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“Moderação na defesa da verdade é serviço prestado à mentira.”
(Olavo de Carvalho)
Nas próximas eleições presidenciais, há basicamente dois candidatos: Lula e aquele que pode vencer o Lula. Tertium non datur. Como diria o saudoso Padre Quevedo, terceira via non ecziste. É uma ficção alimentada por oportunistas ou iludidos. A esta altura do campeonato, todas as outras candidaturas — Renan, Caiado, Zema, Cury — não passam de linhas auxiliares do Regime PT-STF, como os candidatos em eleições de países socialistas. Ei, acorde: você vive em um país socialista.
Estou dizendo que, se o candidato que pode vencer o Lula conseguir vencer o Lula, nós teremos vida fácil? Evidentemente, não. O Brasil já caiu no abismo, empurrado pelo atual desgoverno. Atualmente, estamos naquela posição do sujeito que caiu do 10º andar e, ao passar pelo 5º, pensa: “Até aqui, tudo bem”. A catástrofe virá, independentemente de quem ganhar a eleição.
Já mencionei a vocês, meus queridos sete leitores, os cinco C’s que transformaram a vida do brasileiro não estatal em um martírio: custo de vida, criminalidade, carga tributária, corrupção e censura. Se o Lula ganhar, esses instrumentos de tortura se tornarão muito mais dilacerantes. É isso que os socialistas fazem no poder: escravizam e silenciam o povo que prometeram defender.
A esquerda está no poder há muitos anos. Ela domina, por esmagadora maioria, não apenas o governo, mas também a grande mídia, as instituições públicas e privadas, os serviços públicos, as grandes empresas, os sindicatos, as organizações religiosas, a indústria cultural e de entretenimento, o sistema financeiro, o mercado editorial, os tribunais, as promotorias, a burocracia estatal e, finalmente, as escolas e universidades em que se formam os novos políticos, burocratas e profissionais das mais diversas áreas. Como já assinalei aqui, até a direita é de esquerda no Brasil.
Diante de tal quadro, esse papinho de “combate à polarização” não passa de uma cantilena da esquerda para evitar qualquer ameaça à sua hegemonia. Durante muitos anos, todos nós acreditamos que havia uma disputa real entre o PT e o PSDB, até que o professor Olavo de Carvalho desmascarou esse teatro das tesouras, em que os dois lados cortavam sempre em direção à esquerda. Há exatos 20 anos, Lula e Alckmin fingiam duelar na eleição diante de uma população de idiotas úteis — nós. Olhem onde estão os dois antigos adversários hoje.
De tempos em tempos, surge um candidato “moderado”, um novo Alckmin para tentar refazer o teatro das tesouras. É o candidato de “extremo-centro”, que tem o “coração na esquerda e a cabeça na direita”
Fala mansa, ponderado, bom moço, ele gosta de fazer cafunés retóricos no eleitor, jamais dizendo algo que possa ferir as sacrossantas opiniões do famoso isentão (todas elas, por sinal, originárias da esquerda). A ideologia do isentismo nada mais é do que um aspecto do movimento revolucionário; basta estudar a história das revoluções para entender qual foi o destino dos que ficaram em cima do muro.
O problema com o candidato de extremo-centro é que, quando ele cai, cai sempre para a esquerda. Mesmo na remotíssima possibilidade de que viesse a ter sucesso em sua candidatura, ele seria rapidamente engolido pelo sistema de poder, perpetuando a ditadura em que estamos mergulhados.
Diante das atrocidades que Lula e o STF perpetraram nos últimos sete anos, afetar “moderação” e “equilíbrio” é um ato de covardia, omissão e cumplicidade com o mal. Homens de bem não constroem pontes para o inferno.
PS: Quando terminei de escrever esta coluna, recebi a notícia de que Flávio Dino, o ministro comunista, reverteu o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Pergunto: qual é a chance de vencer essa ditadura por meio do isentismo e da “terceira via”?
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Paulo Briguet é escritor, jornalista, palestrante e professor de literatura. Trabalhou em diversos jornais, revistas e assessorias de comunicação no Paraná. Foi colunista da Folha de Londrina e editor-chefe do jornal Brasil Sem Medo. Publicou diversos livros, dentre eles: “Nossa Senhora dos Ateus”, "Coração de mãe", “O Mínimo sobre Distopias” e “Diário de Moby Dick”. Já escreveu mais de 2 mil crônicas. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



