Publicidade
Lorenzo Carrasco

Lorenzo Carrasco

Entraves ambientais

Brasil continua interditado

Lula e Marina Silva. (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil)

Ouça este conteúdo

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um pleito um tanto anormal, aponta para uma tendência de que o Brasil continue interditado para o desenvolvimento, tomando de empréstimo a expressão usada pelo ex-ministro Aldo Rebelo para referir-se à poderosa influência do aparato ambientalista-indigenista que opera no país.

Uma nota da agência Bloomberg, na segunda-feira 26, deu o tom de tal expectativa, afirmando que a vitória de Lula “significa que o país não fará um pivô acentuado em sua abordagem às mudanças climáticas, como prometido pelo oponente de Lula, Flávio Bolsonaro, que pedia mais desenvolvimento na Amazônia e leis ambientais mais frouxas”.

Na matéria, a presidente do Instituto Talanoa, Natalie Untersell, sentencia: “Os brasileiros fizeram a sua escolha na urna e a floresta amazônica tem outra chance.”

Um apoio entusiástico veio de Alexander Soros, filho do megaespeculador George Soros e controlador do vasto aparato das Open Society Foundations, um dos mais notórios instrumentos de financiamento de ONGs engajadas em ações antinacionais em dúzias de países, em favor da oligarquia globalista que tem os Soros entre os seus principais operativos. Em uma postagem em sua conta no X (antigo Twitter), ele enviou “parabéns ao Brasil por se posicionar novamente contra o autoritarismo”.

A permanência de Lula permite antever uma continuação das dificuldades para o licenciamento ambiental de projetos de grande relevância estratégica para o país, a exemplo da exploração petrolífera na Margem Equatorial Brasileira e na Bacia de Pelotas, a exploração de fosfato em Santa Quitéria (CE) e Autazes (AM), matérias-primas básicas para a produção de fertilizantes (em Santa Quitéria, combinado com urânio), vários projetos de terras raras e outros empreendimentos produtivos. Sem mencionar as restrições permanentes às atividades agropecuárias, sempre às voltas com um antagonismo ideológico atávico do aparato “verde-indígena” incrustado no aparelho do Estado e de seu exército irregular de ONGs apoiado por setores do Poder Judiciário e do Ministério Público, movidos por uma obsessão com o “desmatamento zero”.

A permanência de Lula permite antever uma continuação das dificuldades para o licenciamento ambiental de projetos de grande relevância estratégica para o país

Uma faceta adicional dessa pauta interditória é a agenda identitária ou “woke”, que ganhou um grande impulso nos governos do PT e é empregada por Lula como uma espécie de distração para os elementos radicais de sua base de apoio, assim como ocorreu na Europa com as social-democracias e partidos de esquerda em geral, que a adotaram, juntamente com a agenda ambiental e climática, para compensar o afastamento de suas pautas históricas de luta contra as desigualdades sociais.

Outra possibilidade é o retorno ao governo da derrotada candidata ao Senado Marina Silva, seja em sua antiga pasta do Meio Ambiente ou, como está sendo ventilado, à presidência da Petrobras, que a paladina ambiental sempre teve como meta converter em “empresa de energia” voltada para a suicida descarbonização da matriz energética. Se Lula cometer tal desatino, estará colocando em risco o papel crescentemente estratégico da empresa para o país, não só na abertura de novas frentes exploratórias de hidrocarbonetos, mas também na imprescindível expansão da sua capacidade de refino, em especial, de diesel, para a qual tem a meta da autossuficiência até 2030, na retomada da produção de fertilizantes e, não menos, no seu ingresso na área nuclear para o uso de pequenos reatores modulares (SMR, na sigla em inglês) e microrreatores, que pode constituir um importante impulso ao setor nuclear nacional.

Para a ex-ministra, que se orienta por um míope fundamentalismo “verde”, a Petrobras deveria priorizar as mal denominadas energias “limpas”, como eólicas offshore e solares, o que a colocaria na contramão das majors do setor, que já não escondem o abandono de suas anteriores agendas de “descarbonização”.

Vale recordar que, durante a campanha, Lula enfatizou repetidas vezes a intenção de aprofundar o desenvolvimento da “economia verde” como um dos vetores da proposta de reindustrialização do país.

Por outro lado, a perspectiva de interdição da economia também se aplica ao ambiente macroeconômico em geral, prejudicado por níveis recordistas de endividamento empresarial e familiar e de juros básicos, além da desconfiança dos investidores quanto ao descontrole fiscal do governo, que, juntamente com os obstáculos de natureza ambiental e indígena citados, constituem um coquetel bastante perigoso para um governo contestado por uma virtual metade da população.

Para gerar a perspectiva de uma desinterdição do avanço do país, seria necessário um estadista capaz de transmitir uma visão de futuro positiva, promover uma imprescindível pacificação na sociedade e galvanizar uma maioria dela em torno de um projeto de desenvolvimento compatível com a vocação brasileira para a grandeza e o progresso. Lamentavelmente, esse figurino não cabe no presidente reeleito, mais afeito ao corte do “pobrismo”.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.