

Galinha caipira ao molho de tomatinhos com polenta mole, o prato principal do almoço de domingo.
Estamos em uma fase de explorar o freezer. É que na maioria das vezes a gente se empolga quando sai às compras e vai juntando coisas e coisas, pensando no que fazer qualquer dia desses. Mas aí, quando decide mesmo fazer, é sempre na última hora e o que ficou congelado por lá permanece por mais uns tempos. Até que não sobra espaço para mais nada.
Ultimamente, devido a isso, estamos tentando projetar algumas de nossas refeições com antecedência suficiente a permitir o descongelamento (normal, na geladeira, sem pressão de imersão em água, microondas ou algo assim antinatural). Tem dado certo, pois nosso freezer é um baú de tesouros gastronômicos que não vínhamos conseguindo explorar a contento.
Pois nessa viração nos demos com uma bandeja de duas coxas de galinha caipira. E por que não reviver os sabores de nossas infâncias, quando galinha de granja era raríssima e cara, ao contrário das ciscadeiras que tínhamos no quintal?
Seria o almoço de domingo, estava decidido. Com o quê? Polenta, é claro, nada mais automático ou natural. Em vez do molho de tomates tradicional optamos pelos tomates-cereja, em abundância na geladeira. E para completar a densidade do molho um pouco de purê natural de tomates e 1 pitada de colorau (ideal seria a própria semente de urucum, mas pensei ter aqui e já havia acabado).
Um prato desses requer paciência pelo cozimento em fogo baixo. O mais baixo possível, na menor chama e com aquela chapinha do banho-maria por cima. Isso porque a galinha caipira tem a carne dura (ela pasta e anda muito, ao contrário da outra, de granja, que fica o tempo todo presa na gaiola) e só o cozimento em fogo lento para dar jeito.

O vinho do almoço, com uva bonarda, que se deu muito bem.
Pus para cozinhar a galinha e saí para tentar encontrar uma sugestão de entrada. Na geladeira havia cogumelos shimeji e ½ talo de alho-poró (o restante havia sido utilizado na véspera, em um tartare de atum que ainda pretendo postar aqui).
Tinha até pensado em usá-los em um recheio para mini-morangas que estão em boas ofertas no Mercadão. Mas aí vi uns fígados de frango bem fresquinhos e a entrada se compôs.
Como tinha ido ao Mercado também para atender a encomenda da Graça, de goiabada-cascão, aproveitei a loja mineira e comprei uma cachaça daquelas bem amarelinhas. Para guardar, mas também para flambar os fígados, por que não?
E assim se fez nosso cardápio domingueiro, começando com Fígados flambados na cachaça mineira, com refogado de alho-poró e shimeji, seguido de Galinha caipira ao molho de tomatinhos com polenta mole (acho que não preciso explicar como se faz a polenta, pois é só ferver a água e ir despejando aos poucos até ganhar o ponto).
De sobremesa, aproveitando a compra, Goiabada morna com queijo brie. É só cortar uma fatia, por uma de brie em cima e levar ao forno microondas por 10 a 15 segundos. O brie derrete e a goiabada fica um pouco mole – deliciosa combinação, um Romeu & Julieta um pouco mais afetado.
Um belo almoço de domingo, não há como negar.
(Ah, o vinho foi um Nieto Senetiner 2007, da uva Bonarda, que harmonizou perfeitamente)
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Fígados flambados na cachaça mineira, com refogado de alho-poró e shimeji

Fígados flambados na cachaça mineira, com refogado de alho-poró e shimeji, para começar em alto estilo.
Ingredientes
150g de fígados de galinha
Farinha de trigo
1 cálice de cachaça mineira
½ talo de alho-poró em rodelas
200g de cogumelos shimeji
2 colheres (sopa) de cebola picada
3 colheres (sopa) de azeite de oliva
sal
Flor de sal
Modo de fazer:
Limpe os fígados, corte-os ao meio e passe-os na farinha de trigo.
Aqueça 2 colheres do azeite em uma frigideira e salteie os pedaços de fígado até que dourem. Regue com a cachaça, deixe aquecer, incline a frigideira e flambe. Retire e reserve em local aquecido.
Despeje o azeite restante na mesma frigideira, aqueça e murche rapidamente a cebola picada. Acrescente o alho-poró e refogue até murchar.
Junte os cogumelos e refogue por um tempo, até que percam o excesso de umidade. Tempere com sal e reserve.
Na hora de servir, faça uma cama com o refogado de cogumelos e alho-poró e por cima ajeite os pedaços de fígado. Dê o toque final com a flor de sal.
Rendimento: 2 porções.
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Galinha caipira ao molho de tomatinhos

Ingredientes
1 colher (sopa) de gordura de pato
1 colher (sopa) de azeite de oliva
2 coxas de galinha caipira (600g)
1 cebola roxa média picada
3 dentes de alho amassados e picados
20 tomates-cereja (pode ser até mais) cortados ao meio
1 xícara de purê de tomate
1 colher (sopa) de colorau
Sal do Himalaia moído na hora
1 litro de água fervente
½ xícara de salsinha picada
Modo de fazer:
Tempere as coxas de galinha caipira com o sal do Himalaia moído na hora e deixe pegar gosto por uma hora, pelo menos.
Refogue as cebolas na gordura de pato com azeite até que comecem a dourar, mexendo ocasionalmente. Junte o alho e mexa por mais 3 ou 4 minutos.
Junte os pedaços de frango lavados e secos com papel toalha e tampe a panela. Aguarde 5 minutos, mexa novamente e tampe.
Junte os tomatinhos e mexa ocasionalmente até que o fundo da panela comece a secar. Adicione o purê de tomate, o colorau, misture bem e complete com a água quente até que cubra as coxas. Tampe e deixe cozinhar em fogo bem baixo (com uma chapinha sobre a menor chama de fogo baixo do fogão) por pelo menos duas horas (três é o ideal, quando a carne começa a querer se desmanchar). Mexa ocasionalmente e adicione mais água, caso necessário.
Quando o frango estiver cozido e macio, desligue o fogo, adicione a salsinha, tampe e deixe repousar por 5 minutos.
Sirva em seguida, com polenta mole.
Rendimento: 2 porções.
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