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Expo Dubai
Apresentação Expo Dubai a empresários| Foto: Jose Fernando Ogura/Aen

No início de agosto, empresários paranaenses dispostos a fazer negócio com compradores árabes poderão estreitar essas relações durante um evento digital que espera ligar mais de 60 mil empresas a 200 mil potenciais clientes. A Feira Expo Arábia Saudita, totalmente digital, colocará o Paraná no roteiro de um país populoso (tem cerca de 32 milhões de habitantes) e rico (vem crescendo a uma média de 4% ao ano nos últimos sete anos), mas que ainda tem poucos negócios com os paranaenses. O estado exportou, em 2020, apenas US$ 181 milhões para a Arábia Saudita, menos do que o negociado com o Iraque, por exemplo.

Em outubro, será a vez de o estado mostrar suas potencialidades a investidores de Dubai, nos Emirados Árabes. O estado será o primeiro a ocupar o pavilhão brasileiro na Expo Dubai 2020, evento que concentra 190 países e que deve receber 25 milhões de visitantes. “Essa feira é uma oportunidade de se recolocar no tabuleiro no pós-pandemia e apresentar para o mundo nosso agronegócio, mostrar que nosso parque automotivo é um dos maiores da América Latina, que nosso setor de inovação e tecnologia é um dos melhores do mundo, e tem empresas na casa dos bilhões. Além disso, queremos mostrar nosso potencial turístico. É o momento de nos apresentarmos ao mundo de forma clara, destacando o Paraná e seus potenciais”, disse o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) em junho, na divulgação da participação do estado no evento.

Envolvida nas ações paranaenses em ambos os eventos, a Invest Paraná, agência com objetivo de atrair investimentos para o estado, tem apostado em rodadas de negócios com investidores de outros estados e de diversos países para apresentar o Paraná. Em abril, mostrou as oportunidades a potenciais investidores britânicos. No ano passado, já havia se aproximado de mercados na América do Sul.

“Como essa feira de Dubai é um evento tão grande como uma Copa do Mundo, uma Olimpíada, a expectativa é que tenhamos visitação de 140 mil pessoas nos sete dias, 20 mil pessoas por dia”, destaca Giancarlo Rocco, diretor de Relações Internacionais e Institucionais da Invest Paraná. “Dentro da Expo, nós faremos o Paraná Day, que vai juntar investidores do mundo todo para que a gente faça a divulgação não só das nossas oportunidades públicas quanto das nossas empresas. Como a nossa comitiva leva bastante empresário, a expectativa é que gere muitos leads [um jargão para contatos que possam gerar negócios futuros]”, diz o diretor.

Os resultados práticos dos encontros, de acordo com técnicos da Invest Paraná, são difíceis de medir, já que o papel da agência não é fechar os contratos, mas divulgar oportunidades de negócio. Além disso, uma aproximação com investidores (ou entre empresários paranaenses e compradores internacionais) pode demorar a se converter em acordo. Sem uma métrica oficial, a agência se baseia em números como o do Paraná Competitivo – programa estadual de concessão de benefícios fiscais para atrair investimentos --, vinculado à Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa).

“A função da Invest é dar a instrumentação necessária, aproximar a empresa de outros órgãos, orientar sobre a escolha de municípios. Mas, depois, depois [o potencial negócio] é submetido à Sefa”, explica Níkolas Duarte Rosa, gerente de Mercado e Novos Negócios da agência. Ele indica que nem todos os negócios angariados pela agência são enquadrados no Paraná Competitivo – o empreendedor pode optar por um investimento sem benefícios fiscais --, mas o programa dá um cenário da efetividade das ações.

E, neste quesito, o estado vai bem. Em 2018, os processos que passaram pelo Paraná Competitivo somaram R$ 2 bilhões em investimentos no Paraná. Em 2019, o salto foi para R$ 12,5 bilhões -- um número destoante por conta da Klabin, que sozinha investiu R$ 9 bilhões (maior investimento privado da história do estado) em uma nova unidade em Ortigueira, Campos Gerais. Em 2020, um ano com características "mais normais", o montante investido no estado passou dos R$ 4 bilhões. Agora, somente entre janeiro e junho de 2021, o estado quase igualou a marca do ano anterior. “Temos vários processos em negociação ainda (...). Se desconsiderarmos 2019, que foi atípico, 2021 tem tudo para ser o melhor ano [em atração de dinheiro] para o Paraná”, diz Rosa.

De forma empírica, o gerente aponta que a vinda de empresas de e-commerce para o Paraná já é um resultado direto do trabalho de divulgação. Segundo ele, a apresentação de benefícios fiscais para as varejistas digitais evitou a fuga de capital para estados mais agressivos em seu regime tributário, como Santa Catarina, e fortaleceu o Paraná como um hub logístico de interesse para grandes redes, como o Grupo Boticário e as farmácias Panvel. De acordo com a Invest Paraná, dois outros grandes players nacionais e internacionais negociam a instalação de uma estrutura logística no estado.

Paraná passou de ilustre desconhecido para queridinho de investidores 

“Existe uma falta de conhecimento mesmo. Quem conhece o Paraná sabe que é um estado extremamente organizado, positivo tanto na balança comercial quanto na capacidade de endividamento. Um estado que traz recursos para a aplicação por parte do governo. E assim que a gente começa a fazer rodadas de negócios e apresentação do estado, ele passa a ser um dos queridinhos dos investimentos dos estrangeiros. Ele está em uma localização estratégica, tem uma parte financeira que dá segurança jurídica para o investidor. Isso passa a fazer parte da escolha dos empresários”, aponta Rocco.

Da mesma forma, o diretor indica que os encontros – muitos em parceria com câmaras de comércio -- estão ajudando os empresários locais a conquistar novos mercados. Os produtos paranaenses estão chegando mais longe.

O trabalho, para o diretor da Invest Paraná, também ajudou o estado a superar a crise da pandemia. “Com as reuniões online, conseguimos continuar divulgando nosso estado. Foram aproximadamente 15 eventos [com participantes] do Brasil e de fora do Brasil”, aponta Rocco. E a geração de negócios deve seguir avançando. “Passada a pandemia, o pessoal está vendo que o mundo não acabou. Alguns [empreendedores] estão inclusive vendo novas oportunidades de negócio”, diz Nikolas Rosa.

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