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Exposição do Titanic reforça transformação dos shoppings em centros de entretenimento

A chegada de grandes experiências imersivas aos centros comerciais mostra como o setor busca ampliar o tempo de permanência do consumidor e criar novas oportunidades de receita além das compras

Experiências imersivas e atrações de entretenimento passam a ocupar grandes áreas dos shopping centers e ampliam as razões para visitar esses espaços.
Experiências imersivas e atrações de entretenimento passam a ocupar grandes áreas dos shopping centers e ampliam as razões para visitar esses espaços. (Foto: Trey Walker)

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A estreia de “Titanic: Uma Viagem Imersiva” nesta sexta-feira (18), em Curitiba, ajuda a revelar uma transformação que vai muito além do varejo. O avanço do entretenimento em shopping centers, com grandes exposições, eventos culturais, gastronomia e experiências tecnológicas, mostra como esses empreendimentos buscam se consolidar também como destinos de lazer e convivência.

Instalada no Jockey Plaza Shopping, a exposição ocupa aproximadamente 2,5 mil metros quadrados e chega pela primeira vez à Região Sul depois de uma temporada em São Paulo. A atração reúne mais de 150 objetos e registros históricos, recriações de ambientes em tamanho real e recursos tecnológicos, como projeções em 3D e realidade virtual.

Mais do que uma atração de entretenimento, a dimensão da montagem ajuda a mostrar uma mudança no uso dos espaços comerciais. Áreas capazes de receber exposições de grande porte passam a funcionar como geradoras de fluxo e podem estimular outras atividades dentro do próprio empreendimento, da alimentação aos serviços e ao varejo.

Do centro de compras ao destino de experiências

Durante décadas, boa parte da lógica dos shopping centers esteve baseada em um tripé relativamente conhecido: lojas, alimentação e cinema. A expansão do comércio eletrônico e as mudanças no comportamento do consumidor, porém, aumentaram a importância de oferecer outros motivos para que as pessoas se desloquem até esses empreendimentos.

É nesse cenário que entretenimento, gastronomia, eventos, serviços e experiências imersivas ganham relevância.

Para o shopping, a lógica econômica não depende apenas da receita diretamente associada ao evento. Uma atração capaz de levar famílias e grupos de visitantes ao empreendimento também cria oportunidades de consumo em restaurantes, cafés, estacionamento, serviços e lojas.

Isso não significa que cada visitante de uma exposição necessariamente fará outras compras. O ponto central é que o entretenimento acrescenta uma nova razão para visitar e permanecer no espaço.

Essa estratégia também ajuda os centros comerciais a enfrentar uma mudança estrutural do varejo. Se uma parcela crescente das compras pode ser realizada pela internet, experiências presenciais, gastronomia e lazer oferecem algo que o comércio eletrônico não consegue reproduzir integralmente: o uso do espaço físico como parte do produto.

Mais tempo no shopping muda a equação econômica

Os números do setor ajudam a dimensionar essa transformação.

O mercado brasileiro de shopping centers encerrou 2025 com faturamento recorde de R$ 200,9 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). O país chegou a 658 empreendimentos em funcionamento e registrou fluxo mensal de aproximadamente 471 milhões de visitantes.

Outro indicador é particularmente relevante para a economia da experiência: o tempo médio de permanência do consumidor chegou a 80 minutos em 2025. O ticket médio, por sua vez, alcançou R$ 126,79.

Os dados ajudam a explicar por que a disputa do setor não acontece somente pela venda realizada dentro das lojas. A capacidade de atrair o consumidor e mantê-lo interessado no ambiente também ganhou valor econômico.

Quanto mais atividades disponíveis em um mesmo espaço, maior tende a ser a possibilidade de o visitante combinar diferentes usos em uma única saída: assistir a um filme, almoçar, visitar uma exposição, tomar um café ou fazer uma compra.

Nesse contexto, uma exposição com visita estimada entre 60 e 90 minutos, como a experiência sobre o Titanic, acrescenta uma atividade de duração relevante à jornada de parte do público dentro do empreendimento.

Para restaurantes, cafeterias, operações de lazer, serviços e varejistas instalados no mesmo espaço, esse fluxo adicional representa uma oportunidade econômica. O efeito efetivo sobre vendas e faturamento, entretanto, depende do comportamento dos visitantes e precisa ser medido posteriormente.

