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Na recente Assembleia Geral das Nações Unidas, o chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, notório pela firmeza e franqueza com que defende os interesses de seu país, desfechou um duro golpe nos propagandistas e promotores da “descarbonização” da economia mundial a qualquer custo, movimento que se consolidou como uma verdadeira indústria do catastrofismo climático.
Como proclamou da tribuna mundial, “a segurança energética está no cerne do desenvolvimento”. O mundo em desenvolvimento precisa de “práticas econômicas e comerciais justas que aprimorem nossas capacidades de produção e não nos reduzam a meros consumidores. Nosso direito à industrialização não deve ser negado”.
As implicações da mensagem transmitida pelo chanceler indiano foram discutidas em um artigo publicado em 2 de outubro, no sítio PJ Media, pelo engenheiro Vijay Jayaraj. Jayaraj é um dos mais lúcidos e ativos críticos do alarmismo climático “industrializado”. É mestre em Gestão de Energia pela Universidade Robert Gordon e doutor em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia do Reino Unido, além de ter sido pesquisador associado na Unidade de Pesquisa sobre Oceanos em Transformação da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá). Atualmente é pesquisador associado da CO2 Coalition (EUA).
Para ele:
“A declaração do Dr. Jaishankar é uma repreensão aos ativistas climáticos que anteriormente imaginavam a Índia como o exemplo perfeito da transição ‘verde’, os manipuladores de energia ‘para fins políticos. Esses seriam os governos anticombustíveis fósseis que enriqueceram com carvão, petróleo e gás natural e agora exigem que outros busquem a sua própria prosperidade com fontes de energia inferiores, como eólica e solar.
“A declaração do Dr. Jaishankar é uma repreensão aos ativistas climáticos que anteriormente imaginavam a Índia como o exemplo perfeito da transição ‘verde’..."
“O ministro sabe que uma nação sem capacidade de produzir aço, cimento, fertilizantes e eletrônicos continua sendo compradora de bens de outros países. Esse é o futuro dos ‘meros consumidores’ que ele se recusa a aceitar em nome da Índia e do restante do Sul Global.”
Ele observa o que é de conhecimento geral entre os que acompanham o assunto sem os vícios dos que colocam antolhos ideológicos ou lentes “verdes” diante dos problemas do mundo real: a Índia tem repetido sistematicamente o discurso politicamente correto das “emissões líquidas zero” (Net Zero) nas conferências climáticas internacionais, enquanto construía rapidamente uma das maiores infraestruturas energéticas baseadas em combustíveis fósseis em todo o mundo, atrás apenas da China.
Segundo ele, em 2024-25, a Índia atingiu pela primeira vez a marca de 1 bilhão de toneladas métricas de produção de carvão por ano, com as usinas termelétricas fornecendo mais de 70% da energia do país, ao mesmo tempo em que recorria aos EUA para assegurar o fornecimento de petróleo e gás natural: “Carvão para a rede elétrica, petróleo para o transporte e gás para fertilizantes e indústria. Essa é a matriz energética de um país que pretende crescer.”
Em paralelo, Nova Déli adiou para 2070 a sua meta de “neutralidade de carbono”, dez anos a mais que a China, que optou por 2060, e retirou a sua candidatura para sediar a conferência climática da ONU em 2028.
“Embora a Índia tenha progredido no combate à pobreza, a sua renda per capita continua sendo uma fração das nações do G-7, cujos diplomatas pregam dogmas climáticos e esperam que as famílias rurais indianas aguardem décadas por baterias de grande escala para que um burocrata europeu possa anunciar um marco climático. Esse é o acordo ultrajante publicamente rejeitado pelo subcontinente”, ressalta Jayaraj.
Um aspecto dos mais relevantes citado por ele é o fato de a atitude indiana ter sido influenciada pela postura do governo de Donald Trump, “que criou mais espaço para o debate público sobre as consequências econômicas de mandatos climáticos agressivos”.
“Quando os EUA tratam o petróleo, o gás natural, o carvão, a energia nuclear e a produção doméstica de energia como ativos estratégicos, em vez de constrangimentos, os países em desenvolvimento estão em melhor posição para resistir à pressão das burocracias globalistas”, enfatiza.
Sua conclusão é determinante:
“(...) Centenas de milhões de pessoas na África Subsaariana ainda vivem sem eletricidade. Muitos governos africanos possuem vastas reservas de gás e carvão que devem deixar no subsolo. A Índia, com seu peso econômico e alcance diplomático, pode dizer o que nações menores temem proferir na mesa de negociações.
“O movimento climático construiu a sua autoridade moral na alegação de que fala em nome dos pobres do mundo. A Índia desmantelou essa afirmação no próprio palco da ONU. Os pobres, na verdade, querem eletricidade que funcione, combustível que possam pagar e empregos em fábricas que funcionem com algo mais confiável do que boas intenções.”
O Dr. Jaishankar bem poderia ser convidado para uma visita a Brasília, para expor seus lúcidos pontos de vista às lideranças brasileiras que ainda se iludem com a fantasia da “potência ambiental”.

Lorenzo Carrasco é jornalista, presidente do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e da Capax Dei Editora. É autor de alguns livros, entre eles: "Conselho Indigenista Missionário: Filho da Mentira" e “Um mundo novo é possível? Doutrina Social, Direito Natural e Multipolaridade”. É também coautor de "Máfia Verde: o ambientalismo a serviço do Governo Mundial" e "A missão da Rússia na mudança de época global", e outros. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



