, em direção a um suposto empobrecimento biológico, convertendo-se em um ambiente de Cerrado (“savanização”).

O conceito é simples e chamativo, como são as teses catastrofistas em geral, marcadas pela ausência de evidências factuais observadas no mundo real para as interferências humanas alegadamente causadoras do apocalipse ambiental.

Seus autores são o biólogo estadunidense Thomas Lovejoy, já falecido, e o climatologista Carlos Nobre, um dos mais ativos agentes de influência do catastrofismo “verde” em ação no Brasil. O tal “ponto de inflexão” é estimado em 20% do desmatamento, em relação à extensão original do bioma encontrado pelos europeus no século XVI — o índice atual é 16%.

Todavia, ele se baseia em um modelo matemático nunca comprovado por evidências reais, como nos outros biomas brasileiros. É o caso da Mata Atlântica, que perdeu mais de 90% da extensão original desde o século XVI, mas, além dessa redução, não experimentou qualquer processo de empobrecimento biológico.

Agora, um estudo coordenado por pesquisadores brasileiros se encarrega de demonstrar que a verdadeira ciência não pode prescindir de evidências concretas nem basear-se apenas em modelos teóricos.

Publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o estudo envolveu uma pesquisa de 20 anos, efetuada na Estação de Pesquisa Tanguro, em Querência (MT). No local, um trecho de floresta foi dividido em três partes; uma foi mantida intacta para controle e, nas outras duas, foram realizadas queimadas controladas entre 2004 e 2010 — em uma, anualmente, e, na outra, a cada três anos, sendo suspensas em 2010.

Em 2024, a degradação e a recuperação das áreas afetadas foram analisadas, e os resultados mostraram que a floresta é mais resiliente do que imaginavam os próprios pesquisadores, que admitiram esperar constatar a “savanização” das áreas.

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Um editorial do “Estadão”, de 26 de abril, com o apropriado título “Amazônia está longe da ‘savanização’”, discute a pesquisa:

“Como explicou ao Estadão Leandro Maracahipes, um dos coordenadores do estudo e pesquisador da Universidade Yale, apoiado pelo Instituto Serrapilheira, a hipótese mais radical só se confirmaria se houvesse a redução das espécies típicas da Amazônia e o aumento das espécies de savana. E não foi isso o que aconteceu.

Nas bordas da floresta, houve a redução das espécies típicas da Amazônia e o aumento das espécies generalistas da própria floresta, que são aquelas árvores com casca fina, madeira leve e raízes superficiais. No início, o capim até avançou, mas o posterior retorno das árvores, com suas copas, eliminou a luz de que as gramíneas precisam para progredir.

O que os pesquisadores constataram é que os incêndios frequentes causam a perda de biodiversidade e a homogeneização ecológica, principalmente nas bordas da floresta, mas não a savanização. E, de positivo, ainda descobriram que a biodiversidade no interior da floresta permaneceu relativamente estável.”

O editorial adverte que “o estudo não dissipa as preocupações com a proteção da Amazônia”. Mas celebra:

“O grande feito da pesquisa do IPAM é restituir a sensatez. Os cientistas foram atrás das respostas corretas — ou seja, não as que desejavam encontrar, mas as que a realidade estava disposta a lhes entregar. Seus achados, portanto, representam o triunfo da ciência sobre os exageros e as narrativas da militância. Trata-se de uma boa oportunidade para qualificar o debate ambiental no Brasil, deixando de lado o catastrofismo.”

O IPAM citado no editorial é o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, por ironia, uma das ONGs engajadas na produção de estudos alarmistas sobre a região, à qual alguns dos pesquisadores são associados. Para seu mérito, eles se renderam às evidências observadas e apresentaram os resultados com a objetividade e imparcialidade que deveriam orientar quaisquer trabalhos dignos de ostentar o rótulo de científicos.

Em síntese, quando a verdadeira ciência prevalece sobre a ideologia, o entendimento do mundo real é favorecido e, com ele, as políticas públicas ganham um reforço para se colocarem em sintonia com as aspirações de bem-estar e progresso da sociedade, principalmente na região mais carente do país.

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