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Não há mais como negar: Lula está consistentemente se alinhando a todos os inimigos de Israel, inimigos do Ocidente e do estado de direito, da decência e de tudo de bom que a humanidade conseguiu construir. O chefe do Executivo se alia a vários países que ainda estão ou nunca saíram do modelo autocrático - leia-se ditadura - e o Brasil está sendo levado a esse bloco extremamente rápido. Não foi um discurso à toa, para render mídia e até como se refere o presidente do senado, Rodrigo Pacheco, mas vem de uma construção perigosa, calculada e que não vai parar sem impeachment.
Cito cinco atos que demonstram cisão diplomática desnecessária:
1. Financia e vai continuar financiando a UNRWA, que tem operadores do Hamas;
2. Aderiu à carta da África do Sul que condena Israel por se defender;
3. Entrou no tribunal de Haia contra Israel;
4. Proferiu discurso anti-semita alinhado com Hamas;
5. Convocou o embaixador em Israel de volta ao Brasil.
Não é a primeira vez que Lula se pronuncia dentro de um contexto antidemocrático. No ano passado, todos os países do mundo civilizado estavam retirando investimentos de uma organização supranacional dentro da ONU, a UNRWA, responsável por refugiados palestinos e comprovadamente composta por vários membros do Hamas. Todos pularam fora, mas o Lula dobrou a aposta também nisso. Resolveu financiar essa organização com o nosso dinheiro.
Ademais, ele coloca o Brasil em uma rota de colisão com seus aliados tradicionais e com a própria sociedade, pois não está atacando apenas o estado constituído de Israel, como bem apontou o ministro Netanyahu, Lula também condena a religião judaica e a etnia judaica. Ele ataca os três, indistintamente. Trata-se de não apenas um problema do discurso, mas fruto de uma atitude incompatível com a postura de um protagonista do estado.
Como detentor de poder institucional, ele não poderia jamais fazer essa colocação, pois se trata de uma declaração de guerra velada que ameaça o país não apenas em sua soberania territorial, mas na redução de aportes de investimentos e sob o risco de sanções internacionais. E ele nem se importa.
Irã das Américas - Países árabes como a Jordânia - que faz fronteira com Israel -, assim como Síria - que foi bombardeada -, Líbano - que tem o Hezbollah dentro de suas fronteiras -, Egito, Arábia Saudita, e outros países árabes, não se pronunciaram nesse sentido. O único estado que se posiciona de forma truculenta como Lula foi o Irã, abertamente, do ponto de vista institucional ao se declarar inimigo do estado israelense. À exceção deste último, só grupos terroristas.
Com isso, Lula se alinha a países totalmente fora da curva, arruinando completamente as nossas relações exteriores. Infelizmente, a atitude do ocupante do Palácio não é um erro, mas uma construção consistente. Sua fala não é uma demanda natural da nossa sociedade, nem das nossas instituições, mas fruto de seu desejo por novas “amizades”, provavelmente com muito poder aquisitivo. Elas certamente estão olhando para o Brasil e pensando: “que maravilha! Geopoliticamente, seria excelente para o nosso bloco ditatorial anti-ocidentais, ter uma nova mega Cuba ou um Irã tupiniquim no bloco ocidental!”. Sim, o Brasil está a apenas um discurso de se tornar o Irã das Américas.
Como resultado, podemos esperar que o país seja visto pela comunidade internacional como mais um com quem ela terá de lidar, como o Irã. Isso é prejudicial e não será um pedido de desculpas a remediar a situação. Talvez mais uma ou duas gerações serão necessárias para consertar o estrago.
Dobrar a aposta e perder - Nesta terça-feira, dia 20 de fevereiro, o governo Lula anunciou que vai à corte internacional de Haia por “anexação ilegal de territórios palestinos”, a exemplo do que já havia feito, em apoio à Africa do Sul, na mesma corte, em dezembro do ano passado, sob a mesma alegação de “genocídio”.
