i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?

Paraná S.A

Foto de perfil de Paraná S.A
Ver perfil

Paranaenses se destacam entre as empresas que mais crescem e contratam no Brasil

  • PorEquipe Paraná S/A
  • 02/03/2019 08:00
Sócios da Documentalize: Rodrigo Setti e Guilherme Karam: lucro reinvestido em marketing, em máquinas e na transferência de sede.
Sócios da Documentalize: Rodrigo Setti e Guilherme Karam: lucro reinvestido em marketing, em máquinas e na transferência de sede.| Foto:

Felipe Albuquerque, especial para a Gazeta do Povo

O pior da crise já passou, apontam especialistas. A economia do país cresceu 1,1% em 2018, segundo ano seguido de alta. O PIB (Produto Interno Bruto) em valores atuais chegou a R$ 6,8 trilhões, divulgou na última quinta-feira (28) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda assim, o resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, que era de 1,3%. Analistas dizem que a culpa é da dificuldade de recuperação da economia.

O desemprego, porém, atingiu 12,7 milhões de brasileiros, também segundo o IBGE, no trimestre encerrado em janeiro, uma média de 12%, acima dos 11,7% registrados no trimestre anterior. Já na comparação com o mesmo período do ano passado (12,2%), o instituto apontou estabilidade.
Mas em meio a um cenário que ainda se recupera da retração econômica grave, há um universo de empresas, pequeno, evidentemente, que parece nadar contra a maré ao crescer de forma sustentável.

São as chamadas empresas de alto crescimento (EACs) ou scale-ups. Segundo a Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), para ser uma EAC a companhia precisa ter pelo menos dez colaboradores e registrar crescimento de no mínimo 20% ao ano por três anos consecutivos.

LEIA MAIS >> Empreendedores locais criam fundo de R$ 6 milhões para investir em startups de Curitiba

O estudo “Panorama das Empresas de Alto Crescimento Persistente no Brasil”, apresentado em fevereiro pela Endeavor e a faculdade Insper, com dados da Neoway, empresa de análise de big data, mapeou o cenário das empresas de alto crescimento no Brasil e identificou, a partir da análise de organizações ativas entre 2010 e 2012 e seus resultados até 2016, 16.142 EACs persistentes nas cinco regiões do Brasil. O Paraná representa 6,93% do total das mapeadas pelo relatório, líder na região Sul e o quarto em todo o país, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O IBGE informa que o número de pessoas contratadas por EACs cresceu 172% entre 2013 e 2015, batendo na casa dos 3,5 milhões. Em 2016, cerca de 1,8 milhão de vagas surgiram em empresas que se encaixam no perfil.

A Gazeta do Povo ouviu três empresas sediadas na capital do estado para entender que ações adotaram para crescer acima dos 20% por três anos consecutivos e se posicionar positivamente em um período tenso para mercados, empreendedores e trabalhadores.

Os sócios devem esperar

Fundada em 2004 em Curitiba, a Quanta Diagnóstico por Imagem registra, segundo João Vítola, cardiologista e um dos sócios da clínica, crescimento de 500% no período entre 2008 e 2018. “Nossa média foi de aproximadamente 50% ao ano”, conta. “Estamos em um momento de expansão, de investimento”.

A empresa, que oferece exames por imagens de cintilografia, tomografia computadorizada e tratamentos para câncer de tireoide e dor óssea no câncer, passa a oferecer, a partir de agosto, ressonância, mamografia, densitometria, radiografias e ecografias por exames de imagens de todas as especialidades médicas. E no momento, amplia o espaço físico, de 2.100 m² para 2.900 m². A expectativa é aumentar também o número de funcionários, dos 120 atuais para mais de 150. O investimento real em estrutura física e pessoal programado para este ano chega a R$ 12 milhões. Somado ao lucro, os recursos foram captados também com o BNDES e em instituições financeiras privadas.

Foto: Divulgação

Vítola avalia que um dos ingredientes que compõe a receita do crescimento da empresa em um cenário de incertezas está no reinvestimento dos lucros na própria empresa. “Em vez de os sócios tirarem esse dinheiro da empresa e fazerem coisas nas suas vidas pessoais, nossa filosofia foi fazer reinvestimento”, informa.

Além da expansão na área física e da aquisição de novos equipamentos e investimento em tecnologia, outro elemento dessa receita, aponta Vítola, é o investimento em pessoal. “Isso não é baseado em compra de máquina, mármore e granito. É superqualificação de um profissional e especialista em nível internacional”, acrescenta.

Desde 2007, a clínica tem um acordo de cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (Organização das Nações Unidas) e integra o Vale do Pinhão, ecossistema de inovação da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A e da Prefeitura de Curitiba.

Reinvestimento e novos produtos

A Documentalize também aponta o reinvestimento no próprio negócio como uma das possibilidades de manter-se em crescimento mesmo em meio à crise. No ramo da gestão digitalização de documentos desde 2015, quando abriu as portas com investimento inicial de R$ 3 mil, projeta fechar 2019 com faturamento de R$ 1 milhão.

“Nesses quase quatro anos, a gente abriu mão dos lucros dos sócios. Todo o lucro foi reinvestido na empresa, em marketing, em máquinas, na transferência de sede”, conta Guilherme Karam, sócio fundador.

