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Com a revisão do Plano Diretor em pauta, lideranças do setor produtivo intensificam sua participação no debate sobre o futuro urbano da capital. Em um momento estratégico para a cidade, o desafio é equilibrar crescimento econômico, qualidade de vida e acesso à moradia.
Foi nesse contexto que o Gazeta do Povo acompanhou as discussões conduzidas pelo G11, grupo que reúne entidades representativas do setor produtivo, e que vem contribuindo com propostas dentro do Manifesto Curitiba 2050.
Entre os participantes está Maria Eugenia Fornea, presidente da ADEMI-PR, que defende um planejamento urbano mais integrado e orientado por dados.
Plano Diretor de Curitiba: revisão estratégica define o futuro urbano
A revisão do Plano Diretor de Curitiba esteve no centro da reunião realizada no dia 2 de março, quando lideranças do setor produtivo apresentaram contribuições ao planejamento da cidade.
O encontro faz parte de uma agenda mais ampla de discussões estruturadas no Manifesto Curitiba 2050, documento elaborado após meses de trabalho pelas entidades que compõem o G11.
Durante o debate, foram abordados temas centrais como mobilidade, uso e ocupação do solo, desenvolvimento econômico e sustentabilidade — pilares que definem a dinâmica urbana de Curitiba.
“A revisão do Plano Diretor é um momento estratégico para Curitiba. A cidade construiu ao longo das décadas uma reputação internacional ligada ao planejamento urbano, e agora temos a oportunidade de atualizar instrumentos e integrar melhor desenvolvimento econômico, mobilidade e oferta de moradia”, afirma Maria Eugenia.
Mercado imobiliário e habitação: integração com mobilidade e infraestrutura
Um dos pontos centrais do debate foi a necessidade de tratar a habitação de forma integrada ao planejamento urbano.
Segundo a presidente da ADEMI-PR, a oferta de moradia não pode ser analisada isoladamente, mas sim como resultado direto das decisões urbanísticas.
“A Habitação de Interesse Social não é um item isolado. Ela é consequência direta da forma como planejamos a cidade. Quando o planejamento urbano permite densificação em áreas com infraestrutura e mobilidade, ampliamos a possibilidade de produzir moradia em locais bem conectados.”
A visão reforça a importância de políticas urbanas que considerem não apenas a expansão da cidade, mas também a eficiência no uso da infraestrutura existente.
Além disso, Maria Eugenia destaca que o setor imobiliário possui capacidade técnica para atender diferentes faixas de renda, desde que existam condições regulatórias e econômicas adequadas.
“A ADEMI reúne empresas que estão diariamente envolvidas na produção da cidade. Queremos colocar esse conhecimento à disposição do debate público, com base em dados e experiência prática.”
Planejamento urbano e desenvolvimento econômico: decisões orientadas por dados
Outro eixo relevante discutido no encontro foi a necessidade de decisões mais técnicas e baseadas em dados.
Com um mercado imobiliário que movimenta mais de R$ 8 bilhões por ano e posiciona Curitiba como o quarto maior do país, o impacto das decisões urbanísticas é direto na economia local.
Nesse cenário, a atuação de entidades como a ADEMI-PR ganha relevância ao contribuir com inteligência de mercado e análise técnica.
“Nosso objetivo é colaborar para que as decisões sejam cada vez mais orientadas por dados, diálogo e visão de longo prazo, construindo uma cidade boa para todos”, afirma a presidente.
A proposta é fortalecer a previsibilidade regulatória e a segurança jurídica, fatores essenciais para atrair investimentos e viabilizar novos projetos urbanos.
Curitiba 2050: setor produtivo propõe soluções para o futuro da cidade
As discussões integram o Manifesto Curitiba 2050, iniciativa que reúne propostas estruturadas para o desenvolvimento urbano da capital nas próximas décadas.
O G11, responsável pela construção do documento, reúne entidades de diferentes segmentos, como construção civil, arquitetura, engenharia, comércio e mercado imobiliário.
O objetivo é consolidar uma visão integrada de cidade, capaz de responder aos desafios de crescimento, mobilidade, sustentabilidade e inclusão habitacional.
O encontro contou também com a participação de técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC) e da Secretaria Municipal de Urbanismo, ampliando o diálogo entre setor produtivo e poder público.
ADEMI-PR: protagonismo técnico no desenvolvimento urbano
Fundada em 1979, a ADEMI-PR atua na representação do mercado imobiliário e no fortalecimento do ambiente de negócios ligado ao desenvolvimento urbano no Paraná.
A entidade reúne cerca de 130 empresas, entre incorporadoras, construtoras, imobiliárias, fornecedores e startups, e tem como foco a atuação técnica e institucional junto ao poder público.
Com base em dados, análises e participação ativa em discussões estratégicas, a ADEMI busca contribuir para decisões mais qualificadas e alinhadas às necessidades reais da cidade.
Conclusão: decisões de hoje moldam a Curitiba do futuro
A revisão do Plano Diretor representa uma oportunidade única para redefinir os rumos de Curitiba.
Mais do que atualizar regras urbanísticas, o processo coloca em discussão o modelo de cidade que se quer construir mais integrada, eficiente e preparada para os desafios das próximas décadas. Nesse contexto, a participação do setor produtivo se consolida como um elemento-chave para garantir que o desenvolvimento urbano seja sustentável, equilibrado e orientado por dados.









