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China intensifica perseguição religiosa, mostra novo relatório dos EUA
| Foto: NICOLAS ASFOURI /AFP

Acaba de ser divulgado o relatório anual da USCIRF 2020 (United States Commission on International Religious Freedom), trazendo uma notícia boa e outra preocupante. A boa é que nenhum país foi adicionado à categoria dos grandes violadores de liberdade religiosa. A ruim é que o maior deles escalou os abusos.

São 9 os países que promovem ou toleram violações severas de liberdades religiosas: Arábia Saudita, China, Coreia do Norte, Eritreia, Irã, Myanmar, Paquistão, Tadjiquistão e Turcomenistão. O maior deles é a China, que está na categoria dos que promovem a repressão e piorou as violações.

O relatório foi feito com informações coletadas pelo governo dos Estados Unidos durante o ano de 2019. Na China houve abusos contra Uigures, Budistas Tibetanos, Cristãos, Falun Gonge e outros grupos religiosos. O relatório adverte oficiais norte-americanos em serviço no país para terem atenção a esse tipo de perseguição, que é real.

A perseguição do Partido Comunista Chinês contra os muçulmanos inclui campos de trabalho forçado e lavagem cerebral. Estima-se que há 1,8 milhão de Uigures e muçulmanos de outras vertentes em locais chamados de "Escolas Vocacionais", onde o governo dos Estados Unidos afirma haver um esquema cruel de lavagem cerebral.

Antigos detentos relatam que foram torturados e sofreram, entre outros abusos, estupros e esterelização forçada. A violência se estende à família dos muçulmanos: meio milhão de crianças muçulmanas são separadas de seus pais e criadas pelo Estado Chinês. Há ainda casos em que oficiais do Partido Comunista vão viver nas casas das famílias Uigures em Xinjiang para reportar tudo o que elas fazem.

A pandemia foi usada como desculpa para piorar os abusos contra a minoria muçulmana Uigur. Em Xinjiang, onde a maioria do povo vive, o lockdown foi mais intenso, com mais repressão e instituído sem aviso prévio. As pessoas não tiveram tempo nem de comprar comida e muitas famílias passaram fome.

O Partido Comunista Chinês tem uma estranha obsessão com a possibilidade de reencarnação do Dalai Lama, então reprime fortemente os budistas tibetanos. Em 2019, o governo da China mandou destruir as casas de 6 mil monges e monjas, que ficaram desabrigados.

A perseguição contra o Falun Gong, religião criada em 1992, também continua implacável. Era uma prática que inicialmente contava com o apoio do Partido Comunista Chinês. Falun Gong quer dizer "Prática da Roda da Lei" e é uma religião que combina meditação, exercícios físicos e obediência a princípios budistas. Após alguns anos de implementação, a organização passou a ser vista como ameaça ao Estado e seus membros são perseguidos.

No ano passado, milhares de praticantes do Falun Gong foram presos e há evidências de que o governo Chinês está lotando as prisões desses presos políticos.

A perseguição do Partido Comunista Chinês contra os cristãos acabou se misturando com a revolta em Hong Kong, onde os protestos duraram meses, e foi impactada pela pandemia de coronavírus. Muitos pastores cristãos de juntaram aos manifestantes em Hong Kong com medo de que suprimir a voz deles significasse uma perseguição ainda mais cruel contra os cristãos na China.

O governo da China quer que todas as igrejas cristãs sejam afiliadas ao Estado e que as Bíblias utilizadas sejam apenas as impressas pelo Partido Comunista Chinês, o que obviamente não é aceito pelos religiosos. No final do ano passado, a repressão aumentou.

Muitos pastores fazem cultos nas próprias casas em vez de abrir as tais igrejas ligadas ao Estado. Um dos mais famosos é o Pastor Wang Yi, que recebeu a sentença de 9 anos de prisão em dezembro do ano passado por se recusar a submeter a igreja ao Partido Comunista Chinês. Vários governos locais ofereceram, no final de 2019, recompensas em dinheiro para cidadãos que delatassem a existência de igrejas em casas.

A pandemia de coronavírus não fez com que a perseguição religiosa deixasse de ser prioridade. No início deste ano - período que já está fora do relatório do governo dos Estados Unidos - há notícias de que o Partido Comunista Chinês continuou a tradicional operação de remover cruzes das igrejas cristãs enquando o mundo estava preocupado com o vírus. Há um caso inclusive de igreja que foi completamente vandalizada durante a pandemia, a Xiangbaishu Church, na cidade de Yixing.

Os governos revelam suas prioridades pelo que escolhem priorizar durante uma crise. Parece que, para o governo Chinês, repressão religiosa é sempre prioridade.

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