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Paraná S.A

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Símbolo do varejo paranaense, Pedro Joanir Zonta transformou um pequeno mercado em um grupo empresarial multissetorial

Fundador do Condor começou com cinco funcionários em Curitiba e, ao longo de 52 anos, expandiu os negócios para diferentes setores da economia. Hoje, o grupo reúne 112 unidades de negócios e cerca de 14 mil colaboradores.

Primeira loja do Condor, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, onde Pedro Joanir Zonta iniciou sua trajetória no varejo em 1974, com um mercado de 110 metros quadrados e cinco funcionários.
Primeira loja do Condor, no bairro Pinheirinho, em Curitiba, onde Pedro Joanir Zonta iniciou sua trajetória no varejo em 1974, com um mercado de 110 metros quadrados e cinco funcionários. (Foto: Divulgação)

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Aos 22 anos, em 1974, Pedro Joanir Zonta comprou um mercado de 110 metros quadrados e cinco funcionários no bairro Pinheirinho, em Curitiba. Mais de cinco décadas depois, o negócio que deu origem ao Condor se transformou em uma das maiores redes supermercadistas do Brasil e integra um grupo empresarial com 112 unidades de negócios, cerca de 14 mil colaboradores, presença em 25 municípios do Paraná e de Santa Catarina e mais de 60 milhões de clientes atendidos por ano.

A dimensão alcançada é resultado de decisões tomadas por Joanir ao longo de sua trajetória, da identificação de oportunidades de mercado à expansão geográfica e à entrada em novos segmentos. A consolidação no varejo alimentar serviu de base para a diversificação das atividades, que hoje incluem atacarejo, postos de combustíveis, indústrias, shopping e serviços.

A entrada no varejo, porém, não fazia parte dos planos iniciais. A família Zonta trabalhava com um abatedouro, que encerrou as atividades em dezembro de 1973 depois de uma fiscalização apontar que as instalações não atendiam às exigências vigentes. Em janeiro de 1974, Joanir comprou um caminhão para transportar areia, mas percebeu que a atividade não gerava receita suficiente nem para pagar a gasolina. Dois meses depois, surgiu a oportunidade de adquirir o pequeno mercado que daria origem ao Condor.

Sem experiência no comércio de alimentos, estabeleceu um prazo de 90 dias para aprender a operação. Leu sobre o setor, conversou com fornecedores, visitou concorrentes e procurou compreender as necessidades dos consumidores. A disposição para estudar o mercado e identificar oportunidades se tornou uma característica de sua gestão. O primeiro slogan da empresa traduzia a ambição daquele início: “Não somos o maior, por isso temos que ser o melhor!”.

Uma das primeiras oportunidades de expansão veio com a construção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, da Petrobras, em Araucária. O Condor passou a fornecer, com exclusividade, os insumos destinados às cozinhas que atendiam mais de 6 mil trabalhadores da obra. A operação durou quase três anos e elevou o faturamento mensal da empresa em 115% de um mês para o outro.

“Desde o começo, eu sempre tive vontade de crescer. Aquele mercado de 110 metros quadrados foi o primeiro passo, mas nunca enxerguei o negócio apenas como um supermercado. Sempre procurei entender o que o consumidor queria, olhar para o mercado e identificar onde havia espaço para avançar. Foi assim que fomos crescendo e tomando decisões ao longo dos anos.”

A expansão para fora de Curitiba começou em 1986, com a abertura da primeira unidade em Apucarana. Mais tarde, a chegada a Londrina marcou a entrada no formato de hipermercado. O crescimento acompanhou as transformações do varejo brasileiro, que passou a exigir maior escala, investimentos em estrutura e gestão e capacidade de atender a diferentes perfis de consumidores.

Em 1998, Joanir foi procurado por multinacionais interessadas em comprar a empresa. Naquele período, o setor supermercadista brasileiro passava por um processo de consolidação, com grupos estrangeiros adquirindo redes regionais. Ele decidiu não vender e manteve o plano de expansão.

“Em 1998, fomos procurados por multinacionais que queriam comprar a empresa. Era uma proposta importante, mas eu acreditava que ainda tínhamos muito para construir. Decidimos não vender e continuar investindo no Condor. Foi uma decisão de longo prazo. Preferimos seguir construindo a nossa história, acreditando na força de uma empresa regional e na nossa capacidade de crescer.”

