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Não bastasse o fato de termos um criminoso descondenado no mais alto cargo do país, parece que o governo busca escândalos para deliberadamente envergonhar o povo brasileiro ainda mais; seja na sua gastança sem limites, seja no deslumbramento de sua mulher, seja na ficha suja de praticamente todos nos seus ministérios e assessoria, a conta da lambança chegou para o povo pagar: desde janeiro, mais de 400 mil empresas encerraram as atividades, 600 indústrias fecharam as portas e agora quase 10% da população está desempregada. Isso para não mencionar as mancadas em relações exteriores.
7 de setembro revelador - No último dia 7 de setembro, dia da proclamação da Independência, ficou patente o descontentamento da população, que esvaziou as cerimônias oficiais e preferiu descer para a praia, comemorar em casa com a família ou não fazer nada na data mais importante para a identidade brasileira.
Os tristes desfiles de militares envergonhados só tiveram a pouca audiência de funcionários e militantes pagos com esmola e mortadela, como é praxe da esquerda, e a mídia se esforçou muito para minimizar o desastre das aparições públicas do presidente e de suas autoridades. Chega a ser risível a manchete do site G1 “Estamos comemorando a liberdade que todos nós temos” - ignorando que ainda há presos políticos inocentes sem direito a julgamento e privados de condições mínimas de sobrevivência - ou a do Poder 360: “ 7 de setembro atrai público novo”, ao mostrar a foto de meia dúzia de gatos pingados em fila indiana. A verdade é que este 7 de setembro virou meme nas redes sociais porque não havia público para aplaudir quem representasse corrupção, traição, apoio ao narcotráfico e falta de justiça. Só pagando, mesmo.
Enquanto isso, muitos se perguntavam: ”onde estão os 60 milhões de eleitores que levaram este senhor ao Planalto?”. Se as campanhas do “fique em casa” nas redes sociais eram direcionadas a um público específico, onde estão os outros, simpatizantes deste governo? Não há ninguém, este governo está só e por isso o presidente foge o quanto pode do país e de seus problemas, que requerem um chefe de governo com coragem e discernimento. Não é o caso.
Os tristes desfiles de militares envergonhados só tiveram a pouca audiência de funcionários e militantes pagos com esmola e mortadela, como é praxe da esquerda
Pilares caem - Em março deste ano, três meses depois da posse, publiquei aqui na Gazeta do Povo um artigo intitulado “Pilares caem”, sobre os cinco pilares que sustentavam o governo Dilma e ruíram poucos meses após ela assumir o governo: a opinião pública, o apoio parlamentar, os ministérios, o empresariado e a mídia. Mas naquela época havia duas alavancas importantes: a Operação Lava Jato e ativistas organizados. Essas duas variáveis foram fulcros fundamentais para o impeachment da Dilma. A primeira não tem chances de voltar com esse governo e a segunda parece estar esperando para ver a crise de paspalhadas do governo aumentar antes de voltar às ruas. Talvez não reagir a nada de interesse do governo seja o novo modelo de protesto.
A mobilização popular tem nuances curiosas: o mesmo “fique em casa” que quebrou empresas e promoveu desemprego, isolamento social e depressão em épocas de pandemia, promovido por “artistas” e outros com salário garantido, adquiriu cores verdes e amarelas na oposição a um governo ditatorial, incompetente para administrar a economia, esbanjador e nada solidário, bem como seus asseclas civis e militares. A indiferença, como presenciamos nas ruas desertas e esvaziamento dos desfiles, é o grito de descontentamento geral.
Novo Ciclo - Em outro artigo, em que faço um levantamento histórico, recorro ao pensamento de Políbio, que aprimorou a teoria dos Ciclos de Platão e traço um paralelo com a situação no Brasil. Olhando para trás, todo ciclo começa de modo virtuoso, no nosso caso, com a valorização do indivíduo, das leis, da constituição, dos direitos universais, do bem-comum e da civilização.
Aparentemente estamos chegando ao final desse ciclo, pois todas as ideias e práticas foram corrompidas e estão decadentes. Um final triste, marcado no século 20 pela república da espada, que degolou milhares de brasileiros sob o comando de Floriano Peixoto, até o deboche de eleger criminosos para comandar cidadãos de bem e atender a interesses de grupos estrangeiros e nacionais.
Incompetentes, sociopatas ou ambos? A recente tragédia no Rio Grande do Sul, enchentes que mataram até agora 47 pessoas e deixaram milhares de desabrigados, não sensibilizou o casal que ocupa a presidência. O autoproclamado “pai dos pobres”, abandonou o país para ser humilhado na Índia, junto com a mulher, que declarou estar a caminho daquele país para “dançar”. Nem um pingo de compaixão, solidariedade às vítimas. Nenhum semblante de urgência, nada. Fica parecendo que os planos de vingança se estendem não apenas à oposição, mas a tudo o que representa civilização e produtividade, marcas do Rio Grande do Sul, um estado reconhecidamente desenvolvido.
Talvez não reagir a nada de interesse do governo seja o novo modelo de protesto
Nas redes sociais, milhares de cidadãos se pronunciam contra esse descaso do Poder Executivo Federal e tentam colaborar se cotizando para envio de água e víveres. A causa das enchentes aparentemente foi um ciclone extratropical, um fenômeno geológico, e não climático, como afirmou Lula em sua fala no G20. De qualquer modo, depois de o estado se reerguer - essa é a tradição dos gaúchos, sempre levantar a cabeça com coragem - haverá investigação sobre o caso.
Independentemente da incompetência, não é a primeira vez que este governo ignora o povo. Em fevereiro deste ano, enquanto o litoral norte de São Paulo sofria com as chuvas e enchentes que deixaram 40 mortos e mais de dois mil desabrigados, o casal na presidência estava pulando carnaval na Bahia, confortavelmente instalado no camarote de Gilberto Gil. São exemplos como esse que fazem o apoio sumir de todos os lados. Os únicos apoiadores são os que ganham em manter um governo fraco: o Centrão. Quando a opinião pública focar nos parlamentares do Centrão, esse governo acaba, pois não precisamos de mais péssimos exemplos para a verdade não vir à tona – já vão saber que esse governo não vale sequer um xingamento.
Conteúdo editado por: Jônatas Dias Lima

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de d. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França. Autor dos livros “Por que o Brasil é um país atrasado”, “Antes que apaguem”, “A Libertadora – Uma Nova Constituição para o Brasil” e “Império de Verdades”. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



