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No dia 19 de janeiro, fui cumprir uma agenda na cidade de Paracatu-MG. Assim que finalizei o compromisso, me preparei para voltar para casa; porém, senti um incômodo muito grande diante de tudo o que está acontecendo atualmente no Brasil. Então, coloquei em prática uma ideia que já havia pensado anteriormente e iniciei um ato simbólico: uma caminhada de Paracatu até Brasília, com o lema “Acorda, Brasil”.
Há prisões políticas, decisões judiciais injustas e questionáveis, censura velada, além de escândalos que atingem diretamente a população, como os casos do INSS e do Banco Master. A sucessão de abusos e absurdos criou um ambiente de desalento tão profundo que muitos já acreditavam que nada mais seria capaz de chocar ou mobilizar a sociedade. Foi nesse cenário que decidi fazer algo para, literalmente, acordar os brasileiros antes que fosse tarde demais.
Comecei a caminhada sozinho, mas sabia que o propósito era o mesmo de muitos. Isso fez com que, a cada quilômetro percorrido, a mensagem fosse ganhando força. Parlamentares de direita se juntaram à marcha; em seguida, crianças, jovens, idosos e famílias inteiras apareceram para somar. Pessoas com motos, carros, tratores e até helicópteros chegaram para prestar todo tipo de apoio, seja caminhando ou oferecendo água e alimentos.
No início, parlamentares de esquerda trataram o ato com deboche, tentando reduzi-lo a algo pequeno e irrelevante. Porém, conforme milhares de brasileiros passaram a acompanhar o movimento, a narrativa mudou. O que antes era motivo de escárnio passou a incomodar, a ponto de tentarem nos parar de inúmeras formas, até mesmo acionando a PRF, à qual agradeço por, em vez de barrar, ter ajudado na segurança dos participantes.
Após cerca de 255 quilômetros percorridos a pé, enfrentando sol forte, chuvas intensas e ventos, finalmente chegamos à Praça do Cruzeiro, em Brasília, onde fiz o último discurso e a última oração diante de quase 100 mil pessoas, segundo divulgado pela imprensa. Mas, claro, as fontes honestas; de acordo com a USP, eram apenas 18 mil pessoas.
Números impressionantes, principalmente diante da tempestade que ocorria, mas que confirmaram o tamanho da determinação do povo em mostrar o quanto está descontente com o cenário atual do país
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Sem qualquer espaço para confusão ou desordem que pudesse ser usado como pretexto contra o movimento, a esquerda teve de recorrer a um fenômeno natural — um raio que caiu em Brasília e feriu algumas pessoas, felizmente sem gravidade — para tentar manchar o ato. Aliás, mesmo após sete dias ininterruptos de caminhada, fiz questão de visitar as vítimas no hospital não apenas para prestar apoio, mas para mostrar que devemos estar unidos pelo nosso futuro. Sendo assim, ninguém fica para trás.
A forte mobilização e a repercussão da caminhada deixaram claro que este não foi um ponto final, mas um começo. Um chamado para que o povo brasileiro desperte, volte a se impor e compreenda que nenhum político, ministro ou instituição é maior do que a vontade popular. Que cada vez mais pessoas abram os olhos e ajudem outras a abrir também. Porque, quando o povo acorda, a história muda.




