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A 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, mais conhecido como Conselhão, realizada em Brasília no último dia 10, proporcionou mais um exemplo da desorientação de importantes setores das elites brasileiras quanto à inviabilidade tecnológica e econômica da substituição acelerada dos combustíveis fósseis — petróleo, gás natural e carvão mineral.
Inviabilidade que, a rigor, deveria servir como advertência para a natureza real da agenda do catastrofismo climático e da mal denominada transição energética, que tem muito pouco a ver com ciência e muito mais com a política hegemônica das grandes potências e interesses financeiros de curto prazo, como tenho tentado demonstrar nestas colunas.
Criado em 2023, o Conselhão reúne ministros de Estado e centenas de representantes do setor empresarial e de organizações da sociedade civil, eventualmente, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como ocorreu na última reunião.
Nela, além de discutir soberania nacional, segurança pública e políticas comerciais, os conselheiros apresentaram ao presidente um bizarro conjunto de recomendações para orientar os chamados “mapas do caminho” para a substituição dos combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento, na linha das propostas da presidência brasileira da conferência climática COP30, realizada em novembro, em Belém (PA).
Entre as propostas, destacam-se: a eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis; criação de um imposto seletivo sobre combustíveis fósseis; estabelecimento de uma meta de atingir uma matriz de geração elétrica 100% renovável até 2035, com a retirada progressiva de usinas termelétricas a gás natural e carvão mineral.
A propósito, é de se lamentar que entre os 244 membros do Conselhão, apenas dois representam o setor elétrico, e ambos são ligados às energias “renováveis”
Embora os conselheiros não tenham explicitado, está implícito que, para cumprir tal meta nos próximos nove anos, contemplam uma rápida expansão das fontes eólicas e solares, dados os grandes obstáculos socioambientais colocados à construção de usinas hidrelétricas, principalmente, na Amazônia Legal, a única região do país ainda com um considerável potencial de geração inexplorado.
Ora, a expansão dessas fontes “renováveis” constitui, precisamente, um dos principais problemas do sistema elétrico nacional, devido à sua intermitência (geração excessiva em determinados períodos do dia e reduzida ou ausente em outros) e problemas técnicos com a interligação no sistema, que tem obrigado o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a cortar uma parte da geração em dados períodos, o chamado curtailment.
Em um artigo publicado na CNN Brasil (“‘Reforma Já’ no setor elétrico”, 02/06/2026), o engenheiro eletricista Luiz Eduardo Barata, presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e ex-diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), afirmou que o sistema elétrico brasileiro se aproxima de um ponto de inflexão e, mantidas as regras atuais, “corre o risco real de entrar em colapso antes de 2030 – não por falta de recursos naturais ou capacidade técnica, mas por exaustão de um modelo que já não responde à realidade do país”.
Para ele: “O exemplo mais emblemático dessa desconexão é o crescimento do curtailment. Em 2025, o Brasil desperdiçou cerca de 20% de toda a energia renovável que poderia ter sido gerada. O que antes era um mecanismo residual de ajuste operacional tornou-se um problema estrutural, afetando investimentos, reduzindo eficiência e colocando em risco a própria transição energética. Transformamos abundância em ineficiência.”
Sua conclusão: “Diante desse cenário, a reforma do setor elétrico não pode ser fragmentada nem capturada por interesses isolados. É necessário um pacto amplo entre todos os agentes, reguladores, empresas e consumidores. Um compromisso real de redistribuição de custos, riscos e benefícios, com foco na sustentabilidade do sistema como um todo. O ponto de partida deve ser um redesenho completo dos pilares do setor: planejamento, operação e modelo comercial. É fundamental alinhar expansão e consumo, modernizar os sinais econômicos e garantir previsibilidade regulatória para atrair investimentos com eficiência.”
A propósito, é de se lamentar que entre os 244 membros do Conselhão, entre os quais encontram-se presidentes de clubes de futebol e representantes de ONGs ambientalistas e indigenistas, apenas dois representam o setor elétrico, e ambos são ligados às energias “renováveis”. Por outro lado, seria de todo relevante que os proponentes de uma pauta tão desconectada do mundo real se educassem quanto a alguns fatos básicos sobre o amaldiçoado ouro negro, cuja importância têm por hábito subestimar largamente.
Em benefício dos leitores, recorro a dois renomados autores, o engenheiro Ronald Stein, consultor do Heartland Institute e do Committee for a Constructive Tomorrow (CFACT), e o economista especializado em energia e empresário Lars Schernikau. Em um artigo publicado no sítio Eurasia Review (“What It Really Takes To Meet The Materialistic Demands Of The Modern World”,09/06/2026), eles sintetizam algumas informações cruciais:
“Ao discutirem apenas o petróleo, consultores, educadores, políticos e muitos líderes industriais, frequentemente, NÃO conseguem explicar como as mais de 350 mil turbinas eólicas e os estimados 3,5 a 5 bilhões de painéis solares individuais no mundo produzirão os seguintes combustíveis para transporte:
“- Óleo combustível marítimo, para abastecer mais de 112.500 navios comerciais e mercantes em todo o mundo (com arqueação bruta de pelo menos 100 toneladas). Desse total, cerca de 60.300 grandes embarcações oceânicas (com arqueação bruta superior a 1.000 toneladas) dedicadas ao transporte internacional de cargas, incluindo graneleiros, petroleiros e navios porta-contêineres.
“- Combustível de aviação para abastecer cerca de 30 mil aeronaves comerciais no mundo. Incluindo a aviação privada/geral, militar e de carga, esse total sobe para mais de 500 mil aeronaves em todo o mundo. Globalmente, quase 100 mil voos comerciais decolam e pousam todos os dias. Em qualquer momento, há aproximadamente de 12.000 a 15.000 aviões no ar em todo o mundo.
“- Gasolina: O consumo mundial de gasolina gira em torno de 25 a 27 milhões de barris por dia (mais de 1,1 trilhão de litros anualmente). Impulsionada principalmente pelo transporte de passageiros e veículos leves, essa demanda representa uma grande parcela do consumo global de petróleo, com a América do Norte e a região Ásia-Pacífico liderando os rankings de consumo.
“- Diesel: O consumo global de diesel está se aproximando de 1,4 trilhão de litros anualmente, representando cerca de 32% de todo o consumo de combustíveis líquidos. Impulsionado pelos setores de transporte de cargas, agricultura e construção, ele continua sendo a principal fonte de energia para mais de 60% do transporte de cargas mundial.”
Em suma, as discussões sobre energia, no Brasil e no mundo, necessitam de menos palavras ao vento e cabeças insoladas e muito mais pés no chão.
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