Curiosamente, essa palavra é de autoria de um advogado judeu polonês, Raphael Lemkin para qualificar as políticas de extermínio sistemático contra os judeus que culminaram com o Holocausto, fato que Lula nega ao comparar Israel a seus algozes. Execrável e repulsivo, são as outras duas que uso para qualificar as declarações de Lula, que obrigará todos os cidadãos de bem a se retratarem para não serem confundidos com o ocupante do Planalto.
Repercussão Internacional - Mesmo a imprensa mainstream, com toda a força da chapa branca que tem, não conseguiu abafar o escândalo e as consequências do discurso de um presidente despreparado ou melhor, preparado para assumir a ditadura. Declarado persona non grata, isto é, pessoa que não é bem-vinda, os efeitos são mais morais que institucionais, uma vez que Lula, parece-nos, não tem intenção de visitar Israel.
Poucas pessoas prestaram também a devida atenção às circunstâncias dos pronunciamentos dos chefes de executivo do Brasil e de Israel. Lula falou na Etiópia, na 37ª Cúpula da União Africana, para os pares com quem tinha laços ou mesmo cumplicidade, no caso da África do Sul, a quem apoiou na questão contra Israel. Ambos foram derrotados na corte de Haia.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fez seu discurso em uma reunião de associações judaicas americanas, evidentemente um público que tem muita influência nas decisões de investimentos e evidentemente deve orientar os investimentos dos Estados Unidos para fora do Brasil, o que também afeta as relações exteriores com aquele país.
Provavelmente o Brasil também deve deixar de contar com Israel na cooperação tecnológica, sobretudo no campo da segurança, e pode contabilizar prejuízos no campo comercial e econômico.
Traição da História diplomática - O maior prejuízo, no entanto, é na desmoralização do país, pois com o pronunciamento de Lula o Brasil trai sua história. Foi o Brasil, por meio do diplomata Oswaldo Aranha, que presidiu a sessão da Assembleia Geral da ONU, em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, que criou o Estado de Israel. Portanto, não somos apenas signatários da proposta, mas articuladores de uma decisão que criou justiça para um território que estava secularmente em conflito. A presença brasileira na mediação de conflitos, tal como foi com Oswaldo Aranha e dom Pedro II, é um prestígio o qual este governo nunca irá desfrutar.
Está claro que a decisão de criar um estado israelense não resolveu as questões entre árabes e judeus, mas foi a porta de entrada para o diálogo do Brasil e dos demais países com a comunidade árabe e judaica na região. Veja a gravidade: países que não reconhecem Israel como estado não vieram a público para condenar a legítima defesa de Israel, enquanto o Brasil, que foi um dos criadores do Estado de Israel, levanta-se para condená-la.
As consequências começam a aparecer - O pronunciamento criou cisma na comunidade judaica no Brasil, pois embora a CONIB (Confederação Israelita do Brasil), tenha declarado que a fala de Lula seja “distorção perversa da realidade”, um braço judaico esquerdista em São Paulo o defendeu. Como sempre, a esquerda cria divisão para se firmar.
Hoje o Itamaraty divulgou que pode expulsar o embaixador de Israel do Brasil, em retaliação ao “sentimento de emboscada” sofrido pelo representante brasileiro Frederico Meyer, por ter sido repreendido em Hebraico, língua falada em Israel e que ele não domina, embora o idioma seja corrente e, pressupõe-se, obrigatório para o representante do Brasil em embaixada tão significativa, em vista dos 148.329 judeus - dados do IBGE - que formam a segunda maior comunidade judaica da América Latina, atrás apenas da Argentina.
Por ter praticamente rompido com um parceiro tecnológico e o único democrático no Oriente Médio, o ocupante do Planalto alinhou o Brasil com países sem tradição diplomática ou com tradição belicosa ditatorial. Não haverá retratação, nem desculpas. Esse é o plano.
Conteúdo editado por: Jônatas Dias Lima

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.


