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Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo
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Lula está certo. Acertou em cheio ao conduzir sua falsa candidatura até o limite para só em cima da hora lançar Fernando Haddad à presidência. Acerta agora quando diz que o PT não pode se diminuir; que precisa lançar candidatos sempre que for possível e que o partido vai, sim senhor, polarizar em 2022. Lula está certo. Errados estamos nós que ainda caímos nos seus discursos. Mesmo em casos como esse, quando ele escancara seu impassível pragmatismo.

A intransigência petista regou o fenômeno Jair Bolsonaro, e toda sorte de bichos estranhos que o circundam, com uma categoria comum aos profissionais. Também deu razão ao sujeito farto de ser constrangido a votar no menos pior. Acima de tudo porque, com frequência, nem sempre o menos é tolerável.

A única maneira de enfrentar o discurso de Luiz Inácio é entendendo o que ele diz. Melhor ainda, entendo o que ele faz.

Divide et impera. Não é de hoje que políticos buscam estimular cizânias na sociedade para pavimentar o seu caminho rumo ao poder. O problema é que a inocência do eleitor é contemporânea.

Lula é tão craque na leitura do cenário que até aquele considerado o seu grande equívoco até hoje, a invenção de Dilma Rousseff no papel de presidente da República, no fundo só aconteceu pela impossibilidade de escolher alguém como Antonio Palocci. Ninguém pode garantir, mas, se o ex-ministro da Fazenda tivesse sido o candidato, tudo leva a crer que o PT estaria no comando do país até hoje.

Lula é tão fera para alimentar a dicotomia política que periga usar o bolsonarismo como faz um menino sabido na arte de soltar pipa: dá linha quando convém, recolhe se for necessário. E assim ele vai, posicionando o fio do rival no ponto exato para cortar e depois aparar.

Lula e o PT deram vida ao bolsonarismo e à repulsa pela política. Reforçaram a tese popular de que político nenhum presta, abrindo espaço para que outro tipo de populismo funcionasse, mesmo incorporado por quem há décadas milita em Brasília, alavancando familiares e praticando a mesmíssima seara de costumes que se convencionou chamar de velha política.

Lula está certo. Transborda de razão. Errados estamos nós que alimentamos o fascínio em torno de seu nome por meio de idolatria, obediência e inclusive ódio coletivos.

O mais irônico é que não faz sequer sentido detestar quem, no fim das contas, jamais usou de armas ilícitas para alcançar os seus objetivos. Pelo menos não sem carta branca para tal.

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