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Inteligência artificial ganha espaço na segurança pública do Paraná

Tecnologia usada pelo programa Olho Vivo cruza imagens e bases policiais em tempo real; plataforma também já acumula mais de 5 mil ocorrências atendidas em operações pelo país

Câmeras inteligentes integram a rede de monitoramento usada pelas forças de segurança no Paraná.
Câmeras inteligentes integram a rede de monitoramento usada pelas forças de segurança no Paraná. (Foto: Jonathan Campos/AEN)

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A inteligência artificial começa a ganhar uma função cada vez mais prática na segurança pública: reduzir o tempo entre a identificação de um suspeito ou veículo e a atuação das equipes policiais. No Paraná, essa transformação já aparece nos resultados do programa Olho Vivo, que utiliza análise automatizada de imagens e cruzamento de informações para auxiliar investigações e operações em tempo real.

Desde o início da atual fase do programa, em dezembro de 2025, a tecnologia já ajudou as forças de segurança paranaenses a esclarecer 1.885 ocorrências. O balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública também aponta cerca de 1,3 mil prisões e 557 veículos furtados ou roubados recuperados com auxílio da ferramenta.

Busca vai além de placas e reconhecimento facial

Uma das principais diferenças em relação aos sistemas tradicionais de videomonitoramento está na forma como as imagens podem ser pesquisadas.

Além da leitura de placas, a plataforma permite que policiais façam buscas a partir de características relatadas por vítimas ou registradas em boletins de ocorrência. Elementos como cor e modelo de um automóvel, adesivos, marcas na carroceria ou características de objetos carregados por um suspeito podem ajudar a restringir a pesquisa nas imagens captadas pela rede.

Na prática, a inteligência artificial funciona como uma ferramenta de apoio à investigação. Os dados das câmeras são relacionados a informações existentes em bases policiais, permitindo que equipes em campo recebam alertas quando um veículo ou situação de interesse é identificado.

Segundo o secretário estadual da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, a tecnologia é utilizada como uma forma de “inteligência assistida”, preservando a decisão final dos policiais. À Tribuna do Paraná, ele afirmou que procedimentos que antes poderiam exigir dias de investigação agora, em determinados casos, podem ser realizados em minutos.

Tecnologia brasileira avança para outros estados

A solução tecnológica usada nessa etapa do programa foi desenvolvida pela startup brasileira Pax, que iniciou projetos no Paraná e em Goiás e passou a atuar também em outras regiões do país.

De acordo com dados fornecidos pela própria empresa, suas plataformas já participaram de mais de 5 mil ocorrências policiais no último ano, considerando todos os programas em que atua no Brasil. O levantamento da companhia reúne mais de 3.110 prisões e aproximadamente 1.800 veículos recuperados.

O crescimento coloca empresas de tecnologia em uma área que até poucos anos atrás estava concentrada principalmente no fornecimento de câmeras e infraestrutura. A nova geração de contratos públicos acrescenta software, inteligência artificial, integração de bancos de dados e processamento de grandes volumes de imagens.

Paraná prepara uma rede maior de monitoramento

O Olho Vivo faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão da infraestrutura tecnológica da segurança pública estadual.

Em fevereiro, o Governo do Paraná informava que mais de mil novas câmeras inteligentes já haviam sido instaladas nesta etapa do programa. O planejamento prevê uma rede muito maior nos próximos anos, combinando equipamentos do Estado e dos municípios. O investimento estadual anunciado para a expansão chega a R$ 400 milhões.

Quando estiver plenamente implantado, o projeto prevê até 26,5 mil câmeras disponíveis para monitoramento, incluindo equipamentos já existentes e aqueles que serão incorporados pelas prefeituras. A ampliação do uso de inteligência artificial é uma das principais novidades dessa nova fase.

A tecnologia já vem sendo utilizada em diferentes regiões do Paraná. Há registros de operações em que o sistema auxiliou na identificação de veículos e suspeitos no Litoral, em Maringá, Umuarama e Foz do Iguaçu, entre outras cidades.

Para além dos números de ocorrências, a expansão do Olho Vivo mostra uma mudança de patamar na digitalização da segurança pública. Câmeras deixam de funcionar apenas como dispositivos de gravação e passam a integrar uma infraestrutura capaz de pesquisar imagens, cruzar informações e auxiliar decisões policiais quase em tempo real.

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