viagens de Bolsonaro
Bolsonaro provocou aglomeração na solenidade de lançamento de pedra fundamental de obra na BR-367, em Jacinto (MG)| Foto: Alan Santos

O presidente Jair Bolsonaro fez 13 viagens em dezembro, percorrendo nove estados, ao custo de R$ 2,15 milhões. Mas ele não visitou hospitais para ver se faltavam leitos de UTI, respiradores, profissionais de saúde ou oxigênio. Metade do dinheiro foi investido nas suas férias no Guarujá e em São Francisco do Sul (SC). Mais 22% foram gastos em deslocamentos para várias cerimônias militares e uma religiosa. As visitas a obras públicas consumiram apenas 29% do total. Com os últimos números, a despesa com viagens em 2020 chegou a R$ 10,7 milhões.

Com o aumento do número de viagens, os gastos com cartões corporativos também explodiram em dezembro, chegando a R$ 1,2 milhão. Mas os cartões não cobrem apenas as despesas com deslocamentos do presidente e de seus familiares. Pagam também as despesas da residência oficial do presidente, o Palácio da Alvorada, e despesas pessoais do presidente.

O blog havia apresentado um levantamento parcial no início de fevereiro, apontando gastos de R$ 720 mil em dezembro do ano passado, com um total de R$ 8,5 milhões no ano. Mas faltava a apresentação de contas de 13 viagens, o que ocorreu no final de fevereiro. Sete dessas viagens ocorreram em dezembro, somando mais R$ 1,4 milhão, num total de R$ 2,15 milhões naquele mês.

Desse total, R$ 1 milhão foi consumido com as aprazíveis férias de Bolsonaro em instalações militares: o Forte dos Andradas, no Guarujá; e o Forte Marechal Luz, em São Francisco do Sul; acompanhado de mais de cem assessores e militares. Tudo pago com dinheiro público. As novas prestações de contas elevaram o total de despesas em viagens para R$ 10,7 milhões.

Os gastos com as cinco cerimônias militares, com formaturas de aspirantes e entrega de espadins, comemoração do Dia do Marinheiro e formatura de policiais militares, além da Convenção das Assembleias de Deus da Bahia, custaram R$ 400 mil aos contribuintes. As viagens a serviço, com visitas a obras em andamento e lançamento de pedra fundamental, consumiram mais R$ 626 mil. Naquela época, já iniciada a segunda onda da Covid-19, Bolsonaro ainda colocava em dúvida a eficácia de vacinas.

As diárias e o tamanho das comitivas

Parte das despesas com viagens é com diárias para assessores e integrantes das equipes de segurança presidencial. Só em dezembro essas diárias somaram R$ 560 mil. Ao longo de 2020, foram R$ 4,3 milhões. Quem recebe são altos funcionários e militares lotados na Presidência da República. Na viagem a Porto Alegre, em 10 de dezembro, para a inauguração do eixo principal da nova ponte do Rio Guaíba e liberação de um trecho de 27 quilômetros da duplicação da BR-216, que liga a capital a Pelotas, foram pagas 97 diárias a servidores, num total de R$ 70 mil. Havia na equipe 8 praças e 13 oficiais superiores (de major a coronel), além de 34 sargentos.

Nos dias 4 e 5 de janeiro, Bolsonaro prestigiou formaturas de aspirantes da Aeronáutica e do Exército, em Pirassununga (SP) e Resende (RJ) e ainda deu uma passarinha na Convenção das Assembleias de Deus, em Salvador. Foram pagas 82 diárias no valor total de R$ 46 mil. O custo total do rápido roteiro ficou em R$ 222 mil.

Em 17 de dezembro, houve programação dupla, com lançamento da pedra fundamental para implantação e pavimentação da BR-367, em Jacinto (MG); e Cerimônia de assinatura de atos de apoio ao setor produtivo, em Porto Seguro (BA). As duas viagens custaram R$ 194 mil, sendo R$ 52 mil com 104 diárias. A comitiva contava com 15 oficiais superiores, um general e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Fretas. Foi um dos locais onde o presidente promoveu grande aglomeração, com apoiadores sem qualquer proteção contra a Covid-19.

Visita técnica à torre do relógio

Bosolnaro fez uma “visita técnica” à torre do relógio da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo, com pronunciamento para milhares de pessoas que se acotovelavam na passarela do pavilhão do Mercado Livre do Produtor. Mais R$ 122 mil na conta do Tesouro, sendo R$ 52 mil para pagar 70 diárias.

Mas a maior despesa foi mesmo no alegre passeio pelo Guarujá, onde o presidente Bolsonaro andou de moto pela cidade, seguido da sua equipe de segurança, visitou quiosques, fez selfies com apoiadores, caminhou pela praia e até pulou de um barco para nadar até um grupo de banhistas aglomerados. Também participou de partida de futebol com amigos em Santos.

O custo da estada no Forte dos Andradas chegou a R$ 850 mil, sendo R$ 140 mil com 114 diárias. Mais uma vez, a presença de 13 oficiais superiores. Havia também 54 sargentos, alguns deles com direito a R$ 4,6 mil em diárias. A viagem a São Francisco custou mais R$ 198 mil, com R$ 75 mil gastos com diárias. Houve também a viagem de 11 militares para o Guarujá, de 23 de dezembro a 5 de janeiro, para integrar a equipe de segurança em apoio à viagem de familiares do presidente. As diárias e passagens custaram mais R$ 35 mil.

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