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Luís Ernesto Lacombe

Luís Ernesto Lacombe

STF

Com afastamento de Andrei Rodrigues, Alexandre de Moraes perdeu mais uma

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Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal afastado por ordem de André Mendonça. (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

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No jogo sujo de Alexandre de Moraes, ele se deu mal. A decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e também o diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, é mais uma derrota para Moraes. Desde 2019, o tirano vinha ganhando força. Agora, finalmente, encontrou resistência forte. Até aqui, parecia que ele podia tudo... Até monitorar um colega de corte e usar seis relatórios produzidos em agosto por gente da PF para tentar incluir Mendonça no ilegal “inquérito do fim do mundo”.

A importância do que Moraes recebeu é zero. São “documentos” sem timbre, apócrifos, sem autoria e data verificáveis. Quem os produziu assume, inclusive, que nada ali tem “valor probatório” e que “a confiança agregada é baixa”. Considerando-se acima da lei, Alexandre de Moraes não se importou. Até as condutas do advogado-geral da União, Jorge Messias, e de agentes e delegados da própria Polícia Federal foram “analisadas”. Um dos documentos insinua que “a matriz religiosa comum” de Mendonça e Messias teria levado a AGU a não recorrer contra medidas do relator do caso Master e do INSS.

Tudo leva a crer que Moraes pediu o monitoramento de Mendonça e a produção dos relatórios que não valem para nada

O material foi enviado a Alexandre de Moraes por ofício assinado por Andrei Rodrigues no dia 1.º de setembro, às 18h45. Algumas horas antes, Mendonça tinha tornado público o relatório da PF sobre mensagens do celular de Daniel Vorcaro. Muitas tinham como destinatário o ministro Moraes. Mendonça classificou a produção dos documentos como “imprópria e ilícita” e apontou indícios de “omissão, participação ou conhecimento dos dirigentes”.

A cautelar vai ser analisada pela Segunda Turma do STF em sessão virtual extraordinária na próxima terça-feira, mas Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam seus votos e acompanharam integralmente a decisão de André Mendonça. Com maioria já consolidada, Gilmar Mendes pediu vista, mas ele terá muita dificuldade para defender Moraes, seu costumeiro parceiro de “traquinagens”. Mendonça aplicou a jurisprudência do próprio Moraes para afastar Andrei Rodrigues. Em sua petição, ele cita o afastamento do governador do Distrito Federal, depois do 8 de Janeiro.

André Mendonça falou também em distopia, como a do livro 1984, do britânico George Orwell. E o tirano na história agora é Alexandre de Moraes. Parece claro que o magistrado não tem como se defender de todas as suspeitas contra ele envolvendo Daniel Vorcaro. Tudo leva a crer que Moraes pediu o monitoramento de André Mendonça e a produção dos relatórios que não valem para nada. Serviram apenas para mais uma tentativa sua de promover perseguição àqueles que se voltam contra suas decisões abusivas, arbitrárias e ilegais.

Moraes é assim: barrou a indicação de Alexandre Ramagem para diretor-geral da Polícia Federal por Jair Bolsonaro. A prerrogativa constitucional do presidente foi rasgada... Interferir e corromper a autonomia da PF, pelo jeito, não é para qualquer um... Moraes falou sem parar em “Abin paralela”, e agora pode ser enquadrado por “espionagem de Estado”. Moraes perseguiu um jornalista que, segundo o ministro, teria monitorado Flávio Dino. E, de novo, pelo jeito, não é qualquer um que pode “espionar” ministro do Supremo...

E onde entra Lula nisso tudo? Por mais que ele queira se afastar de Moraes agora, pensando na campanha eleitoral, não tem jeito. Os dois são cúmplices desde 2019. Se Andrei Rodrigues foi cooptado pelo ministro do Supremo, difícil crer que Lula, mais uma vez, não soubesse de nada. Flávio Dino, quando era ministro da Justiça, disse claramente que “a Polícia Federal estava a serviço da causa do Lula”... O diretor da PF estava no palanque com o petista no desfile da independência... O governo fala em recorrer ao STF contra seu afastamento... Juntando-se tudo isso, dá para perguntar: a causa do Lula não é a causa do Moraes?

Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos

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