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Na semana passada, a cidade de Nova York, um símbolo global do poder financeiro e cultural, mergulhou em uma crise histórica. O prefeito Zohran Mamdani, eleito há poucos meses após uma campanha focada no combate à desigualdade e na promessa de taxação dos super-ricos, anunciou que a cidade enfrenta um colapso financeiro, com um déficit de US$ 12 bilhões no orçamento.
Mamdani afirmou que Nova York está "quebrada", ou seja, na prática, declarou a falência da cidade. Em sua curta gestão, ele já se tornou um exemplo emblemático de má condução econômica e de gestão pública. Mas ele não está sozinho: o episódio ecoa padrões observados em diversos governos ao redor do mundo – e tem paralelos preocupantes com o cenário brasileiro.
O queridinho das esquerdas violou um princípio elementar: não se pode gastar indefinidamente acima da receita. Em vez de promover ajustes fiscais, cortar desperdícios e reavaliar prioridades, a gestão optou por expandir despesas. Para sustentar esse crescimento, apostou em receitas futuras incertas e em ajuda externa — medidas que apenas adiaram o problema. Sem controle de gastos nem eficiência na alocação de recursos, o resultado foi o colapso das contas públicas e a contração da atividade econômica, com impacto direto sobre a população. Quem poderia imaginar?
Na tentativa de compensar o déficit, a administração elevou ainda mais a carga tributária. Mamdani criou novos impostos sobre imóveis de alto padrão, aumentou as alíquotas para rendas elevadas e ampliou a tributação sobre as empresas. Mas a expectativa de aumento da arrecadação não se concretizou. Pelo contrário: empresários e investidores reagiram migrando para ambientes mais favoráveis, como a Califórnia, o Texas e a Flórida. Essa fuga diminuiu a base produtiva da cidade, enfraqueceu a geração de empregos e reduziu a arrecadação.
O ambiente de negócios também se deteriorou. A proliferação de normas, exigências e entraves burocráticos tornou a abertura e a manutenção de empresas um desafio oneroso e incerto. Pequenas e médias empresas, que sempre foram o motor da economia local, foram as mais afetadas. Com custos crescentes e insegurança regulatória, muitas encerraram atividades ou deixaram a cidade. O setor imobiliário também sofreu. Projetos foram adiados ou cancelados diante de regras instáveis e de maior intervenção estatal, diminuindo a oferta de moradia.
Políticas públicas desconectadas da realidade fiscal, excesso de intervenção estatal e aumento contínuo da carga tributária costumam levar ao desastre, e os pobres são os primeiros a pagar a conta
Outro fator foi a ênfase de Mamdani em políticas identitárias como eixo central da gestão. Programas direcionados a grupos específicos, baseados em critérios como raça, gênero e orientação sexual, ampliaram divisões sociais, enquanto problemas estruturais da economia ficaram em segundo plano. A combinação de aumento de gastos, baixa eficiência e fragmentação social contribuiu para deteriorar a confiança geral no prefeito.
Enquanto Nova York enfrentou uma crise explícita, o Brasil convive com sinais de alerta, como déficits persistentes, crescimento modesto e pressões inflacionárias. Embora existam diferenças estruturais entre os dois contextos, a lógica econômica subjacente é semelhante: gastos elevados e políticas mal calibradas tendem a produzir desequilíbrios que se acumulam ao longo do tempo.
Qualquer semelhança não é mera coincidência. A expansão de gastos públicos, o aumento da carga tributária e a adoção de políticas redistributivas também fazem parte da receita do atual governo. Propostas de taxação sobre renda elevada, lucros e patrimônio são frequentemente apresentadas como solução para financiar políticas públicas, ignorando o potencial impacto dessas medidas na atração de investimentos e na segurança jurídica.
O padrão observado é recorrente: aumento de despesas, tentativa de compensação via tributos mais altos, reação negativa do setor produtivo e, por fim, desaceleração econômica. Quando a base de arrecadação encolhe, o desequilíbrio fiscal se aprofunda, criando um ciclo difícil de reverter.
A falência de Nova York ilustra os limites de políticas que priorizam a arrecadação e a redistribuição sem considerar a geração de riqueza. Sem um ambiente favorável ao investimento, ao empreendedorismo e à inovação, a capacidade de sustentar programas sociais se reduz drasticamente.
O colapso mamdânico deveria funcionar como advertência. Políticas públicas desconectadas da realidade fiscal, excesso de intervenção estatal e aumento contínuo da carga tributária costumam levar ao desastre, e os pobres são os primeiros a pagar a conta, na forma de inflação e aumento da violência. A narrativa da justiça social, quando dissociada da sustentabilidade financeira, produz efeitos contrários aos pretendidos.









