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Confiança do empresário industrial tem queda sem precedentes, revela CNI
Linha de produção da Volvo, uma das marcas com fábrica no Paraná| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo/Arquivo

Se em 2019 a indústria automotiva paranaense teve peso decisivo em alavancar a economia e geração de empregos no Paraná, a crise causada pelas paralisações para conter o novo coronavírus preocupa o futuro do setor e dos trabalhadores alocados nele. Com parte das equipes em layoff (regime em que o funcionário é temporariamente dispensado) ou com salários e jornadas reduzidas, as empresas ensaiam uma retomada mais intensa da produção, ainda que sem saber o cenário de consumo que as aguarda.

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No ano passado, o segmento cresceu 25,7% no estado – foi a maior alta em produção no país. Isso contribuiu para uma alta de 5,7% no PIB industrial do estado, que se destacou entre as 27 unidades da federação. O bom momento teve participação importante nos 51 mil empregos gerados no estado no fim daquele ano. Os setores de metal-mecânica e metalurgia se destacaram na indústria.

Neste ano, a paralisação para se adequar às ações de contenção do Covid-19 e a recuperação incerta do mercado consumidor interno e externo – os veículos produzidos no Paraná abastecem também países como Argentina, México e Colômbia – devem causam impacto nos resultados financeiros das empresas. E, isso já tem afetado também a empregabilidade e o bolso dos metalúrgicos.

O estado hoje reúne 590 indústrias deste tipo de bens ou componentes para eles (como motores), incluindo as grandes Volvo, Renault e Volkswagen, além de New Holland e Caterpillar, no segmento de maquinários agrícolas.

Na semana passada, a Volkswagen anunciou que pretende retomar a produção na fábrica na região de Curitiba já no meio de maio. Em videoconferência, o CEO da marca para Brasil e América Latina, Pablo Di Si, admitiu que o novo cenário do consumo no país é incerto e a retomada será gradual. Também descartou novos investimentos. Em 2019, a marca havia injetado R$ 2 bilhões na planta de São José dos Pinhais.

Devido ao cenário, a marca alemã fechou acordo de redução de salário de seus funcionários, baseada em uma medida provisória do governo federal. A Volkswagen garantiu complementar o salário líquido da equipe, no entanto -- pela MP, o governo cobre parte da perda salarial.

Com quase 4 mil funcionários, a Volvo também pressiona por uma retomada na produção. A marca pretende voltar às atividades na próxima semana, também de forma gradual. Parte dos funcionários está em regime de layoff e outra parte deverá ter salário reduzido a partir de maio. A montadora também está complementando salários até a faixa de R$ 9 mil, nos moldes da Volkswagen.

Na Renault, o sindicato de trabalhadores recusou, no início do mês, a redução de salários e layoff de seus 7 mil funcionários. A fabricante francesa, com fábrica instalada em São José dos Pinhais, também quer retomar a produção na próxima semana. A situação, porém, também deve afetar os investimentos da fábrica. Recentemente, a Renault injetou R$ 350 milhões em suas linhas de produção no Brasil.

A situação também assusta os fabricantes de maquinários agrícolas – segmento em alta no estado por conta dos bons números da safra 2019-2020. A Catterpillar, uma das gigantes do segmento, voltou a produzir em quase todas as unidades, segundo informações da própria empresa. Mas precisa correr atrás do prejuízo. Nesta terça (28), a fabricante divulgou seu balanço do primeiro trimestre do ano e aponta queda de 46% nos lucros – reflexo direto do isolamento social. A empresa tem fábrica em Campo Largo.

A New Holland, outra gigante do segmento no estado, indica que está gradualmente retomando a produção na fábrica localizada no CIC, em Curitiba.

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