A estratégia exigiu investimentos contínuos na modernização das lojas, em gestão e marketing. A expansão foi financiada com recursos próprios e financiamentos do BNDES, em um período de mudanças na estrutura competitiva do setor.

A diversificação dos negócios

Com o varejo alimentar consolidado, o grupo passou a investir em outras frentes. Em 2015, entrou no segmento de postos de combustíveis e, no ano seguinte, chegou a Santa Catarina. Em 2021, iniciou a operação no formato atacarejo. Em 2023, ampliou o portfólio com a aquisição da CIPLA, indústria de plásticos, do Hipermais e do Shopping Joinville, posteriormente rebatizado de Shopping Estação Joinville. O grupo também incorporou cinco lojas Compre Mais em Santa Catarina.

Outra aquisição foi a Ouro Fino, empresa paranaense com quase 130 anos de história. A operação incluiu a marca, a atividade comercial e uma propriedade de 600 hectares.

“O varejo continua sendo a nossa origem e a base do grupo, mas, ao longo dos anos, fomos identificando oportunidades em outros negócios. Entramos em novos formatos, chegamos a Santa Catarina e fizemos aquisições que ampliaram nossa atuação. Hoje temos uma estrutura muito maior e mais diversificada, mas a lógica continua sendo a mesma de quando começamos: trabalhar, entender o mercado e tomar decisões pensando no longo prazo.”

Atualmente, a operação inclui supermercados e hipermercados, atacarejos, indústrias e postos de combustíveis, além das demais unidades e atividades do grupo. A presença em 25 municípios dos dois Estados e a estrutura de aproximadamente 14 mil colaboradores dimensionam a escala alcançada desde a abertura do primeiro mercado.

A UniZonta, universidade corporativa do grupo, mantém escolas voltadas a negócios, diversidade, liderança, excelência operacional, qualidade de vida e cultura e convivência. Já o Z-On concentra a operação de crédito própria das marcas do grupo, enquanto o Clube Condor oferece vantagens, benefícios e ofertas aos clientes, além de contribuir para aprofundar o conhecimento sobre seus hábitos de compra.

Relacionamento com o consumidor

A leitura do mercado continua sendo um dos pilares da estratégia comercial. O gerenciamento de categorias, a análise de dados e as informações obtidas no relacionamento com os clientes orientam decisões sobre o mix de produtos, a organização das lojas e as ações promocionais.

A campanha que marca os 52 anos do Condor exemplifica essa estratégia. A rede concentra ofertas em diferentes categorias ao longo de todo o período comemorativo e combina os descontos com iniciativas de relacionamento. Entre elas está o Condor Premia, campanha promocional que segue até fevereiro de 2027 e prevê 11 prêmios de R$ 500 mil, um prêmio final de R$ 1 milhão, vouchers diários de R$ 500 e 52 prêmios de um ano de supermercado grátis, com benefício mensal de R$ 1 mil.

A cada R$ 50 em compras, os clientes recebem um número da sorte para participar dos sorteios. Nas compras com o cartão Z-On, a quantidade de números é dobrada. A iniciativa associa incentivo às vendas, benefícios ao consumidor e relacionamento com a base de clientes.

“No varejo, não existe espaço para tomar decisões olhando apenas para dentro da empresa. Precisamos entender o consumidor, acompanhar seus hábitos e perceber rapidamente o que está mudando. Por isso, trabalhamos com dados, gerenciamento de categorias e informações do Clube Condor para definir nosso mix e organizar as lojas. O consumidor precisa estar no centro de cada decisão.”

O crescimento também exigiu mudanças na estrutura de gestão. O processo de sucessão começou em 2007, e a segunda geração da família passou a ocupar posições estratégicas. Ricardo Zonta é vice-presidente do grupo, Andréia Zonta é diretora comercial e Sandra Zonta preside o Instituto Joanir Zonta e atua como diretora de Recursos Humanos.

“No trabalho de sucessão entendemos que não bastava preparar o sucessor, era preciso preparar a empresa. É um processo longo, que envolve toda a família e exige conhecimento e participação. Hoje, os sucessores já estão preparados para dar continuidade ao negócio. Sucessão não acontece de uma hora para outra. É um trabalho que precisa ser construído para garantir a perpetuidade da empresa”, completa Zonta.

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