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IA nas finanças: 60% dos CFOs vão ampliar investimentos e o maior risco pode ser não estar preparado

Empresas aceleram uso da tecnologia, mas especialistas alertam: sem governança, impacto pode ser financeiro e reputacional

Líderes financeiros reunidos no evento
Líderes financeiros reunidos no evento (Foto: Rodrigo Zanotto)

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A Inteligência Artificial deixou de ser promessa e já se tornou prioridade estratégica nas áreas financeiras. Com ganhos claros em eficiência e automação, a tecnologia avança rapidamente  mas levanta um alerta importante: crescer sem controle pode custar caro.

Pesquisa divulgada em fevereiro de 2026 pela consultoria Gartner mostra que quase 60% dos CFOs planejam aumentar em pelo menos 10% os investimentos em IA dentro da função financeira. O movimento é impulsionado pela busca por mais produtividade, automação e eficiência nos processos corporativos.

O desafio não é mais adotar  é governar

Esse cenário foi o ponto de partida do evento “Governança de Inteligência Artificial: riscos, decisões e valor para o negócio – uma conversa estratégica para líderes financeiros”, realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR), em Curitiba.

O encontro reuniu executivos, especialistas em tecnologia e direito digital para discutir como a IA vem transformando áreas como planejamento financeiro, compliance e tomada de decisão — e por que a governança se tornou peça central nesse processo.

Durante o debate, o executivo Alexandre Gonçalves fez um alerta direto sobre os riscos envolvidos:

“O primeiro risco é não usar IA. O segundo maior risco é usar IA sem governança, o que pode causar impactos sérios, sejam financeiros ou reputacionais.”

Uma tecnologia que redefine poder e estratégia

A discussão também avançou para além do ambiente corporativo. A dimensão geopolítica da Inteligência Artificial ganhou destaque, com especialistas apontando que grande parte das tecnologias globais está sob controle de empresas dos Estados Unidos e da China.

Esse cenário amplia a complexidade do tema, especialmente em relação à soberania de dados, segurança e regulação. Ao mesmo tempo, o uso crescente da IA por governos e forças de segurança reforça o peso estratégico da tecnologia.

IA sem estratégia não gera valor

Para Alexandre Del Rey, fundador da I2AI, a tecnologia deve ser vista como um vetor de ampliação de capacidades — mas não funciona sozinha.

“A IA vem para ampliar a capacidade da empresa, mas quem vai garantir essa ampliação é a governança.”

Ele reforçou que a adoção precisa estar integrada à estratégia corporativa e sob acompanhamento direto da alta liderança.

“A IA faz parte da estratégia e precisa ser acompanhada pelo CFO, CEO e pelo conselho.”

Da experimentação à maturidade

O evento também abordou os diferentes níveis de maturidade na adoção da IA dentro das empresas. O caminho começa com decisões básicas — como definir quais ferramentas podem ser utilizadas e evitar soluções gratuitas sem controle e evolui para um modelo mais estruturado.

Esse estágio mais avançado envolve capacitação de equipes, transparência com clientes sobre o uso da tecnologia e integração da governança aos processos corporativos.

Conhecimento interno vira diferencial competitivo

Outro ponto central foi a necessidade de disseminar o conhecimento sobre Inteligência Artificial dentro das organizações. A compreensão da tecnologia por diferentes áreas é vista como fator essencial para aumentar eficiência e gerar retorno sobre investimento.

Na mediação do painel, Eneile Guimarães destacou a mudança de papel da IA dentro das empresas:

“A IA não é mais apenas uma ferramenta, ela se tornou uma infraestrutura estratégica.”

A decisão final continua sendo humana

Apesar dos avanços, especialistas reforçaram que a tecnologia não substitui a responsabilidade humana.

Rafael Reis, presidente do Instituto Nacional de Proteção de Dados (INPD), destacou a diferença entre uso individual e estratégia organizacional:

“Os colaboradores utilizarem IA é diferente da organização incorporar a IA em sua estratégia.”

Ele também fez um alerta sobre decisões críticas:

“Tudo aquilo que envolve responsabilidade não deve ser transferido para a IA. A decisão precisa ser humana, mesmo que baseada em análises e dados gerados pela tecnologia.”

Governança como base para o futuro

Para a coordenadora do Comitê de Inovação do IBEF-PR, Zeli Rosa Conte da Nova, o principal aprendizado é claro: inovação sem estrutura não se sustenta.

“A Inteligência Artificial já impacta diretamente as decisões nas empresas. O desafio das lideranças é garantir que essa inovação esteja acompanhada de governança, transparência e gestão de riscos, especialmente em temas como qualidade de dados, segurança da informação e compliance regulatório.”

A conclusão do encontro reforça uma mudança definitiva no ambiente corporativo: mais do que uma tendência tecnológica, a Inteligência Artificial já ocupa um papel central na estratégia das organizações — exigindo preparo, visão integrada e responsabilidade na sua adoção.

O evento contou com o patrocínio de gestão de Gaia Silva Gaede Advogados, TOTVS e Sancor Seguros, tendo a Gazeta do Povo como media partner.

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