A empresa encerrou o primeiro ano de atividade com R$ 120 mil de faturamento. Em 2016, saltou para R$ 280 mil e R$ 530 mil em 2017. A projeção era atingir no ano passado o sonhado primeiro milhão; não chegou a tanto, mas encerrou com R$ 650 mil, crescimento de 23% em comparação ao período anterior. Hoje, são mais de 40 contratos de prestação de serviços com clientes recorrentes.

A companhia aumentou ainda a carteira de clientes, que conta com escritórios de contabilidade e de advocacia, consultórios médicos, administradora de condomínios e cartórios, ao ganhar duas licitações, com contratos de R$ 350 mil e R$ 100 mil. O aumento da demanda levou também a empresa a contratar pessoal.

Sócios da Documentalize: Rodrigo Setti e Guilherme Karam: lucro reinvestido em marketing, em máquinas e na transferência de sede.

Uma das ações adotadas por Karam e seu sócio, Rodrigo Setti, foi internalizar todo o trabalho de marketing. Abriram mão de uma agência terceirizada para tocar eles mesmos todas as ações de marketing digital, o trabalho em redes sociais e o que mais envolve a divulgação dos serviços oferecidos pela empresa.

“Percebemos que gastávamos uma verba, mas gastávamos mal”, lembra Karam. “Hoje a gente gasta de R$ 3 a R$ 5 mil por mês [em ações de marketing], mas o resultado é melhor. O cuidado com as campanhas é diferente”, observa. Agora, é Setti quem atualiza as redes sociais da empresa, que cuida para não ficar para trás em relação às novas tecnologias de comunicação; o site foi reconstruído três vezes nos últimos três anos para acompanhar as inovações disponíveis. Investiram também na criação de novos produtos, como o Zipapper, tecnologia que comprime um documento, permitindo, por exemplo, que um arquivo com 100 caixas possa ser reduzido em até 50% do seu tamanho, otimizando espaço. A empresa quer patentear a tecnologia.

Com os bons resultados, a Documentalize mudou também de sede. Trocou os 80 metros quadrados iniciais pelos atuais 300 metros quadrados. O espaço se adequa melhor ao dia a dia de caixas e pilhas de documentos, matéria-prima do trabalho da companhia. Com a mudança do bairro do Parolim para o Água Verde, o aluguel da sede foi de R$ 2 mil para R$ 6 mil mensais. A empresa conta ainda com escritórios em Florianópolis e Itajaí (SC).

Inovação para resolver problemas

Já Lucas Ribeiro, sócio e fundador da Roit Contabilidade, entende que o reinvestimento dos lucros na empresa não basta para impulsionar crescimento. Para ele, é a busca por inovação, com foco em atender as necessidades do cliente, que fez com que a empresa faturasse, já em 2016, primeiro ano de atividade, R$ 600 mil e quase R$ 11 milhões no ano passado. Com sede em Curitiba, a companhia conta com 100 funcionários e outras três unidades: Brasília, Paraguai e Vale do Silício, na Califórnia.

“[Acredito] na inovação com objetivo de resolver o problema, quando eu inovo para resolver problema real do meu cliente”, sintetiza Ribeiro. “Eu invisto em um modelo diferente, em uma solução tecnológica diferente para atender a uma questão. É a inovação com foco na necessidade do cliente. Às vezes você pode resolver um problema do cliente sem [gastar] dinheiro, só mudando fluxo, inovando processo”, explica.

Lucas Ribeiro, fundador da Roit Contabilidade: busca por inovação com foco em atender as necessidades do cliente. FOTO: Daniel Caron/Gazeta do Povo

A Roit foi buscar na Europa um modelo de contabilidade com atendimento de 24 horas. Com o slogan “a contabilidade que não dorme”, a empresa atende e entrega em três turnos. Trabalhou por um ano para estabelecer o projeto de atendimento e prestação de serviços, e investiu pesado em marketing: foram 18 outdoors espalhados em Curitiba, mais ações de marketing digital. Os investimentos diretos e indiretos em divulgação chegaram a R$ 1 milhão.

A empresa, contabiliza Ribeiro, cresceu 700% do primeiro para o segundo ano, saltando de 12 para 70 funcionários. Hoje, são mais de 130. Já a unidade em Brasília chegou a 35 colaboradores com um ano de atividade, e em março inaugura uma nova unidade, com 800 metros quadrados.
Neste ano a empresa completa R$ 5 milhões em investimentos oriundos de resultados da própria operação, somados, também, a financiamentos bancários.

“Fizemos uma escolha de não ter investidor, que é uma máxima bem interessante, porque muita startup acha que precisa de investidor para dar certo. Na verdade, precisa ter lucro.”

A empresa precisou frear o crescimento no ano passado, lembra Ribeiro, para investir mais em tecnologia. “Investimos em soluções tecnológicas para manter boa reputação, boa entrega”, informa.

Em um período em que o desemprego voltou a crescer, o problema da Roit atualmente é a falta de mão de obra qualificada, sinaliza Ribeiro. O empresário afirma que a companhia tem aberto em média 30 vagas mensais, sem sucesso no preenchimento delas. “Não temos profissionais à altura, e aí eu não posso crescer, porque como crescer se eu não tenho como entregar?”, lamenta. Mas a expectativa de faturamento projetada para 2019 é de R$ 30 milhões.

Total de EACs em 2016 no Brasil

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

Máximo 700 caracteres [0]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Termos de Uso.