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Comércio do calçadão da Rua XV de Novembro em Curitiba.
Comércio do calçadão da Rua XV de Novembro em Curitiba.| Foto: André Rodrigues/Gazeta do Povo/ Arquivo

No aniversário de 50 anos do calçadão da Rua XV de Novembro, comemorado nesta quinta-feira (19), o presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Camilo Turmina, defende uma mudança na gestão das lojas. O dirigente propõe que a administração dos pontos comerciais da rua mais conhecida do Centro de Curitiba seja no modelo dos shoppings. O que, considera Turmina, atrairia novamente à via não só grandes redes de varejo, como também cafés, bares e restaurantes, além de gerar segurança aos consumidores.

"Não tem mais como fechar os olhos. Temos que evoluir para uma administração de shopping na XV. Qualquer centro comercial tem que ter um mix de vendas, com variedade de bons produtos. Mas a realidade do calçadão há tempos não é essa. Hoje a venda é de produtos de baixo valor agregado na XV", argumenta Turmina, que atua no setor de joias no calçadão desde 1975, três após o então prefeito Jaime Lerner instalar o primeiro calçadão no Brasil, no projeto que se tornou referência de urbanismo no país.

"Se a gestão do comércio da XV não evoluir, o ambiente vai continuar sendo cada vez mais inóspito, com ambulantes clandestinos, trombadinhas roubando os pedestres. Aí corremos o risco de perder a XV, que é o coração do comércio curitibano, assim como ocorreu no centro de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre", compara.

Uma possibilidade apontada pelo presidente da ACP para que a gestão do comércio XV evolua para o molde de shoppings seria aumentar a taxa do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis do entorno de 1% para 3%. Os dois pontos percentuais a mais cobrados no imposto seriam destinados para a associação dos comerciantes administrarem o espaço como um shopping, com contratação de serviços como limpeza, segurança e até melhorias nos pontos.

Turmina chega a propor uma ação ousada, de cobrir o calçadão da XV de Novembro para gerar mais conforto aos clientes das lojas. "Poderiam instalar uma cobertura que abrisse e fechasse conforme as condições do tempo, usando painéis fotovoltaicos para gerar a própria energia. Nos shoppings, proporcionar esse conforto faz toda diferença nas vendas", argumenta.

A curto prazo, o presidente da Associação Comercial cita melhorias no próprio pavimento e do mobiliário da XV. que poderiam deixar o ambiente mais atrativo aos clientes das lojas. Entre elas, a instalação de uma faixa central no calçadão com um pavimento mais regular e o reforço na fiscalização do comércio clandestino. "A pedra do petit pavê do calçadão é muito irregular, atrapalha a mobilidade de quem tem dificuldade de se locomover. Se tivesse uma faixa central com um piso regular, como blocos de concreto, já ajudaria o comércio", sugere Turmina.

"A XV está esquecida. A lei diz que não pode ter ambulantes no calçadão. Mas a cada 20 metros os pedestres são abordados por gente vendendo alfajor e outras coisas", reclama.

Dificuldade na articulação

Mesmo afirmando que o comércio da XV não tem outra saída a não ser adotar gestão de shopping, o presidente da ACP reconhece que a articulação para isso é difícil, envolvendo não só os lojistas e a prefeitura, mas também os donos dos imóveis. "Os comerciantes hoje não são ativos, pouco se mobilizam para alcançar melhorias", critica o presidente da ACP.

Turmina também critica os proprietários dos imóveis comerciais do calçadão. Segundo o dirigente, muitos ainda não se deram conta que os tempos são outros, que têm que haver mais diálogo com os lojistas para se chegar à melhor proposta do aluguel dos pontos.

"Muitos inquilinos estão insensíveis à realidade do comércio após os impactos da pandemia. Continuam cobrando valores de aluguel que os comerciantes não têm como pagar. O resultado é o êxodo das lojas para outras ruas e até bairros. Nessa semana mesmo vamos perder o café de uma rede nacional que opera há anos na XV que vai se mudar para outro bairro por causa do valor do aluguel", enfatiza Turmina.

Prefeitura

Em resposta, a prefeitura de Curitiba afirma o calçadão da Rua XV de Novembro é patrimônio público e cultural do estado do Paraná desde 1974. Por ser tombado, o calçadão não pode ter interferência, o que inclui a troca do piso de petit pavê.

A prefeitura ainda informa que faz a manutenção do calçadão, com serviços regulares, bem como fiscaliza e cobra que o petit pavê seja mantido em boas condições quando há trabalhos de concessionárias no piso, como empresas de telefonia, energia elétrica ou saneamento.

Já sobre a abordagem de ambulantes, a prefeitura diz que as equipes de fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo atuam na XV de segunda-feira a sábado. Há inclusive plantões noturnos. Além disso, os fiscais fazem junto com a Guarda Municipal ações para reprimir a venda de mercadorias clandestinas no calçadão.

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