Foto: Miguel Schincariol/AFP| Foto:

Eis que Lula falou. Quem me acompanha está farto de conhecer minha opinião a respeito do líder petista, mas não custa reiterá-la: para além do esquema de corrupção institucionalizado pelo PT — tendo a Justiça comprovado sua participação — e dos posicionamentos que expuseram o Brasil ao ridículo internacional, como proteger o assassino Cesare Battisti e estabelecer relação de camaradagem com regimes de exceção, Luiz Inácio é responsável direto por um atraso civilizatório que levaremos épocas para superar.

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Naquele que talvez seja o momento mais inaceitável em toda a sua trajetória, Lula desperdiçou uma chance única de mudar os rumos do país quando dispôs de legitimidade democrática, respaldo popular jamais visto e ampla sustentação política, mas ainda assim preferiu endossar um projeto que visava tão somente estabelecer a hegemonia do Partido dos Trabalhadores no poder.

A dúvida, sobre se esse é de fato o momento mais inaceitável de sua trajetória, se dá pelo discurso perverso que adotou para atingir seus objetivos. Um discurso cujos resultados podemos ver espelhados hoje nos tuítes do presidente da República e de seus filhos, em ministérios que propagam posicionamentos incompatíveis com a democracia e, acima de tudo, na quantidade de brasileiros dispostos a abraçar ideias que nada têm a ver com conservadorismo, mas sim com o que há de pior no ser humano.

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Por conta disso, Lula foi um dos personagens mais nocivos em nossa história recente. Ainda que tantos lancem mão de exemplos como o Bolsa Família para contra-argumentar — agenda tachada por ele próprio como “compra de votos”, quando começou a ser implementada por Fernando Henrique Cardoso.

Contudo, o sadismo de uns e a falta de inteligência política de outros conseguirão fazer de Luiz Inácio, não exatamente um mártir, como ele tenta parecer e seus apoiadores cansam de fantasiar, mas alguém digno de pena. Quase um injustiçado.

O sadismo é perceptível no tom de satisfação de muitos, quando se coloca que Lula não deveria sair “tão cedo” da cadeia. Idem quando defenderam que não pudesse presenciar o enterro do irmão. Se fez presente nas queixas por ter sido liberado para comparecer ao enterro do neto e, agora, quando lhe foi dado o direito de conceder entrevista.

A falta de inteligência política consiste, além dessa falta de humanidade e até do desrespeito por premissas estabelecidas em lei, no esforço que se faz para reacender um personagem político sabidamente em seus extertores. Mesmo considerando o interesse por parte do bolsonarismo em agir assim — afinal de contas, um governo tão despreparado precisa como nenhum outro de espantalhos que desviem a atenção da sociedade do que realmente interessa.

Já se passou um tempo considerável desde quando defendi o fim eleitoral de Lula para que, então, Luiz Inácio pudesse responder na Justiça sobre os crimes pelos quais era acusado. Ambas as situações já aconteceram, todavia ele conta com a sorte: seus adversários políticos não entendem do riscado.

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