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A cerimônia em homenagem às vítimas da Chapecoense foi um dos momentos mais bonitos e importantes da história do futebol paranaense. Simples, tocante, reuniu coxas-brancas, atleticanos e paranistas no Couto Pereira para lembrar os mortos na maior tragédia do esporte.

Serviu ainda para registrar algo que eu jamais pensei ser possível. Juntos, integrantes das torcidas organizadas de Atlético e Coritiba agitaram bandeiras, batucaram e cantaram “vamo, vamo, Chape”. Fanáticos, Império, Ultras, irmanados na dor.

Incrível. Para quem acompanha o futebol paranaense de perto há tanto tempo, e o histórico de desavenças entre as facções, chegou a ser surreal. A imagem de rubro-negros e alviverdes caminhando lado a lado pelas ruas de Curitiba foi especial. Mais tarde, um princípio de tumulto em nada manchou a iniciativa.

Agora, fica um pergunta, um tanto quanto óbvia até: até quando vai durar a paz entre as organizadas do Coxa e do Furacão? Em 19 de fevereiro tem Atletiba, na Arena da Baixada, pelo Paranaense. Será o dia em que teremos a resposta.

Gostaria muito de ver repetidas as cenas que observei na quarta-feira. E acho viável. Está nas mãos das torcidas, organizadas ou não. Que tal encamparmos o pacto de paz mais uma vez? E tornar rotina daqui para frente em todos os Atletibas.

A começar pela escolta policial. Império e Fanáticos abrem mão do acompanhamento da Polícia Militar (ou uma viatura basta), que fica apenas com a missão de observar as movimentações nos terminais de ônibus. Como disse, observar. Afinal, ninguém vai querer desonrar o combinado.

Na Arena, a mesma coisa. Atleticanos convidam os coxas-brancas a beber e bater papo no pré-jogo nos bares da Brasílio Itiberê. Não há necessidade de os alviverdes ficarem isolados na entrada da Coronel Dulcídio. É momento para celebrar o maior clássico do estado.

E dentro do estádio, nada de separação de setores. A torcida visitante segue no mesmo local, mas se quiser transitar, está liberada. E para reafirmar os novos tempos, uma bandeira da Fanáticos é tremulada na parte da Império e vice-versa.

Ficam aposentados também os cânticos que incitam ou/e exaltam a violência. Não fazem mais sentido, naturalmente. As músicas que contêm xingamentos entre os clubes, tudo bem, podem ser entoadas, digamos que façam parte da “cultura” do esporte.

Eu acredito. Nada disso diminui a rivalidade entre as duas torcidas. A disputa é no grito, na festa e, principalmente, na bola. Sem violência. Nas arquibancadas e fora delas, é possível conviver em harmonia, como já foi demonstrado no emocionante evento da Chape.

E aí? Vamos em frente? Ou só quando morrem 71 pessoas as torcidas se unem para demonstrar civilidade? Não quero acreditar nisso. Já vi que é possível, o exemplo foi ótimo, e será ainda mais fantástico se permanecer.

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