| Foto:
Ouça este conteúdo

"Não é uma situação de 'se' haverá uma epidemia de um desses coronavírus mas de quando e como nós estaremos preparados para enfrentar", sentenciou em 2015 o virologista Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, especializado nesse tipo de vírus.

CARREGANDO :)

Era uma entrevista ao Science Daily sobre o artigo que acabava de publicar em conjunto com outros patologistas: "Um grupo de vírus parecido com a SARS e que já circula em morcegos mostra potencial para emergência humana". Existem cerca de 5 mil tipos diferentes de coronavírus e apenas alguns oferecem risco aos seres humanos.

Publicidade

O que preocupava o virologista Ralph Baric é uma possibilidade que havia sido confirmada e já era estudada por ele desde a década de 1990, a de que alguma variação de coronavírus fosse capaz de migrar de animal para humano sem necessidade de mutação. Caso, em seguida, um humano pudesse infectar outro, seria um risco altíssimo de pandemia.

A primeira vez em que se documentou a transmissão de um vírus do tipo SARS de animais para humanos foi na pandemia de 2002-2003, que chegou a um total de 8 mil casos com 800 mortes. A doença foi contida com medidas de saúde pública e os cientistas acreditam que o vírus original foi extinto em 2004.

A descoberta de Ralph Baric e sua equipe em 2015 foi uma nova modalidade de coronavírus ao qual eles deram o nome de SHC014-CoV. Encontrado em morcegos-ferradura pequenos, ele podia saltar, sem necessidade de mutação, entre humanos e morcegos. Em superfícies não-vivas, vírus são como minerais, inertes. Quando entram num organismo vívo, fazem com que as células desse organismo reproduzam novos vírus. Esse vírus descoberto em 2015 tinha preferência pelas células humanas do pulmão.

"Esse vírus é altamente patogênico e não é possível neutralizar nem controlar esse vírus em particular com os tratamentos desenvolvidos contra SARS em 2002 e nem com as drogas ZMapp usadas para combater o Ebola", advertiu o virologista em 2005. Ele imaginava que sua descoberta daria início a uma corrida de pesquisas.

Publicidade

"Construir recursos em vez de limitá-los, examinar populações animais para novas ameaças potenciais e desenvolver terapias é a chave para limitar futuras pandemias", pregava Ralph Baric.

Não houve exatamente uma corrida, mas o aviso não foi ignorado. A busca por um remédio eficiente contra essas espécies de coronavírus continuou, por meio de parcerias público privadas. A Gilead Inc, que é conhecida no Brasil principalmente pelos antivirais contra Hepatite C, participa do grupo de pesquisas integrado pela Universidade da Carolina do Norte e a Escola de Medicina da Universidade Vanderbilt.

Os medicamentos utilizados contra o ebola parecem ser os mais eficientes em deter o vírus. A pesquisa mais adiantada - e que ainda tem muito chão pela frente - é a do antiviral de amplo espectro GS-5734, publicada em 2017, ainda antes da fase de testagem em humanos. Vacinas também já foram testadas em animais. Em ratos, não demonstraram eficácia nos animais mais velhos.

A Universidade da Carolina do Norte abriu um portal onde atualiza tudo de mais recente que seus virologistas pesquisam sobre coronavírus.

Publicidade