Entretenimento passa a ocupar grandes áreas

A transformação também interfere na composição física dos shopping centers.

Espaços amplos podem receber exposições temporárias, parques indoor, eventos culturais, experiências audiovisuais, atrações infantis, operações gastronômicas e outras atividades que não pertenciam ao modelo tradicional de centro comercial.

No caso da exposição que estreia em Curitiba, são aproximadamente 2,5 mil metros quadrados destinados temporariamente a uma única experiência.

A flexibilidade no uso dessas áreas permite aos empreendimentos renovar parte da oferta ao consumidor sem depender exclusivamente da abertura permanente de novas lojas.

Ao mesmo tempo, aproxima os shopping centers de setores como turismo, cultura, eventos e entretenimento. A lógica da visita também muda: em vez de ir ao shopping necessariamente para comprar alguma coisa, o consumidor pode chegar atraído por uma experiência e encontrar outras possibilidades de consumo durante o passeio.

O movimento representa uma mudança importante na função econômica desses empreendimentos. O varejo permanece essencial, mas passa a dividir espaço com atividades cujo principal produto é o tempo de lazer do consumidor.

Tecnologia amplia a economia da experiência

Há ainda um componente de inovação nessa transformação.

Projeções digitais, realidade virtual, cenografia imersiva e ambientes interativos passaram a integrar atrações que disputam o tempo livre do consumidor. A tecnologia, nesse contexto, deixa de aparecer apenas nos sistemas de pagamento, aplicativos ou operações de venda e passa a fazer parte do próprio produto de entretenimento.

A exposição sobre o Titanic segue justamente essa lógica. Além das recriações físicas, a experiência utiliza projeções e realidade virtual para apresentar episódios relacionados à história do navio.

Para os shopping centers, receber atrações desse tipo significa participar de uma economia baseada menos na simples disponibilidade de produtos — facilmente encontrados pela internet — e mais em experiências que dependem da presença física do consumidor.

É uma transformação que ajuda a explicar por que o futuro desses empreendimentos pode estar cada vez menos associado exclusivamente ao verbo “comprar”.

Ao incorporar entretenimento, gastronomia, cultura, serviços e tecnologia, os shoppings ampliam sua função econômica e tentam ocupar um espaço historicamente associado a outras áreas das cidades: o de lugar de encontro, convivência e lazer.

Titanic ocupa mais de 2,5 mil metros quadrados em Curitiba

A própria dimensão da atração que chega a Curitiba ajuda a ilustrar essa nova relação entre shopping centers e entretenimento.

“Titanic: Uma Viagem Imersiva” ocupa aproximadamente 2,5 mil metros quadrados no piso L2 do Jockey Plaza Shopping e marca a estreia da experiência na Região Sul.

A exposição propõe uma viagem pela história do transatlântico que naufragou em 1912. O percurso reúne mais de 150 objetos e registros históricos, além de recriações em tamanho real de ambientes associados ao navio. Recursos como projeções em 3D e realidade virtual complementam a experiência.

O visitante percorre espaços inspirados em diferentes áreas do Titanic e acompanha episódios relacionados à construção, à viagem inaugural e ao naufrágio. A duração estimada da visita é de 60 a 90 minutos.

A atração passou por São Paulo antes de chegar à capital paranaense. Segundo os organizadores, a experiência internacional já recebeu mais de 2,5 milhões de visitantes em diferentes cidades.

Em Curitiba, a montagem de uma exposição desse porte dentro de um centro comercial funciona também como retrato da transformação do setor. Mais de um século depois da viagem que tornou o Titanic parte da memória coletiva mundial, sua história agora integra outro movimento: o avanço da economia da experiência sobre espaços antes dedicados principalmente às compras.

Serviço

Titanic: Uma Viagem Imersiva

Onde: Jockey Plaza Shopping, piso L2, Rua Konrad Adenauer, 370, Tarumã, Curitiba (PR)
Abertura: 18 de setembro de 2026
Duração estimada da visita: entre 60 e 90 minutos
Classificação: livre
Ingressos no site https://titanicexposicao.com.br/

Atrações: mais de 150 objetos e registros históricos, recriações de ambientes em tamanho real, projeções em 3D e experiência de realidade virtual
Horários e valores: consultar a bilheteria oficial da exposição antes da visita

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