Em 2012, quando tinha 17 anos, a paranaense Andressa Mezari Cintra registrava em seu perfil no Instagram coisas típicas da adolescência. Entre fotos com seu gatinho de estimação e várias selfies, contudo, a garota não escondia os planos para o futuro.
“Primeiro ano de conquistas”, diz a legenda de seu primeiro post na rede social. Na imagem, sete medalhas de pequenos torneios regionais de jiu-jítsu, como o Cianorte Open, Umuarama Jiu-Jítsu Championship e o Torneio de Campo Mourão, sua cidade natal.
Cinco anos depois, as medalhas continuam chegando — agora cada vez mais pesadas. De adolescente sonhadora, ela passou a supercampeã, com três títulos mundiais em duas graduações diferentes.
Andressa venceu o principal campeonato da IBJJF (Federação Internacional de Jiu-Jítsu) na faixa roxa em 2016, disputando entre as médias (até 69 kg). No ano passado, já nas meio-pesadas (até 74 kg), repetiu a dose na faixa marrom e dominou também na categoria absoluto (sem restrição de peso).
Aos 22 anos, Cintra fechou 2017 já como faixa-preta. Após a conquistar o Sul-Americano da IBJJF, em São Paulo, o mestre Sebastian Lalli, da academia Checkmat, graduou a pupila em cima do pódio.
Uma das etapas do sonho estava cumprida. Agora a meta é continuar brilhando na elite.
“Sempre fui competitiva e queria me destacar. Mas quando comecei achei muito difícil e pensei: ‘preciso aprender esse negócio’. Então com um mês de aula já fiz a primeira luta. Ganhei, não sei nem como, mas isso me motivou a treinar mais”, explica a lutadora, que aos 18 anos trocou Campo Mourão por Maringá para “estudar”.
A faculdade de Educação Física, na verdade, era só desculpa para os pais. Andressa mudou mesmo de cidade para poder treinar com a frequência necessária para evoluir.
Com dois treinos diários ao invés de três vezes por semana, ela começou a se destacar em campeonatos. Foi acumulando medalhas. Pouco tempo depois, largou os estudos de vez para treinar em São Paulo.
Lá, morou em duas academias até chegar à faixa-roxa. Só que o custo de vida e a falta de patrocínios a trouxeram para Curitiba para morar com a mãe.
“Vim para Curitiba cerca de um mês antes do Mundial [em 2016]. Me ajudaram muito aqui, consegui patrocínio para bancar a passagem e ganhei o ouro na minha categoria e o vice no absoluto”, lembra.
Apesar do currículo, a atleta não é exceção quando o assunto é reconhecimento. Os patrocínios escassos a fazem pensar em seguir a carreira no exterior. Uma decisão praticamente inevitável.
“Muito difícil [a vida do lutador de BJJ no Brasil]. Meu único patrocínio é de quimono da marca Storm Strong, que me ajuda com inscrições de campeonatos e algumas bonificações em dinheiro quando venço. Mas não é muito. O jiu-jítsu está crescendo muito, ganhando visibilidade, mas ainda é preterido por não ser olímpico”, explica.
Nesse cenário, o MMA aparece como uma saída para muitos praticantes da arte suave. Mas no caso de Andressa, por enquanto, não é uma opção.
“Tenho muito medo de estragar meu nariz bonitinho”, brinca.
“O jiu-jítsu é uma arte suave…. eu nem sei dar soco, mas se vierem me bater eu sei me defender, boto pra dormir. Agora não tenho vontade [de migrar para o MMA]. Quero ensinar o que sei, dar seminários, ser campeã mundial na faixa-preta e reconhecida no BJJ”, planeja Andressa.
A lutadora, aliás, conta que por que não tem medo das famosas orelhas de couve-flor, marca registrada de praticamente de jiu-jítsu. O motivo é simples: ela não pretende mais apanhar.
“Minha orelha já estourou e tive de drenar. Foi de tanto que apanhei, esfolaram minha cabeça tatame. Mas só estoura se você apanha”, diverte-se a promessa da nova geração dos tatames.
Fotos: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
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